Acabou a inspiração

Dizem que o cérebro das grávidas diminui durante a gravidez (mais uma coisa que aprendi, hahahaha!) e, embora isso não tenha sido ainda comprovado, posso usar como desculpa da vez para a volta do Garfield, que andava sumido do blog. Meu Trello (aquele organizador de ideias para o blog, lembram?) está até cheio, mas não me sinto muito inspirada para desenvolver nenhuma daquelas ideias em forma de textos sem muitos parêntesis malucos. Prefiro deixar o blog sem atualizações novas a deixá-lo com um texto muito fraco, entregue às pressas, empurrado à força, né? Também não dá pra escrever mais um post sobre a falta de inspiração, porque, entre os 1.412 posts deste blog, já existe um inteiramente dedicado ao assunto. A verdade é que, desde a última terça-feira, mais ou menos por volta das 10h, só consigo pensar em como é legal saber o sexo do bebê. Ele de repente ganhou nome, rosto e vai começar até a ganhar um quarto! Eu também tinha dito que não ia mais falar de gravidez por um tempo no blog, mas, fazer o quê?, meu cérebro está muito encolhido em torno deste assunto, com um espacinho ainda (mas bem pequeno, ultimamente) para o jornalismo, e quase nada mais cabe lá dentro, muito menos ideias novas ou textos inspiradores. [A propósito, é um menininho!]. Dito (ou escrito) tudo isso, me despeço dos leitores com meu amigo preguiçoso (eu mesma ando numa preguiiiiça danada), desejando que a inspiração volte logo e o blog não fique por muito tempo jogado às moscas (ou seria às traças?). Até breve! 😀

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As formigas preguiçosas

Em uma mesma semana, vi uma tirinha e li um texto maravilhosos sobre as formigas.

Deve ser um sinal: coloque aí no seu blog, para as pessoas refletirem sobre essa vida de formiguinhas-que-só-trabalham que levamos (disse-me a cigarra, na falta de um grilo falante).

Então fiquem com esta. Uma dessas pequenas petulâncias contra as fábulas que engolimos desde crianças, ao melhor estilo das defesas de Domenico de Masi e seu ócio criativo.

Primeiro, a tirinha:

Agora, a ótima crônica do ótimo Antonio Prata:

“Primeiro aparece bem pequeno no canto dos jornais, como piada, mas rapidamente vêm as supostas comprovações e em poucos dias a notícia toma as manchetes: “Formigas são forma de vida inteligente, afirmam cientistas húngaros”.

De início você não acredita, mas também não acreditou quando alguém te ligou certa manhã, 11 anos atrás, avisando que os árabes estavam atacando os Estados Unidos, “Os árabes não existem!”, você disse, irritado e com sono, até que ligou a televisão e lá estavam as Torres Gêmeas desabando.

Superado o reflexo de ceticismo, portanto, você aceita, como acaba aceitando tudo na vida, um pé na bunda, a morte, a guerra: as formigas são uma forma de vida inteligente. Possuem linguagem, escrita, filosofia, ciência, arte. Nunca haviam dado bandeira porque não estavam afim de papo, mas um grupo dissidente de saúvas africanas marchou até a Hungria, invadiu o laboratório de um proeminente entomólogo e, sobre a bancada, alinhando seus próprios corpos, a primeira mensagem interespécies foi escrita: “Egyszeru!”, que significa “calma”, em húngaro. É dessa maneira que, daí pra frente, elas passam a se comunicar conosco.

O segundo grande choque, depois da descoberta da inteligência, é que as formigas não são os seres esforçados e trabalhadores do nosso senso comum, mas animais extremamente preguiçosos. Poderiam construir colmeias e produzir mel, se quisessem, poderiam fazer telescópios, hidroelétricas, colisores de hádrons, mas preferem esperar algum bicho cair duro ou alguma migalha ser derrubada da mesa e levar o botim para suas modestas moradas, onde se fartam de comer e beber e depois, empanturradas, cantam e dançam antigos sucessos de seu cancioneiro. (…)”

(Acabe de ler tudo AQUI… Vale a pena ;))

Por que as crianças adoram correr

Ontem, na minha folga, fui para um parque de São Paulo (esta cidade ultimamente surpreendentemente ensolarada e de céu azul) e deitei no gramado para ler o jornal.

