Aécio Neves dá a receita do discurso de mentirinha do PSDB aos correligionários

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Pouco antes das eleições de 2014, escrevi aqui no blog cerca de 30 razões para não votar em Aécio Neves, incluindo algumas denúncias bem graves que já tinham sido reveladas, palidamente, até aquele momento. Quem se informava só pelos jornais nacionais da vida, achou que eu estava ficando doida — afinal, estava apontando crimes cometidos pelo senador queridinho da República, era isso mesmo?! Praticamente nenhuma daquelas denúncias havia tido grande repercussão nos grandes veículos e, quando tinha, o “outro lado” era maior do que a denúncia propriamente dita, com Aécio sempre desmentindo tudo com a cara mais lavada do universo, ou o Bonner lendo a nota limpinha e perfumada do PSDB durante longos minutos.

Eis que, agora, todo o país fica sabendo aquilo que eu e meu pai vínhamos falando sobre Aécio há 14 anos, desde que ele assumiu seu primeiro governo em Minas. (É óbvio que houve uma ruptura tremenda entre Aécio/Andrea e o grupo dos Marinho, mas ninguém ainda nos contou qual foi o grande bastidor, então não serei eu a especular.)

E agora não tem muito jeito de a irmãzona, já presa, inventar uma desculpa qualquer, ou usar um batalhão de assessores de imprensa para fazer a defesa do presidente (afastado) do PSDB em todos os meios possíveis, inclusive em comentários orquestrados em portais e redes sociais. Está tudo gravado, filmado, rastreado e documentado, com provas tão cabais que até os donos dos carrões de Beagá tiveram que correr para arrancar os adesivos “a culpa não é minha, votei no Aécio” já na quinta-feira seguinte ao furo do jornalista Lauro Jardim.

(Parêntesis para dizer que, embora uma força-tarefa cabulosa tenha tentado de todas as formas produzir provas assim tão cabais contra a turma do Lula, elas ainda não apareceram de jeito nenhum. E Dilma acabou caindo por causa de pedaladas fiscais… Mas vai saber, vai que algum dia aparecem essas provas cabais contra a presidente derrubada também.)

Mas sabem o que eu, como jornalista, estou achando mais divertido nessa história toda? A cada novo áudio (cheio de palavrões cabeludos) de Aécio Neves vazado, mais ele nos dá a cartilha de como funcionava a contrapropaganda em seu governo em Minas, e depois no Senado. Pois vejam este trecho da hilária conversa entre Aécio e Perrella, por exemplo, em que o primeiro orienta o segundo sobre o que ele deveria ter falado quando surgiram as denúncias da lista da Odebrecht:

“É dizer o seguinte: ‘É muito bom tudo isso [investigações da Lava Jato]. Agora é hora de separar o joio do trigo. Quem aqui em Minas sabe o governo que o Aécio fez, que o Anastasia fez, sabe da correção deles. Eu acredito nisso e o tempo vai provar”. Ponto!”

Já no áudio da conversa de Aécio com Beto Richa, outro santo do PSDB, o mineiro-carioca diz o seguinte (depois de bem orientado pela irmã) sobre o que um secretário de Richa deveria escrever:

“Retira isso e… diz “como houve… tô retirando, porque como houve uma má interpretação”, se não isso vira notícia da Folha de São Paulo, te envolve… (…)

Ó “em razão da má interpretação do meu vídeo, tô retirando, tô retirando o vídeo”. Eu acho que é isso que ele tem que fazer. E uma nota, dizendo o respeito que tem pelos dirigentes do partido, que tudo isso…”

É Aécio, em pessoa, ditando a nota oficial que outro senador e, no outro caso, um governador, deveriam divulgar à imprensa e à sociedade! E uma nota que a gente já leu uma porção de vezes, não é mesmo? Dá uma sensação danada de dejá vù quando ele fala essas coisas de joio do trigo, o tempo vai provar, má interpretação, lálálá. Olha só! Foi exatamente isso o que outro tucano, o Geraldo Alckmin, declarou em março deste ano! Que coincidência:

Alckmin defende ‘separar joio do trigo’ na Lava Jato

Rárárá.

Na verdade, só comecei a rir. Dá uma certa vontade de rir ao ver algumas máscaras incaíveis finalmente caindo, tantos anos depois de termos ficado falando praticamente sozinhos. Mas logo tenho que frear a risada, ao lembrar de todo o resto. De Aécio solto, de Perrella solto, de Bolsonaro existir, de PT estar atolado na lama e abraçado ao capeta, de haver tão poucos e tão pouco representativos quadros políticos que prestam no Brasil, de a crise estar pior do que nunca, de as reformas trabalhista e previdenciária ainda estarem correndo, de o judiciário seguir intocável, de Temer ainda não ter caído, de estarem todos os partidos, de todos os matizes políticos, reunidos nos gabinetes, a portas fechadas, juntinhos, resolvendo quem vai ocupar a cadeira quente do Temer quando (e não “se”) ele cair, de as opções passarem por Rodrigo Maia, Henrique Meirelles, Tasso Jereissati, FHC, Nelson Jobim e afins, de haver tanta desesperança para esta vida e a próxima.

