Não me canso de me espantar com o despreparo e a covardia da nossa Polícia Militar.
O caso mais recente, ocorrido no último domingo e divulgado por meio de redes sociais ontem e na imprensa hoje, se passou aqui em Belo Horizonte.
A foto acima mostra o momento em que uma senhora com blusa preta, loira, está sentada na calçada após receber um golpe de algema que a deixou toda ensanguentada. Mais tarde, ela levou oito pontos pelo ferimento provocado por um policial.

A cena também mostra a garota de blusa branca sendo pressionada por um policial contra seu carro, no momento em que seria algemada.
O grave crime cometido pelas duas? Entrar com o carro por um local em que não se pode circular, na estação José Cândido, em Belo Horizonte, porque, segundo elas, não havia sinalização.
Para combater essas “graves criminosas”, os policiais que as abordaram chamaram ainda outras oito viaturas e três motos. Aparato que pode ser visto no vídeo abaixo, feito por transeuntes que estavam por perto:
A jovem de camisa branca, Caroline Salomão, descreveu a covardia que vivenciou em sua página de Facebook. Reproduzo abaixo:
“Este vídeo se passa depois que fomos agredidas. Apenas algumas palavras para descrever o sofrimento de duas mulheres, vítimas de uma violência que está tão perto de nós: insensatez, desrespeito, abuso de poder, agressão física e moral, humilhação. Pior de tudo é que a pessoa que fez isso está aí para nos “proteger”. Será mesmo??? Apenas um sentimento restou: revolta…Mas também a vontade de se fazer JUSTIÇA.
O FATO
No dia 17 de março,fui levar minha irmã juntamente com minha mãe na estação José Cândido. Graças à FALTA DE SINALIZAÇÃO, adentrei em um lugar não permitido para veículos. No momento fui abordada rispidamente pelo policial militar Cb Divino Nascimento. Ele mandou que eu estacionasse o veículo e saísse do mesmo. Obedeci e este mandou que eu lhe entregasse os documentos. Entreguei minha CNH e tentei lhe falar que meu documento do veículo havia sido roubado em janeiro, se eu podia eu lhe passar o número do B.O. ou até mesmo pedir para alguém da minha família trazê-lo. Ele simplesmente continuou me ignorando, andando em volta do carro, mesmo quando eu pedia pra ele me explicar por favor o que estava acontecendo e como ele iria proceder, se ele iria rebocar meu carro, já que precisaria pedir que alguém nos buscasse. De súbito, ele entrou dentro do carro e retirou as chaves do veículo. Neste momento eu disse: “Moço, você não pode fazer isso não, me dá minha chave do carro.” Ele entendeu isso como “resistência”, me deu UM CHUTE e me jogou em cima do capô TORCENDO MEU BRAÇO PARA TRÁS QUASE QUEBRANDO e me algemando. Minha mãe quando viu a cena, correu em desespero e tentou ficar entre mim e ele, na tentativa de me proteger da brutalidade que continuava, então o Cabo Nascimento a agrediu no rosto com um objeto preto (arma ou rádio). Ela foi para o hospital e LEVOU 8 PONTOS na testa. O vídeo que segue mostra momentos seguintes à agressão, enquanto eu estava algemada, meus pertences, celular e documentos pelo chão e não permitiam pedir ajuda para ninguém nem SOCORRER minha mãe que sangrava na calçada. Ficamos 15 horas na delegacia sendo tratadas como marginais, sem dormir, sem alimento, sem agasalho, com dores, inchaços e hematomas. Somente às 14h do dia seguinte, este pesadelo acabou.
Peço encarecidamente que aqueles que filmaram ou fotografaram o episódio entre em contato através do e-mail AGRESSAO.EST.JOSE.CANDIDO@GMAIL.COM”
Esse relato é totalmente inaceitável. Mas o Jornal da Alterosa procurou o Comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, para ouvir uma justificativa ou explicação, e ele disparatou apenas o seguinte: que os policiais em questão tiveram que chamar outras viaturas para “socorrê-los”, porque as duas mulheres lhes davam tapas e puxões. Socorrê-los, armados e com algemas, de apenas duas mulheres?! A única explicação que ele deu para a abordagem, que não explica de nenhum modo as lesões sofridas pelas mulheres, foi que o carro estava com documento irregular. Ele também disse que uma sindicância vai apurar os fatos. (A reportagem ainda não entrou no ar, mas logo deve poder ser vista AQUI).
O que se espera, caro Comandante, é que esses senhores que se acham no direito, apenas por estarem fardados, de atacar, covardemente, duas pessoas que não fizeram nada além de uma infração de trânsito menor sejam afastados de uma função que nunca deveriam ter exercido.
(E sorte nossa que temos tantos celulares com câmeras hoje em dia, para realmente nos proteger!)






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