Quando a embalagem engrandece o conteúdo

A campanha existe desde 2006 e só nesta manhã de domingo é que fui reparar. Lá estava o saquinho de papel, que embala o pão francês, com um desenho na frente e um poema atrás.

Um poema!

Nessa hora meu olhar se reteve e descobri que as pessoas podem enviar poemas, fotos ou desenhos para um email e eles são publicados em um blog ou na página de Facebook do “Eu Amo Pão” — e que uma parte dos textos sai impressa na embalagem de papel.

Achei genial. Mesmo que alguns poemas sejam precários, é fácil perceber que há ali pessoas que nunca tinham escrito um texto na vida e resolveram se desafiar. E também há crianças participando! Que devem ficar emocionadas de ver seus nomes impressos em um pedaço de papel que atinge a centenas ou milhares de pessoas. (Tiragem maior que a de muito jornal por aí.)

O alcance dessa ideia é incalculável. Vejam o que disse um trabalhador de Pará de Minas que enviou a seguinte mensagem, publicada no blog da campanha: “Todas as manhas eu e colegas de trabalhos (Kasandra e Glória) ao tomar café aqui na empresa lemos a poesia que vem no saquinho de pão brindamos o café, agradecemos e desejamos um bom dia. Algumas manhãs quando temos algo diferente para comer, guardamos o pão e damos a alguém.”

Foi lendo essa mensagem que percebi de fato a importância do que era feito ali. Fiquei curiosa para saber quem estava por trás da ideia. Pensei, a princípio, que seria a associação de padarias, algo assim. Mas é da própria fábrica de embalagens de papel (Casa Sol), conforme descobri na página de Facebook. E lá na rede social vi fotos de famílias inteiras, casais, crianças, bebês e cachorrinhos comendo pão. Gente de todas as idades, cores, camadas sociais e de várias cidades diferentes. E foi quando também me dei conta de como o pão é um alimento universal, provavelmente o mais universal de todos. É o alimento-símbolo para a comida, desde a analogia do “pão e vinho” nos evangelhos.

É tão raro ver uma iniciativa boa sendo feita gratuitamente (porque não há nenhum crédito, no saquinho, à empresa que promove essa ideia) e durando tanto tempo (oito anos!), que achei que valia a pena dar destaque a ela. Muitas vezes, preocupados demais com o conteúdo, jogamos fora a embalagem sem dar nenhuma atenção ao que ela diz. Deve ter acontecido isso comigo várias vezes, para eu só ter notado o projeto hoje (mas tenho a desculpa de comer pouco pão e de ter morado cinco anos fora de Beagá, né? 😉 ).

Se você também é dos que mal reparam na embalagem bege (ou invisível?) que protege seu pão, trate de olhar para ela com mais atenção — e carinho — da próxima vez. Vai descobrir uma iniciativa simples, que, garanto, vai alegrar seu café da manhã — como alegra todos os dias o cafezinho daquele trabalhador de Pará de Minas.

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2 comentários sobre “Quando a embalagem engrandece o conteúdo

  1. Adoro esses saquinho de pão de BH. Pena que em Betim ainda preferem a sacolinha de plástico: nada sustentável e totalmente sem poesia.

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