Protesto contra as rádios de Beagá

Tatuagem bonita de alguma outra fã de rádios.

Tatuagem bonita de alguma outra fã de rádios.

Gosto muito de escutar rádio. Meu primeiro (e único) estágio foi em uma rádio, a UFMG Educativa (104,5 FM), e foi uma experiência maravilhosa. A dinâmica das rádios é legal, a notícia é o mais hard possível, tem muita prestação de serviço. Eu tinha muita dúvida entre trabalhar em rádio ou em jornal impresso. E eu sou doida com música, como quem frequenta este blog sabe bem, então sempre que estou em casa ou no carro, a caminho do jornal, estou escutando alguma música. Enquanto escrevo este post, estou com a rádio Inconfidência (100,9 FM) sintonizada e, neste exato momento, toca Paralamas do Sucesso (e toca também a britadeira de uma obra ao lado do meu prédio).

E a rádio tem uma vantagem sobre CDs, LPs e até sobre um pen drive lotado de MP3s gravados: o fator surpresa. Deixo dois pen drives, cada um com capacidade para 1.000 músicas, dentro do carro. Mas já enjoei dos dois, mesmo ouvindo em modo “random”. Não vejo a hora de subir com eles e dar uma variada nas gravações. Já a rádio vive me pegando de surpresa. Me apresentando novos sons ou resgatando músicas que eu nem lembrava que existiam. Programas como o Bazar Maravilha (um dos melhores programas de rádio do país), apresentado pelo Tutti, sempre dão oportunidade a novos talentos de Minas e do Brasil, que estão apenas começando a carreira. Sem contar que também é uma surpresa boa ouvir aquela música que eu adoro, que tem no pen drive e no celular, mas sendo tocada por decisão de um programador que nem me conhece. É um tipo de veículo que acho que nunca vai acabar, mesmo com séculos de avanço tecnológico.

Dito tudo isso, venho aqui lamentar por termos tão poucas opções de boas rádios em Belo Horizonte. Deixo seis gravadas na memória do som do carro: as duas já citadas, a Guarani (96,5 FM), a Alvorada (94,9 FM) e duas de notícia: Itatiaia (95,7 FM) e CBN (106,1 FM). As que mais escuto são Inconfidência (que só toca MPB e pop rock brasileiro) e Guarani, que alterna as brasileiras com músicas internacionais. A Alvorada vai de mal a pior, optando por tocar, na maioria das vezes, umas músicas internacionais estilo lounge ou pop da pior qualidade. A UFMG Educativa, apesar de ter boa música e também abrir espaço a novos talentos, tem um grave problema: não pega em boa parte do meu trajeto de carro e pega muito mal na minha casa.

E cadê uma rádio dedicada ao rock, por exemplo? É dificílimo escutar rock nas rádios de BH! Quando eu era criança, tinha a 107 FM, que depois foi comprada por evangélicos. Aí veio a 98 FM, que tocava um Pearl Jam, mas hoje só toca pop. Tinha a Geraes, que acabou em 2006. E hoje não tem mais nada para relembrar os clássicos do rock dos anos 60 e 70. Quando quero ouvir algum blues, por exemplo, preciso recorrer, de novo, ao pen drive.

Ontem fiquei pensando sobre isso, num momento em que a Inconfidência estava tocando uma música ruim, migrei para a Guarani e ela também estava péssima, passei pra UFMG e ela não pegava e arrisquei a Alvorada e ela não me surpreendeu. As outras faixas tocam sertanejos (maioria esmagadora) ou músicas evangélicas. E aí desisti.

Mas também me ocorreu que, talvez, quem sabe, eu é que tenha um gosto musical muito ruim (ou exigente), já que as rádios devem seguir, em tese, uma programação que agrade a seus ouvintes 😉

Vocês concordam comigo? Quais são suas rádios favoritas em Beagá? O que acham que deveria melhorar nas que já existem? Que tipo de rádio especializada poderia surgir na nossa cidade?

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33 comentários sobre “Protesto contra as rádios de Beagá

  1. Porque o preconceito contra a outra rádio de notícias? 😀

    (disclaimer: a BandNews era a única coisa que eu escutava no carro até o ano passado, quando descobri os audiobooks e, com eles, melhorei meu consumo de combustível de 8,0km/l para 9,3km/l)

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    • Zero preconceito! De vez em quando ouço a Band News também, mas é que só tenho como gravar 6 rádios no som do meu carro e dou preferência às de música (já passo o dia quase todo mexendo com notícia, então me dou a esse luxo no trajeto de casa ao trabalho e vice-versa). Daí deixo a Itatiaia mais pelo futebol e a CBN para ter uma de notícia. Poderia ser a Band, não acho uma muito diferente da outra, não 😉

