Morreu Luiza, cuja foto eu guardava na carteira para me lembrar sempre de quem quero ser

Andei por muitos anos com a foto de Luiza em minha carteira.

Velhinha, enrugadinha, maquiadíssima, cheia de bijuterias coloridas, roupas também coloridíssimas. Sorrisão.

Assim era ela na foto, bela tradução da figura real, que conheci quando eu tinha 14 anos e ela, 75.

Brigas de família que não vêm ao caso me fizeram morar em sua casa, com minha mãe, durante cerca de quatro meses. Continuar lendo

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Acabou a inspiração

Dizem que o cérebro das grávidas diminui durante a gravidez (mais uma coisa que aprendi, hahahaha!) e, embora isso não tenha sido ainda comprovado, posso usar como desculpa da vez para a volta do Garfield, que andava sumido do blog. Meu Trello (aquele organizador de ideias para o blog, lembram?) está até cheio, mas não me sinto muito inspirada para desenvolver nenhuma daquelas ideias em forma de textos sem muitos parêntesis malucos. Prefiro deixar o blog sem atualizações novas a deixá-lo com um texto muito fraco, entregue às pressas, empurrado à força, né? Também não dá pra escrever mais um post sobre a falta de inspiração, porque, entre os 1.412 posts deste blog, já existe um inteiramente dedicado ao assunto. A verdade é que, desde a última terça-feira, mais ou menos por volta das 10h, só consigo pensar em como é legal saber o sexo do bebê. Ele de repente ganhou nome, rosto e vai começar até a ganhar um quarto! Eu também tinha dito que não ia mais falar de gravidez por um tempo no blog, mas, fazer o quê?, meu cérebro está muito encolhido em torno deste assunto, com um espacinho ainda (mas bem pequeno, ultimamente) para o jornalismo, e quase nada mais cabe lá dentro, muito menos ideias novas ou textos inspiradores. [A propósito, é um menininho!]. Dito (ou escrito) tudo isso, me despeço dos leitores com meu amigo preguiçoso (eu mesma ando numa preguiiiiça danada), desejando que a inspiração volte logo e o blog não fique por muito tempo jogado às moscas (ou seria às traças?). Até breve! 😀

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De veterinária a retratista de cavalos

A artista Raquel Fernandes. Todas as fotos: Reprodução / Facebook. Clique para ver em tamanho real

Hoje vou contar a história de Raquel. É uma daquelas pessoas que a gente conhece na vida que, já bem estabelecidas em um caminho, decidem dar uma guinada, largar a estrada antiga na poeira e cursar outro trajeto completamente diferente. Ou seja, é uma pessoa inspiradora para todos aqueles que não estão lá muito satisfeitos em suas profissões escolhidas, mas tampouco criaram ainda coragem para arriscar o plano B.

O fato é que Raquel “sempre quis” ser veterinária.

Sabe aquele sonho de criança? “O que você vai ser quando crescer?”, costumavam perguntar os professores. E ela já tinha a profissão na ponta da língua. Não queria lidar com cães e gatinhos: sua paixão especial eram os cavalos. Ela aprendeu a conhecê-los e amá-los na fazenda do avô paterno, em Corinto (MG), onde ia passear quase todos os fins de semana. E uma de suas brincadeiras prediletas era, desde pequena, desenhar e pintar cavalos.

A vida foi seguindo o percurso previsto (e mais previsível). Ela fez faculdade de medicina veterinária, na UFMG, onde continuava pintando cavalos, mais por hobby e diversão, em camisetas que depois vendia. Formou-se em 2005 e, depois disso, passou nove anos entre sua casa e as fazendas onde clinicava. De um lado para o outro, eram 6.000 km de estradas rodadas por mês.

Desenhos que ela fazia a mão em camisetas, ainda na época da faculdade.

