A cadeirante que ficou de pé

Ao escrever o post de ontem, eu disse que acredito na versão do garoto de 15 anos e de seu pai. Isso tem razão de ser: não tenho nenhum motivo para duvidar da vítima e tenho vários motivos para questionar a atuação da PM mineira, como bem mostram os posts linkados ao pé daquele. Entre uma versão e outra, fico com a primeira, no meu livre exercício de pensar e formar meu juízo de valor.

No entanto, também fiz questão de escrever que caberá à Corregedoria da PM investigar os fatos e confirmar ou refutar a tese de que o policial militar que atirou no garoto o fez desnecessariamente.

E por que tomei o cuidado de dizer isso? Simples: porque eu não estava lá. Não vi, não há vídeos, há apenas relatos conflitantes. E as histórias podem ser as mais absurdas ou inusitadas, de vez em quando. Cabe aos jornalistas tomarem esse tipo de cuidado de apurar muito bem uma informação antes de construir uma reportagem, para não correr o risco de imputar a alguém uma responsabilidade que não é daquela pessoa. Já abordei isso AQUI.

E aí eu lembro daquela foto da cadeirante em pé, que circulou violentamente pelas redes sociais nos últimos dias, sempre acompanhada de exclamações sobre como aquela loira é sem-vergonha por se aproveitar das vagas das pessoas com deficiência para ir a uma Copa do Mundo sem ser, na verdade, cadeirante. Afinal, ela está lá de pé, esfregando na nossa cara como é espertalhona e antiética, certo?

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Todo mundo que compartilhou estava genuinamente indignado. Mas não passou pela cabeça de ninguém um fato: alguns cadeirantes conseguem, sim, ficar de pé. Pode ser com o auxílio de uma prótese, como a moça da foto, escorando na grade, ou por algumas frações de segundos ou alguns minutos. E muitos cadeirantes não só conseguem como precisam tentar ficar em pé de vez em quando, para aliviar a dor provocada por ficar sentados por tanto tempo.

Eu também não sabia de nada disso, mas aprendi lendo um post sensacional, que recomendo a todos, publicado por Dani Nobile. CLIQUE AQUI para ler também e aprender que, realmente, mesmo quando há fotos ou vídeos que parecem provas irrefutáveis, as coisas podem ser bem diferentes do que pareciam à primeira vista.

Leia também:

Nem tudo é o que parece

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2 comentários sobre “A cadeirante que ficou de pé

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