Nem tudo é o que parece

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Todo mundo se lembra da professora que fotografou um homem com roupa casual, no aeroporto, e postou no Facebook, cheia de veneno, dizendo que ele deveria estar na rodoviária? Depois descobriu-se que, afora toda a discriminação e babaquice do comentário original e dos que responderam a ele, o homem era um advogado, possivelmente até mais bem-sucedido que a professora. (Relembre o caso AQUI).

Pincei um exemplo, dentre muitos, de como julgamos mal à primeira vista. E uma das coisas que diferencia um repórter profissional de uma pessoa que sai postando fotos e vídeos nas redes sociais, é que o repórter busca o contexto para além do julgamento inicial (ou deveria, claro). O bom repórter deveria ir além do pré-conceito ou da hipótese e investigar se aquilo é o que pareceu à primeira vista — ou se foi forjado, adulterado, inventado, corrompido ou mal interpretado de alguma forma, devido a algum interesse etc. Daí a importância de se ouvir o “outro lado” não só de forma burocrática, mas com o espírito aberto para derrubar uma pauta (a tese), se for o caso.

Lembrei disso ao ver circular na internet a foto de um idoso, de pé, no metrô, com a cara meio fechada, enquanto um casal se senta ao lado dele, tranquilo, olhando pro outro lado. Na legenda, o autor da foto fala da falta de respeito dos jovens, que nem cederam lugar ao idoso e, ainda por cima, estavam no assento preferencial. Etc.

Primeira coisa que me passou pela cabeça ao ver a foto: realmente, tem muita gente mal-educada no mundo. As pessoas não cedem o lugar a quem tem prioridade, que absurdo.

Segunda coisa que me passou pela cabeça (de jornalista): será que foi isso mesmo? Será que o outro passageiro, o que fotografou, não viu a cena um pouco tardiamente, jogou na internet e está criando uma situação de julgamento injusto sobre o que se passou? Afinal, pela foto, o metrô estava bem vazio.

E comecei a divagar: e se aquele casal não ofereceu o lugar ao “velhinho” e este recusou, como já me aconteceu tantas vezes? A recusa pode ter acontecido por vários motivos:

a) Orgulho

b) Ele ia descer na próxima estação

c) Ele trabalha o dia inteiro sentado e queria esticar as pernas

d) Ele simplesmente não estava com vontade de se sentar e não viu problema em manter o casal sentado junto.

e) Vários outros motivos.

O que eu quero dizer com isso é: nem tudo é o que parece à primeira vista. Temos que ter sempre esse cuidado, ainda mais em tempos de smartphones com câmeras rápidas e internet à mão para postar qualquer coisa a qualquer momento. E entra na web a foto de alguém que vira alvo de críticas, deboche, chacota, xingamento — julgamentos –, com o rosto exposto a milhares de pessoas, muitas vezes de forma injustiçada. Depois, como reparar o estrago?

O advogado que estava de blusa regata no aeroporto vai processar a professora que postou uma foto “inocente” ironizando a imagem dele. Provavelmente vai ganhar. E os outros? E a senhorinha que foi compartilhada no meu Facebook ontem só porque estava com a blusa estampada com a cara de um tigre e, por causa das gordurinhas, falaram que o tigre é 3D? E esse casal, será que merece a exposição que ganhou?

Por fim, segue a terceira coisa que passou pela minha cabeça ao ver a foto ontem:

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2 comentários sobre “Nem tudo é o que parece

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