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  2. Não moro em BH, muito menos no Brasil (apesar de ter vivido em PoA de 77 a 91). Em Porto Alegre tem uma rádio excelente (Ipanema FM) que continuo a escutar através da web aqui no Porto / Portugal, onde estou desde 1991. Por cá as rádios são todas muito parecidas, todas usam play lists e se umas tocam mais pop-rock, outras tocam mais pop-dance / r&b. Não há grandes diferenças entre elas, nem entre os jockeys que parecem não ter vontade própria para curtir algo do momento – tudo é programado. Uma das rádios, no verão, trabalha em modo automático, um computador lança tudo no ar, pré-gravado… só dance music, acho que quem curte bate-estacas nem nota que aquilo não é ao vivo. Só uma rádio (Antena 1, do grupo estatal RTP/ RDP) é que passa música portuguesa e lusófona em geral, além de rock antigo em determinados horários – geralmente da meia-noite às 02.00 h, ao sábado. Sinceramente, nos outros dias não estou a pé a essa hora, portanto desconheço. Nos demais horários são notícias e fóruns – chega a enjoar… Curto o teu blog e admiro a paixão que introduzes nos posts. parabéns e continua com o bom trabalho. 🙂 Um abraço do outro lado do mundo, do leitor Teo Bastos

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    • Que demais saber que tenho um leitor em Portugal!!!! Fiquei muito feliz com seu comentário, Teo 😀
      Realmente, parece que o problema com as rádios é mundial. Recomendo ouvir a Inconfidência pela internet (www.inconfidencia.com.br, mas o site está fora do ar hoje, ao que parece). É a melhor rádio para quem gosta de ouvir MPB e samba de boa qualidade!
      Abraços mineiros

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  3. Será o que está acontecendo na Alvorada? Eu me lembro que ela tocava muito MPB. Até as canções do Affonsinho se ouvia lá, antigamente. Mudou o gosto do Francisco Bessa ou mudaram os ouvintes? Pelo que se ouve agora, todos eles falam inglês. Ou talvez prefiram escutar a melodia (muito ruidosa para meus ouvidos cansados) sem o incômodo de refletir sobre a letra, né? Até onde sei, a rádio ainda é um sucesso de audiência, entre as mais de 20 FM de BH.

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  4. Escrevo pois alguém precisa registrar (em algum lugar) que a vanguarda da experiência de um “novo jornalismo” foi tentado no NOVO EM FOLHA no período
    de 09 e 11.

    Poucos reconhecem (ou perceberam) o que foi feito.

    Era óbvio que format do NEF era inovador.
    Permitia interação.
    Era o exercício de um novo jornalismo
    tupiniquim.
    Agora @nytimes usa técnica..

    Perdemos bonde!
    Muitas dicas usadas ATUALMENTE p. @nytimes foram debatidas entre 2009-11 no NOVO EM FOLHA @anaestela
    http://migre.me/hooV8

    Veja o link http://migre.me/hooV8 . Rapidamente surgem tópicos que debatemos.

    GRANDE ABRAÇO
    RAMIRO
    @ramirogoncalez

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  5. Sou o oposto de vc, escuto pouquíssimo rádio, mas compartilho todas as opiniões — inclusive o gosto e a surpresa — e o desejo de rádios boas. E acrescento que “Uma onda no ar” é o melhor filme já feito em BH (junto com “O Menino Maluquinho”, é claro).

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  6. Oi Cris! As rádios que mais escuto são a Alvorada, Band News FM e Inconfidência. Bom, pelo menos, eu adoro a seleção musical da Alvorada e o fato deles misturarem pílulas de jornalismo entras as músicas. A Ban News FM me agrada pelo carisma dos âncoras que são mais descontraídos. Já a Inconfidência escuto para saber o que acontece na cena cultural de BH e da MPB. Desde que voltei a trabalhar de tarde, não consigo mais escutar o Tuti. Um pena. Também sinto falta da época em que a 98 FM tocava mais rock. Acho ruim não temos mais uma rádio destinada este estilo. Bjos

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    • Eu gosto também do formato da Alvorada de mesclar pílulas do jornalismo nas músicas. Isso não acontece nem na Guarani nem na Inconfidência, pelo menos na maior parte da programação. Mas acho que a qualidade da programação da Alvorada caiu muito, quando optaram por tocar menos música nacional. Mas no fundo tudo isso é questão de gosto, né! E imagino que, se tomaram essas decisões — e se há tantas rádios de sertanejos — é porque é o que vem dando mais audiência… De qualquer forma, acho que seria legal as rádios colocarem pelo menos um espacinho em suas grades para “formar” o público também, inserindo estilos bacanas, como o blues. Há sete anos, criei uma pílula de blues, de 10 a 15 minutos, que tocava diariamente na UFMG Educativa. Durou só quatro meses, porque me mudei para SP bem nessa época. Mas era um formato micro que acabava suprindo um pouco essa ausência. Era uma coisa que a UFMG fazia muito, na época, e que não tenho ouvido mais, nem por lá. bjos

