Texto de José de Souza Castro:
Quando eu coordenava o jornalismo numa rádio de Belo Horizonte, só havia um assunto tabu – a crítica ao Sistema Financeiro Nacional em geral e aos bancos em particular. A crítica era proibida porque o dono da rádio era também dono de banco. Mais tarde, quando já havia sido desligado desse emprego, o banco teve que ser vendido para não ir à bancarrota, mas o proprietário continuou dono da rádio.
Esses longos oito anos de interdição a um assunto de grande interesse público me levaram, nos anos seguintes, a escrever muito sobre bancos, inclusive neste jovem blog. Volto a escrever, depois de ler neste domingo dois artigos.
O primeiro, de Clóvis Rossi, chamando atenção para a crise do sistema financeiro, exemplificada pelos prejuízos do banco norte-americano JPMorgan, provocados por investimentos de mais de 100 bilhões de dólares em produtos arriscados “que estiveram no centro da crise financeira de 2008”, conforme o “Financial Times”. O JP Morgan, concluiu Rossi, “ainda tem em suas entranhas os tais ativos tóxicos que foram a verdadeira causa da crise”.
O segundo, escrito pelo cientista político Stephan Bogdan Salej, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, também trata da crise bancária e acrescenta um dado preocupante ao caso do JPMorgan Chase, não propriamente em relação ao prejuízo, mas ao fato de que o banco usou tecnologias que estão fora do controle das autoridades monetárias. Escreveu:
“O problema não é só o comportamento irresponsável do presidente do banco, que além do mais faz parte do conselho de administração do Banco Central de Nova Iorque, mas a falta do controle do governo norte-americano sobre o sistema bancário. Ou, se quiserem, também do espanhol, onde o terceiro maior banco do país, dirigido por ex-ministro da economia, quebrou e foi nacionalizado. Os bancos usam sistemas tão sofisticados que beiram cada vez mais a uma loteria do que a um negócio que deveria trazer a segurança aos seus clientes e ao país.”
Salej acrescenta que os governos têm dificuldades para controlar o sistema financeiro, que valoriza o jogo e os ganhos e não uma relação financeira que produza resultados para todos. “É um perigo para o mundo muito maior do que a bomba atômica”, concluiu, referindo-se provavelmente ao fato de que depois daquelas primeiras bombas atômicas lançadas sobre o Japão, elas não mataram mais ninguém, enquanto as sequelas da crise do sistema financeiro ameaçam de morte milhões de pessoas mundo afora.
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