Desabafo de um ex-zoador de gordinhos

Quadro do colombiano Fernando Botero (1932-), famoso por pintar e esculpir figuras rotundas como este simpático "fumador"

Quadro do colombiano Fernando Botero (1932-), famoso por pintar e esculpir figuras rotundas como este simpático “fumador”

O texto do Gabriel Nadal, que publiquei ontem aqui no blog, me fez pensar um bocado. Não me canso de me espantar com a existência de pessoas que se satisfazem em serem cruéis com outras. Em tratarem outras pessoas como se fossem piores – apenas por serem diferentes, aí incluindo os mais gordos, ou os homossexuais, ou os que têm menos condições financeiras, que têm alguma deficiência física etc. Qualquer coisa que se enquadre no conceito de “minoria” (e, dependendo da situação, o simples fato de ser mulher também é ser uma minoria) leva a pessoa a ser tratada pior.

O que me deixou muito feliz foi ver que outros leitores leram e também refletiram bastante sobre as palavras contundentes de Gabriel. Um deles, o Pacífico Guerra, até enviou um relato pessoal para a publicação no blog. Segue o texto abaixo, que acho que complementa muito bem o que foi publicado ontem:

“O falecido psicanalista Eduardo Mascarenhas chegou a dizer que as maiores vítimas do preconceito humano são os gordos.

Só tenho um irmão, seis anos mais jovem do que eu. Ele foi gordo, durante grande parte de sua vida. E eu era um dos que o zoavam por causa da sua gordura. Ele não se importava com as gozações.

Um dia, fiquei espantado, quando ele me revelou que chegou a procurar um profissional da psique, para achar uma resposta: “Por que sou gordo?”. É, ele fingia que não se importava com as gozações…

Uma vez, dentro de nossa casa, ele falou que iria passear e pegar umas meninas, e meu tio materno disse: “Onde já se viu gordo conseguir meninas?”. Ele, aparentando não ter se importado com a tirada infeliz do nosso tio, disse: “Elas me acham fofinho”.

Muitas e muitas pessoas me falavam que eu era um cara muito complexado. Eu negava. Mas, depois de já com uma idade avançada, digo que sou um poço de complexo. E ainda acho que tive muita sorte, pois acredito que seu eu fosse gordo, negro, gay, baixinho, careca, deficiente físico, eu não aguentaria, me meteria em muitas confusões, não chegaria na idade em que cheguei.

O pior é a falta de sensibilidade, de discernimento de alguns, assim como eu próprio, para achar que pessoas como as gordas nem se incomodam com suas condições e com os frequentes deboches. Custei a cair na real…”

Já está mesmo na hora de todo mundo cair na real, né? 😉

Leia também:

Anúncios

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s