Fui interrompida por uns gritinhos de alegria pura, coisa difícil de se ouvir corriqueiramente. Levantei os olhos e vi uma menininha, lá pelos seus 2 anos, correndo de um lado para o outro do gramado, sozinha, observada à distância pela mãe ou babá.

Foi só nesse momento, 27 anos e 3 meses de vida depois, que me dei conta de uma revelação: criança adora correr!

Crianças correm assim que conseguem parar em pé com algum equilíbrio. E, mesmo sem equilíbrio, ameaçando cair a qualquer instante, se sentem no melhor dos mundos quando têm espaço para andar velozmente, gritando e dando risadas com qualquer coisinha, olhando para os outros como que a dizer: “Viram só? Eu consigo correr!”

Elas correm por correr. Pela alegria de serem capazes de correr.

Fico me perguntando em que ponto da vida decidimos que o melhor é andar, ou, pior, ficarmos parados, de pé, ou ainda pior, sentados o dia inteiro, de frente pro computador, digitando sobre, por exemplo, como as crianças gostam de correr.

Crescemos e nos acostumamos à preguiça e ao comodismo e perdemos algo que é absolutamente natural e intrínseco a nós, como o gosto por correr.

E não é só isso. As crianças são aventureiras natas. Elas sabem o que é passar por mudanças radicais e evoluir em pouquíssimo tempo. Sabem o que é aprender a falar, a morder, a mastigar, a engatinhar, a ficar de pé, a andar, a correr, a andar de bicicleta de rodinhas, a andar de bicicleta sem rodinhas, a ler, a escrever… Tudo é um processo rapidíssimo e tinha tudo pra ser assustador, mas elas não têm medo, não choram, não temem: elas querem mudar, porque mudar é o natural.

Está em nosso DNA a capacidade e, diria, necessidade, de buscar caminhos novos, mesmo que cada vez mais difíceis. O comodismo e a preguiça são, por outro lado, posturas antievolucionistas e antinaturais. E, no entanto, quanto mais crescemos, mais as adotamos.

Convido vocês a traçarem um plano e MUDAREM algo de fundamental em suas vidas NESTA SEMANA. Não precisam esperar até o Reveillon para fazerem todas aquelas promessas que nunca terão coragem de cumprir. Nem esperar pelo sorteio da Mega-Sena, porque, aí sim!, com dinheiro tudo pode mudar. As mudanças estão em nossas cabeças — que são as que traçam os planos — e não no nosso bolso.

Daqui a alguns meses, vou recapitular o que foi que mudei na minha vida e ouvir de vocês o que fizeram de novo também — e o quanto foram capazes de correr e sorrir para chegar lá 😀

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(A vantagem de dias cinzas (como os de hoje e ontem) é que nos incentivam a ficar debaixo das cobertas (lendo um livro que há muito queríamos, revendo filmes que marcaram nossa infância (como a linda fábula “Edward Mãos de Tesoura”), fazendo nada além de pensar na vida e descansar). Sem aquela obrigação social de sair à noite com os amigos (beber, ouvir música e comer porcaria). Só eu, meu suco de tangerina, meu livro, minhas persianas meio abaixadas (e essa luz acinzentada mal passando da janela). Se eu tivesse vergonha na cara de ter ensaiado enquanto ainda fazia aulas, hoje já saberia tocar gaita e seria um daqueles momentos perfeitos para desafinar o instrumento, sossegadamente, deitada na cama, homenageando o sábado de nuvem. Como não tive (e nem teria o talento também necessário), contento-me com a gaita tocada pelos outros (e com estes imensos parêntesis).)

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