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A questão do aborto

Desenho do gênio Laerte, na "Folha" de hoje. E isso é só o que vou falar sobre essa Comissão de Direitos Humanos aqui no blog, porque o pastor Feliciano (quem mesmo?) está gostando demais dos holofotes que vem recebendo nos últimos dias.
Desenho do gênio Laerte, na “Folha” de hoje. E isso é só o que vou falar sobre essa Comissão de Direitos Humanos aqui no blog, porque o pastor Feliciano (quem mesmo?) está gostando demais dos holofotes que vem recebendo nos últimos dias.

Se até o chefe de uma das igrejas mais retrógradas do mundo defende o aborto pela questão de saúde pública (além de ter outras posições “progressistas”, no meio religioso, como a defesa dos métodos contraceptivos e de proteção a DSTs, como a camisinha), talvez a Igreja Católica devesse começar a pensar em rever seus conceitos, finalmente.

Aproveitando o fato de o Conselho Federal de Medicina ter vindo a público defender o aborto até a 12ª semana de gestação, resolvi trazer o tema aqui para o blog, muito bem abordado por um dos editoriais do meu pai. Um trecho:

“E a Igreja Católica que condena o aborto – e nega à mulher o direito ao sacerdócio – demorou muito a apoiar a luta contra a escravidão de negros no Brasil. E se omitiu quando os nativos da América Central e das Antilhas foram massacrados, na maioria, pelos recém-chegados espanhóis. Em todas essas ocasiões, ela se amparava em questões morais que depois, com o avanço da civilização, tiveram que ser revistas. Chegou a hora de fazer o mesmo em relação ao aborto.”

O editorial pode ser lido na íntegra AQUI.

Não se defende o aborto em todas as situações. E é claro que o mundo ideal é aquele em que todas as mulheres têm condições de cuidar de seus bebês, que toda a vida seja preservada. Nada é mais lindo que ver um bebezinho saudável, numa família feliz. Mas o fato é que muitos bebês surgem de estupros, da miséria, da ignorância, do abuso e da porrada — não da felicidade e do amor dos nossos sonhos de classe média. E outro fato é que 1 milhão de mulheres abortam (ou tentam abortar) a cada ano, só no Brasil. E, para fazerem isso, apelam para as piores práticas do mundo (já ouvi até sobre tesouras sendo enfiadas no útero; daí para pior). Não sei o percentual das que morrem, mas suponho que seja alto.

Então essa discussão vale como um outro ponto de vista do que é “defesa da vida”.

Deixo aí para nossa reflexão e os comentários de vocês — com o respeito para as divergências 😉

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

4 comentários em “A questão do aborto Deixe um comentário

  1. Olha, fiz minha tese de conclusão de curso sobre o assunto. Realmente, não faz sentido algum obrigar uma mulher a continuar com uma gravidez que ela não quer. E lá no fundo, acho que é resquício machista. Afinal, nunca se aprovou leis restritivas de direito ao próprio corpo que afetasse aos homens (obrigação de doação de medula óssea ou sangue, obrigação de doação de órgãos post mortem) Enfim…

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    • Acho que o machismo explica uma parte da questão, mas não toda. A discussão sobre onde começa a vida e os fundamentos religiosos também são parte importante do argumento de quem é contrário. Me corrijam se eu estiver falando besteira, mas acho que o espiritismo e outras religiões, além da católica, também pregam contra a morte de um feto, independente da questão da saúde pública ou do direito da mulher, porque defendem a existência de uma vida além desta em que vivemos etc.

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      • É que minha impressão sobre o argumento do onde começa a vida e os fundamentos religiosos são utilizados para defender a criminalização do aborto, mas são abandonados em casos extremamente semelhantes. Por exemplo, doação de órgãos. Porque não é obrigatória? (também estamos falando de uma morte, de alguém que está na fila de transplantes e não receberá nenhum órgão porque não há doadores. NEste caso, estamos falando de uma vida já vivida, não há discussão sobre o direito desta pessoa continuar vivendo!). Se o princípio fundamental que supera todos os outros é a vida, tanto a doação de órgãos post mortem, como a doação de sangue e medula em vida deveriam ser OBRIGATÓRIOS. E fica a pergunta, porque não são? Porque aí estará se dizendo que homens não terão direito ao seu próprio corpo de alguma forma. No aborto, só há ingerência no corpo da mulher, por isso ainda há discussão.

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