27 anos do Bazar Maravilha

Tutti Maravilha prestes a comer o bolo de comemoração dos 27 anos do Bazar, na semana passada.

Tutti Maravilha prestes a comer o bolo de comemoração dos 27 anos do Bazar, na semana passada. Foto: Divulgação / Rádio Inconfidência

“Vai começar a hora do recreio!”

Assim o jornalista Tutti Maravilha dá início ao seu bazar, ou programa de rádio, diariamente, às 14h, na Inconfidência. E faz isso há 27 anos, sempre no mesmo local e horário, até as 16h.

São duas horas tão animadas e sobretudo bem-humoradas como indica essa frase de abertura. Afinal, quando estávamos na escola, a hora do recreio era a mais ansiada por todos. Era a hora de brincar, de ouvir música, de lanchar, de bater papo com os amigos, jogar truco — fazer tudo, menos estudar. Ou seja, era a hora de relaxar o cérebro, desanuviar.

O mesmo acontece comigo desde que comecei a ouvir o Bazar Maravilha, em 2012 (faz pouco tempo assim mesmo). Passo pelo menos uma hora do dia ligada no programa, desanuviando. Na maior parte do tempo, estou no trânsito, dirigindo, tendo que enfrentar barbeiros de toda a espécie e congestionamentos mal-humorantes. Mas não tem problema, porque me distraio da amolação escutando a várias músicas de ótima qualidade, entrevistas inteligentes e dicas de roteiros culturais.

Eu já trabalhei em rádio e sei como é difícil não deixar a peteca cair. Silêncios são um convite para que o ouvinte mude de estação. Então é preciso estar tudo bem preparado e, quando surgirem imprevistos (e eles sempre ocorrem), saber improvisar. Imagine fazer isso durante duas horas inteiras e com entrevistas sempre ao vivo, sem poder deixar que a conversa desande para o tédio? Tem que ter competência para isso, além de muito preparo, experiência e conhecimento do que faz, por isso acho hoje que o Tutti Maravilha é um dos jornalistas de cultura e de rádio mais competentes que existem por aí.

Mas o mais legal de seu programa é o fato de manter-se sempre jovem e atualizado. Ele poderia tocar Chico, Caetano, Gil e Mutantes e agradar a todo mundo com as músicas que todo mundo conhece e gosta de escutar. Mas o que ele mais faz é o oposto: abrir espaço a músicos e bandas de que ninguém nunca ouviu falar, que estão lançando seu primeiro CD, e mostrar o que eles fazem — e é assim que descubro muitos bons músicos por aí. Ou seja, ele nos apresenta a bandas que depois podem virar um estouro nacional (como aconteceu com o Pato Fu, que foi tocado pela primeira vez no Bazar Maravilha, ainda em formato de fita K7) e as intercala com músicas de (e entrevistas com) grandes mestres, que todo mundo já conhece e respeita (e que ele conhece de perto, por ter sido produtor dos maiores músicos do país, no passado). E não só mestres da música: vai muita gente do cinema, da literatura, do teatro e da dança também.

Outra coisa legal e jovial do Tutti — que tem 64 anos de idade, talvez valha ressaltar — é promover a interação constante com seus ouvintes. Ele atende aos telefonemas durante o programa (eu mesma já falei com ele duas vezes!), responde a alguns emails (poderia responder a mais… Enviei sete vezes e só me retornou duas =/) e a alguns comentários em sua página do Facebook, que foi criada há menos de um ano e já tem 4.200 curtidas. Também cria pegadinhas, perguntas, promove sorteios e faz toda a programação de segunda-feira a partir de pedidos musicais de ouvintes. Eu, que sou do mundo da blogosfera, acho essencial esse tipo de conversa constante com quem admira o que ele faz. Dá vontade mesmo de baixar lá na avenida Raja Gabaglia só para conhecê-lo pessoalmente, como muita gente deve fazer 😀

Por toda essa generosidade com os novos artistas, por todo o espaço para obras culturais de qualidade, velhas ou novas, por toda a simpatia e bom humor ao vivo, por fazer entrevistas inteligentes sem deixar a peteca cair, por interagir com seus ouvintes e leitores – por tudo isso, enfim, recomendo que todos escutem o Bazar Maravilha sempre que puderem, de qualquer parte do mundo (em BH, é na 100,9 FM. No resto do mundo, é no site www.inconfidencia.com.br. Em qualquer caso, é de segunda a sexta, de 14h às 16h). Não é à toa que ele comemora 27 anos no ar, o que deve ser algum tipo de recorde. É porque seu programa é leve e agradável como a hora do recreio mesmo.

Fica a dica, especialmente para quem não conhece ainda o Bazar Maravilha 😉

Atualização no dia 4/8: Faltou eu elogiar a equipe que trabalha junto ao Tutti Maravilha: o Zelu, que trabalha com ele há 12 anos, pelo que ele diz ao vivo, como técnico de som (trabalho também essencial para evitar que a peteca caia) e que toca violão muito bem, como já mostrou ao vivo algumas vezes; o “pai do João”, Flávio Henrique Silveira, que é produtor do programa; e José Augusto Toscano, coordenador de esportes da rádio, que comenta sobre futebol toca segunda-feira durante o programa. Ele é cruzeirense assumido, mas faz excelentes comentários, muito isentos, que agradam até aos atleticanos como eu (a propósito, Tutti é Galo!). Também é muito legal a postura que os dois assumem e sempre pregam de crítica à violência nos estádios e aos episódios de racismo e de homofobia tão comuns, infelizmente, no nosso futebol.

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