Desenhos que ela fazia à mão em camisetas, ainda na época da faculdade. Clique para ver em tamanho real

Cansada de tantas estradas, ela entrou naquela fase por que todo mundo passa pelo menos uma vez na vida. Sabe a crise dos 30? Será que essa profissão é mesmo aquela com que sempre sonhei? “Eu estava cansada do ritmo de trabalho, que me ocupava muito, daquele excesso de estrada”, contou-me Raquel. “Era um cansaço físico mesmo, da falta de reconhecimento da profissão e retorno financeiro que não condizia com as horas trabalhadas e riscos inerentes à profissão.”

Um dia, um amigo fez um convite que seria definidor: “Que tal colocar alguns de seus quadros (que ela sempre pintava por hobby) em meu estande na exposição nacional do Mangalarga Marchador?” Ela topou. Não só vendeu quase todos os quadros que tinha levado como começou a receber encomendas.

Era o ano de 2013 e aquela experiência foi a sacudida que Raquel precisava para largar a veterinária sem abandonar os amados cavalos.

Autodidata, Raquel Fernandes, hoje com 33 anos, foi se firmando em um mercado ainda restrito, chamando a atenção pela perfeição dos retratos, pelo cuidado com os detalhes que tornam cada animal único para seu dono. A paisagem ao redor dos cavalos e bois não é o principal: os quadrúpedes têm total foco dos pincéis de Raquel Fernandes, com todas as ruguinhas, dobrinhas e pelinhos mais minúsculos em seu devido lugar.

Detalhe de uma pintura em construção. Arte de Raquel Fernandes.

Detalhe de uma pintura em construção. Arte de Raquel Fernandes.

“O realismo está em mim, tenho esta facilidade e acho incrível também. É meu diferencial e, querendo ou não, são poucos artistas que fazem cavalos desta maneira, então tenho que aproveitar isso.”

O quadro e a foto de referência: qual é qual? Arte de Raquel Fernandes

O quadro e a foto de referência: qual é qual? Arte de Raquel Fernandes

Mesmo assim, de vez em quando ela explora outras possibilidades menos realistas. Gosta de experimentar materiais, do grafite, carvão e pastel às tintas a óleo, acrílica e aquarela. Entre suas principais influências, cita Salvador Dali (“tenho ele tatuado em mim!”), Picasso (“aquele cavalo todo monstruoso de Guernica mexia muito comigo!”), Franz Marc (“pelas cores e formas”) e Leonardo Da Vinci (“sou absolutamente apaixonada pelo estudo para a escultura do cavalo que nunca foi feita!”). Mas ela emenda: “As influências na arte são constantes, não vêm de um ou outro artista — o importante é estar aberto para tudo o que aparece, aprender a sentir, seja vendo uma pintura, ouvindo uma música, lendo um livro.”

Experimentações de Raquel Fernandes

Experimentações de Raquel Fernandes. Clique para ver em tamanho real.

Peço para ela me dizer qual de seus quadros é o favorito. Um mais realista ou algum mais solto? É categórica: “Não tem favorito… são como filhos!”

Mas acaba cedendo e aponta alguns dos que mais gostou de pintar:

Arte de Raquel Fernandes

Arte de Raquel Fernandes

Arte de Raquel Fernandes

Estanho de Alcatéia. Arte de Raquel Fernandes

Arte de Raquel Fernandes

Quadro “Piaffe”. Arte de Raquel Fernandes

Arte de Raquel Fernandes

Quadro “Sonho”. Arte de Raquel Fernandes

Quanto tempo leva para fazer um quadro desses? A resposta, como tudo na arte, é indefinida: de uma tarde a um mês. “O quadro ‘Sonho’ tem este nome por eu ter sonhado com ele… Em pouco tempo busquei uma referência na posição que queria, tracei a tela e pintei. Em uma tarde, o processo todo aconteceu.” É a danada da inspiração — nem sempre vinda em forma de sonho — que pode levar um quadro a demorar muito mais tempo para ficar pronto. Por isso, quando fecha uma encomenda, ela sempre pede um prazo mais esticado, de até 40 dias, para garantir tempo suficiente para um bom trabalho.

