Um pequeno anjo chamado Alex

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Alex e sua mãe / Reprodução

A história é de arrepiar os cabelinhos da nuca da primeira à última linha. Fazia tempo que eu não lia tanta tristeza, ignorância e brutalidade juntas. Um resumo:

Alex não ia à escola e a mãe, ameaçada de perder a tutela, o enviou aos cuidados do pai, traficante condenado, no Rio. Em nove meses, só procurou falar com o filho duas vezes. Enquanto isso, achando o garotinho “afeminado”, o pai dava surras (“corretivos”) para ele “virar homem”. Motivo das surras: Alex gostava de lavar vasilhas etc. Mesmo com esse “monstro” (apelido da vizinhança) em casa, numa favela dominada por três facções do tráfico em plena guerra, Alex conseguia ir bem na escola, tirando notas entre 88 e 100. Era doce, cheio de amigos e não reagia quando apanhava. Na última surra (“porque não queria cortar os cabelos”), o pai de Alex perfurou seu fígado de tanto bater, num espancamento que durou duas horas. E Alex, aos 8 anos de idade, não resistiu mais.

A história foi contada em detalhes pela repórter Maria Elisa Alves no jornal “O Globo” de ontem. Apesar de ser triste e nos fazer desabar de chorar, é uma história que precisa ser lida com atenção, compartilhada, divulgada aos quatro ventos. Você pode começar a fazer isso, clicando AQUI.

Não deixa de ser, no fundo e na superfície, mais um caso de homofobia — além da violência doméstica já corriqueira. Medo tão grande de ter um filho gay que “justifica”, na cabeça do sujeito, atos de crueldade como este, para “corrigi-lo”. Quantos não devem fazer o mesmo por aí? Quantos não reagem com safanões quando o filho, que nasceu gay, pede uma boneca de presente, ou experimenta o salto da irmã mais velha? Talvez poucos extrapolem para um espancamento que dura duas horas e que perfura o fígado da vítima, mas trata-se só de diferentes graus ou escalas de um mesmo crime.

Querido Alex: sua história me deixou tão triste que não tive nem cabeça para te fazer um poema-homenagem. Espero que descanse em paz, longe da guerra do tráfico, de parentes relapsos ou cruéis e de uma sociedade ainda tão desumana. E que seus vários irmãos tenham um destino mais digno.

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