50 anos de reportagem

Ontem o Clóvis Rossi, um dos heróis do jornalismo brasileiro, completou 50 anos de profissão. Sempre na ativa, sempre na reportagem, participou de coberturas de diversos golpes, entrevistou diversos chefes de Estado, já recebeu até uma quentinha do Lula, depois de ser atendido pelo médico da presidência, ao fraturar as costelas em uma coletiva.

Suas lembranças são muitas e ele tem todo o direito de lamber a cria como faz no post que escreveu no site da “Folha”. Pode ser lido AQUI.

Certa vez, quando eu ainda era trainee da “Folha”, tivemos uma palestra com o Clóvis Rossi, que à época eu lia quase diariamente na nobre coluna da página A2 do jornal. Mais que uma palestra, uma conversa a 12. Me senti privilegiada.

A mesma simplicidade com que ele falou com aqueles trainees foi depois repetida quando ele falou em outra palestra, filmada e editada por mim, para toda a Redação, ou quando respondeu a dúvidas que eu levava para os leitores do blog “Novo em Folha“.

Foi com ele que cheguei à conclusão que os melhores jornalistas, os mais fodas mesmo, são geralmente os mais simples e humildes no trato com os outros, os mais abertos a dividir seus conhecimentos com os mais jovens. Assim como o Fred Vasconcelos, a Eliane Brum, o meu pai.

Sou suspeita pra falar do meu pai, que tem 40 anos de profissão. Foi com ele que aprendi e aprendo diariamente quase tudo o que sei da profissão (o “quase” deixo por conta das novas mídias, como a blogosfera, que tive que aprender na marra mesmo). Toda vez que recebo uma proposta de trabalho ou penso em dar uma guinada na minha vida profissional, é ele quem consulto primeiro. Na próxima semana, vou passar por mais uma dessas mudanças profissionais — e tive o aval do meu conselheiro para isso.

Fico me perguntando se chegarei aos 50 anos de jornalismo e de reportagem, como o Clóvis Rossi. Já me sentirei honrada e admirada se conseguir alcançar os 40 anos do jeito que meu pai alcançou, e mantendo a simplicidade dos dois, para ajudar a formar novos repórteres críticos no mundo.

Anúncios