Trabalhando!

Trabalhando! Fotos: Reprodução / Facebook

Hoje, Raquel Fernandes recebe em média quatro encomendas por mês, principalmente para fazer retratos, que são sua especialidade. No Brasil inteiro, segundo ela, há no máximo seis retratistas que pintam cavalos com qualidade. Assim, embora o mercado não seja tão grande, a concorrência também não é o maior problema, e Raquel já consegue sobreviver só com a arte que faz desde aquela primeira feira em 2013, tendo desistido de vez da veterinária. “Quando decidi que colocaria a pintura como profissão, vi que se não me dedicasse não conseguiria alcançar resultados. E para exercer qualquer atividade na veterinária, acabaria tomando muito meu tempo e energia.”

O caminho mais tortuoso (e menos previsível) escolhido por ela se mostra bem-sucedido. A artista já produz quadros até para clientes de outros Estados, mesmo divulgando seu trabalho apenas nas redes sociais e no eficiente “boca a boca”. Cada trabalho custa de R$ 500 a mais de R$ 1.500, dependendo do tamanho do quadro.

“O meu diferencial é retratar bem o cavalo. É um animal difícil de colocar na tela, fácil ficar fora de proporção, ou estranho… Além de fazer bem um cavalo, eu faço ‘o’ cavalo daquela pessoa… As pessoas vêem meus quadros e sabem qual cavalo é aquele (nome, raça) sem eu falar nada. Isto é o mais difícil.”

Raquel Fernandes entregando o retrato deste Mangalarga Marchador, feito em lápis pastel

Raquel Fernandes entregando o retrato deste Mangalarga Marchador, feito em lápis pastel

A arte de Raquel Fernandes pode ser vista em sua página no Facebook e em seu blog. Se você quiser fazer uma encomenda (ela também pinta outros animais, viu?), pode procurá-la por email (artesraquelfernandes@gmail.com) ou telefone: (31) 8333-5505.

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Equação da gripe

Clima extremamente seco + excesso de incêndios na cidade (= fuligem) + excesso de obras ao redor (= poeira) + noites geladíssimas (uma semana depois de recordes de dias quentes) + ar condicionado exagerado à tarde + falta de agasalho + vírus em circulação = Cris muito gripada desde segunda-feira = cabeça doendo e sem inspiração, que só consegue pensar no nariz = blog desatualizado 😦

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Por isso, bom proveito com os mais de 1.200 posts do arquivo do blog, porque é só o que poderei oferecer nesta quarta 😀

Balanço vazio

Ando altamente desinspirada ultimamente.

Para não repetir ESTE post, nem ter que apelar para os arquivos de poemas velhos ou críticas empoeiradas, nem — pior — para o selinho do Garfield, deixo vocês aqui com a dica de entrarem no meu outro blog, o Novo em Folha, este sim cheio de posts já agendados para os próximos dias. A dica vale para os jornalistas que me lêem, mas também para qualquer um interessado em jornalismo, especialmente os estudantes. Tem muita coisa boa por ali e me dá bastante trabalho pra atualizar, sempre nas horas vagas, já em casa.

Quando esses dias de tela em branco passarem, prometo compensá-los com posts tão bons quanto os que meu pai nos deixa aqui de presente, de vez em quando. Ou tipo as crônicas e contos que já arrisquei escrever, como aquela do Washington. Ou aquelas divagações de quando meu cérebro está muito fértil, agitadíssimo, rendendo pequenas pensatas sobre a insônia ou o excesso de culpas no mundo.

Até este belo dia que nunca mais vem, peço desculpas pelo balanço vazio, representando o fantasma que ocupa minha alma — esta longe, avoada, fora de rumo e de prumo. Sem ideias.