O riso morre nos lábios e a gente acaba soltando um daqueles palavrões cabeludos que Aécio tanto arrota. Pobre Brasil.

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6 comentários sobre “Aécio Neves dá a receita do discurso de mentirinha do PSDB aos correligionários

  1. Do Diário do Centro do Mundo, hoje:
    “ornalistas ocuparam na manhã desta quinta, dia 1º, o prédio onde funcionava o jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte.

    O imóvel, que está desocupado, pertencia à Ediminas, empresa que editava o jornal e quebrou.

    Era um bem que poderia garantir o pagamento do salário dos profissionais de imprensa e as verbas de demissão.

    Mas Aécio Neves, ao pressionar Joesley Batista para comprar o prédio a preço superfaturado em 2015, impediu a execução do bem e ficou com o dinheiro que poderia servir para pagar os ex-empregados.”

    Mais aqui: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/jornalistas-ocupam-predio-da-jbs-em-bh-que-e-prova-da-corrupcao-que-une-aecio-e-a-midia-por-joaquim-de-carvalho/

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  2. Aí um bom exemplo de como Aécio tem (tinha?) influência na imprensa. São três diálogos com um diretor da TV Record, por sinal sobrinho do bispo Edir Macedo, em abril deste ano, visando trocar uma entrevista exclusiva de interesse do presidente Michel Temer por um patrocínio da Caixa Econômica Federal na emissora.
    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/grampos-indicam-que-tv-record-negociou-entrevista-com-temer-em-troca-de-patrocinio-na-caixa/

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  3. Um comentário de leitor do Diário do Centro do Mundo ao post indicado, mostra que a TV Record conseguiu no governo Temer aumento de mais de 500% na verba publicitária desse governo:

    “Marcelo Figueiredo cousinelizabeth • uma hora atrás
    Ou talvez só as gravações da Record vão aparecer, não é o que a globo quer?”

    “Marcelo Figueiredo • 2 horas atrás
    Humm.. Por isso a globo quer a cabeça de Temer e do Abominável. Além disso tem a distribuição de verbas de publicidade. Enquanto as da globo aumentaram 11% no último ano (nem aparece no gráfico), as da Record aumentaram 500%. Entenderam porque os artistas da globo querem Fora Temer?”

    Marcelo Figueiredo anexa ao comentário gráfico da publicidade oficial, bem interessante.

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  4. Esse artigo (http://www.tijolaco.com.br/blog/aecio-aos-17-nos-states-no-brasil-todo-mundo-tem-uma-ou-duas-empregadas/) foi escrito durante a campanha eleitoral de 2014, mas continua bastante atualizado e útil a quem queira entender a personalidade de Aécio Neves. Em 1977, aos 17 anos, ele deu entrevista a um jornalzinho de uma cidadezinha onde estava num programa de intercâmbio e, entre outras mentiras, disse a um repórter do do semanário The Franklin news-record, de New Jersey:

    ’The women of Brazil have an easy life, according to Aecio. Most women do not work because financially they don’t have to, he said, so most of their time is spent on the beach or walking to the different shops.

    Em tradução livre: “As mulheres brasileiras têm uma vida fácil, segundo Aécio. Muitas mulheres não trabalham porque financeiramente elas não precisam, ele disse, então na maior parte do tempo elas passam na praia ou andando em diversos shops”,

    ““Everyone in Rio has one if not two maids, one for cooking and the other for cleaning.” He added that “I have never made my own bed.”

    “Todo mundo no Rio tem uma ou duas criadas, uma para cozinhar e outra para a limpeza.” Ele acrescentou, “eu nunca fiz minha própria cama”.

    Na verdade, ele começou a aprender a fazer sua própria cama (sentido figurado) quando o pai, deputado federal pela Arena, o nomeou como assessor, podendo continuar continuar morando no Rio e embolsando, sem trabalhar, um dinheirinho público. Só saiu do Rio quando o avô Tancredo Neves foi eleito governador de Minas em 1982 e imitou, a seu modo, o genro, como escrevi no dia 7 de junho de 1983, no Jornal do Brasil (https://kikacastro.files.wordpress.com/2012/02/sucursal-das-incertezas.pdf ):

    “O PMDB mineiro governa em família. Doente há mais de um mês num hospital de
    São Paulo, o secretário de Governo, Renato Azeredo, continua assinando os atos
    publicados diariamente no diário oficial do Estado, embora esteja sendo substituído
    pelo secretário-adjunto, Tancredo Augusto, filho do governador Tancredo Neves. O
    secretário particular do governador, Aécio Cunha Filho, é seu neto e filho do expresidente
    do PDS mineiro, Aécio Cunha. O filho do secretário de Governo,
    Eduardo Brandão Azeredo, aos 34 anos, é presidente da Prodemge (Companhia de
    Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais).”

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