Um personagem sinistro

Não deixe de assistir: FOXCATCHER
Nota 8

foxcatcher

Estou impressionada como este Oscar 2015 está cheio de filmes biográficos, ou baseados em histórias reais. Vamos lá: O Jogo da Imitação, Sniper Americano, Selma, A Teoria de Tudo e, agora, este Foxcatcher.

Pra variar, fui assistir ao filme sem a menor noção disso. Só sabia que tinha algo a ver com luta greco-romana, que eu nunca vi e desconheço as regras, então imaginei que eu fosse ficar boiando na maior parte do filme. Mas, apesar de ter muitas cenas de luta, isso está longe de ser o principal no filme.

Tampouco caiu no erro de super-homenagear o personagem real da vez. Tanto que ele nem é o principal da história, que é uma história de personagens bastante inusitados.

Não é à toa que, das cinco categorias a que o filme concorre neste Oscar, duas são de melhor ator e uma de melhor roteiro. Para se fazer um filme de personagens, é essencial que se tenha uma atuação brilhante e diálogos convincentes. E o que vemos é um humorista como Steve Carrell (“O Virgem de 40 Anos”) brilhando na pele de um dos personagens mais esquisitos e sinistros da história do cinema.

Desde o primeiro momento em que o “Senhor John du Pont”, encarnado por ele, aparece em cena, senti os pelinhos do meu braço se arrepiarem. O bilionário que patrocina lutadores (em nome de um suposto patriotismo), que vive sob as asas da mãe (mas nunca consegue agradá-la), que só teve um amigo na vida (até descobrir que ele tinha sido pago para ser seu amigo), este ricaço é a alma do filme. Ou seja, para mim, o filme não é sobre os dois irmãos medalhistas olímpicos e seus treinos para a Olimpíada de Seul em 1988. É muito mais sobre este personagem insólito que resolve “adotá-los”.

O relacionamento entre os três é tão tenso que chega a sufocar. O diretor Bennett Miller (que também concorre ao Oscar) foi responsável por criar esse clima, como os bastidores das gravações nos mostram. Assistimos às duas horas na expectativa iminente de que alguma coisa vai explodir. E explodirá – é só o que posso adiantar.

O filme também concorre na categoria de melhor maquiagem, pelo trabalho excepcional de transformação de Steve Carrell em John du Pont. O nariz adunco e a tonalidade da pele, que levavam duas horas por sessão para ficarem prontos, ficou de tal forma perfeito que eu assisti ao filme todo sem identificar quem era o ator principal, mas apenas com a incômoda sensação de conhecer aqueles olhos e eles estarem meio fora de lugar. Claro, eu estava acostumada a vê-los em um rosto engraçado de comediante, não em um rosto doentio.

O que mais me chamou a atenção na personalidade de du Pont é o quanto ele era controlador (geralmente comprando os outros com dinheiro, qualquer que fosse o valor). E, lendo na trivia do filme que o diretor decidiu escrever este roteiro após receber um envelope de um completo desconhecido, contendo vários recortes de jornais sobre a história, meus pelinhos se arrepiaram de novo. O filme já tinha terminado, e eu estava naqueles minutos seguintes pensando sobre o que tinha assistido, quando passei a ter certeza de que John du Pont estava por trás daquele homem desconhecido e tinha conseguido manipular o diretor a fazer um filme sobre ele. Será muita viagem? (Creepy…)

Veja o trailer:

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2 comentários sobre “Um personagem sinistro

  1. Cris, você precisa assistir A Teoria de Tudo. Eu achei incrível, fiquei muito impressionada com a atuação do Eddie Redmayne e com a história do Stephen Hawking (que eu não conhecia). Adorei sua resenha sobre O Jogo da Imitação, mas fiquei ansiosa para saber o que você vai achar de ‘A Teoria’ (que na minha opinião conseguiu ser melhor). 😀

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