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  7. Li hoje sua matéria sobre as rádios de Belo Horizonte. Gosto de música e noticia em rádio, mas acabo ouvindo mais noticia porque Alvorada só dá inglês e muitas músicas não são do meu agrado. Não gosto da música tendenciosa de algumas emissoras. Fico mais com a Guarani. Quanto às noticiosas, estou preferindo a CBN, pelas noticias mais frequentes sobre o trânsito. A Itatiaia tem uns programas muito antigos que não evoluem. Acordava com a Itatiaia, com o “tá bão fio”, bordão do programa do Edson Andrade, e dormia com ela, ouvindo Amilcar de Castro pela madrugada a dentro. Hoje só ligo rádio no carro. Prefiro ouvir, no computador, de Affonsinho a corais da Rússia. Gostei de sua abordagem. Se você for aprofundar no assunto, veja na internete a “História da Midia Sonora- Experiências, Memórias e Afetos de Norte a Sul do Brasil/ org. Luciano Klöckner e Nair Prata -Dados Eletrônicos – EDIPUCRS, 2009”. Tem um bom capítulo sobre as emissoras de Minas.

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  8. Nossa lista de seis rádios quase bate: a Alvorada saiu pelos mesmos motivos de que você reclama e no seu lugar entrou a 98 – essa entrou só para ouvir as transmissões de futebol, ouço até jogo do Cruzeiro. Para a minha felicidade, saiu na última Veja BH que a UFMG está com um transmissor mais potente. (E é ela que estou ouvindo enquanto escrevo.)

    Sintonizador de rádio é para mim critério de compra de celular. (Pois é, por incrível que pareça tem aparelho que não tem.) Quando viajo, umas das primeiras coisas que faço ao chegar nas cidades é selecionar as estações de rádio. Tenho que tirar o chapéu para a Inconfidência, por mais que eu ache que tenha programador preguiçoso lá. É raro encontrar uma rádio como ela – e mais uma vez pego carona nos seus motivos.

    Aliás, eu evito reclamar muito da Inconfidência. Vai que alguém resolve fazer com ela o que o Newton Cardoso fez: transformá-la de “Brasileiríssima” em “Popularíssima”. Nada contra quem gosta, mas, cá entre nós, é um desperdício uma rádio pública tocar o mesmo que as comerciais tocam.

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  9. COISA ESQUISITA, FECHAR UMA EMISSORA QUERIDA, RECONHECIDA. Os ouvintes perderão Clássicos ao meio dia; Cinema Songs; Kakofonia; bom e variado pop mundial; MPB de todo tipo e até razoável cobertura do noticiário. Perguntaria Zé Butão: que desorientação é essa, eim?

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  10. Estou montando a rádio web RICA MORENA, com perfil para motociclistas. E aí BH e o mundo poderão ouvir o melhor do jazz, blues, rock, country, mpb e pop. E como você mesmo diz, o fator surpresa será o nosso diferencial. Como diferente será a comercialização da emissora e o conceito de relevância da informação. Aguarde, estamos em fase de finalização.

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      • Olá Kika, bom dia. Rádio Rica Morena estreia dia 21 de setembro, na internet. Site em construção e aplicativos também sendo formatados. Transmissão nas versões 64 k aacc plus e 192 k mp3 compatíveis com celulares comuns, tablets e smartphones de última geração. E já começamos na estrada do Facebook e do Twitter: Rádio Rica Morena. Gostaria de lhe enviar logo, vinhetas em áudio e vídeo. Quem sabe vc me ajuda a divulgar a melhor surpreendente programação de Jazz, Pop, Rock, Blues, Rock progressivo, MPB e country.

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      • Oi Cris, bom dia. Estreia nesta segunda, dia 21, a primeira rádio premium do Brasil, via web. Rica Morena (perfil motociclistas e caronas do vento) terá em sua programação notícias relevantes e curtas, dicas para o motociclista e programação musical de qualidade: jazz, blues, rock and roll, country, MPB e POP. Obrigado pela atenção. abraços.

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  11. Trabalhei praticamente uma parte da minha vida profissional em nove emissoras de rádio.
    Sou radialista e fui programador musical, produtor e coordenador de programação.
    E é com um pouco de tristeza e sem saudosismo que posso dizer não está fácil ouvir rádio nos dias atuais. As vezes bem que tento mas….

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