Uma coleção de NOTÍCIAS BOAS para nos animarem em tempos de desesperança

Foto: Pixabay

 

Ontem escrevi que não aguento mais ler o noticiário, seja em qual fonte for, e só encontrar notícias péssimas. Escrevi sobre minha desesperança, nesta sociedade que está se tornando meio “Relatos Selvagens” e meio “Black Mirror” (como bem definiu o filósofo Douglas Garcia, nosso leitor!), e pedi que os leitores me ajudassem a encontrar notícias boas espalhadas por aí.

Não foi tarefa fácil: chegaram apenas seis links!

Compartilho todos eles: Continuar lendo

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Os 33 sobreviventes e seus 3 elementos vitais

Para ver no cinema: OS 33 (The 33)
Nota 9

33

Todo mundo que acompanhou a história pelo noticiário em 2010 sabe como ela começou e como vai terminar. Não se trata, portanto, de um filme que guarde segredos sobre seu final feliz. Não há spoiler no resgate dos 33 mineiros que foram salvos no Chile, após 69 incríveis dias soterrados, a 700 metros abaixo da terra, num calor de 38 graus, com ar rarefeito, como se estivessem presos em um túmulo.

O filme conta a história de como eles sobreviveram por tanto tempo. Percebemos que, mais difícil que lidar com a fome ou a sede é manter a lucidez, que insiste em esvair por causa do medo e da desesperança. O filme é sobre como 33 homens conseguiram superar a desconfiança, a insegurança, o medo de morrer, a loucura, a ganância, a competição. Unidos.

E também é sobre a importância que a pressão das famílias, da imprensa e da sociedade em geral teve para que o resgate efetivamente acontecesse, inclusive reunindo apoio tecnológico e braçal de outros países, como EUA, Canadá e Brasil. Se dependesse da mineradora que provocou diretamente o acidente, os homens iam ficar por ali mesmo, até morrerem e serem esquecidos.

A interpretação de atores consagrados — como Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche e Cote de Pablo — foi essencial para a construção de um enredo que se passa, sempre, no mesmo cenário de confinamento e lida principalmente com dramas humanos, personalidades, pequenos momentos de desespero. Chegamos ao fim do filme conhecendo bem a maioria dos 33 homens: Mario Sepúlveda, Don Lucho, O Pastor, Darío, o Boliviano, Álex e Yonni, dentre outros.

Enfim, é uma baita história, do noticiário recente, que foi transformada em um baita filme dirigido pela mexicana Patricia Riggen. Que nos ensina quais são os três elementos que podem salvar vidas, mesmo nas situações mais inconcebíveis de privação: a solidariedade, a esperança e o bom humor. Que sirva de lição para nossas vidas — cheias de ar, espaço, alimento e liberdade. “Gracias a la vida!”

Veja o trailer do filme:

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Por que precisamos da segunda-feira

segunda-feira

Quem trabalha no Sine conta que o dia em que as filas de desempregados mais lotam é na segunda-feira. Na terça, o número já cai um pouco. Na quarta, cai bem mais. Quinta esvazia e sexta não aparece quase ninguém.

Por quê será?

Uma explicação é que os desempregados começam a semana animadíssimos, esperançosos, confiantes e, ao mesmo tempo, disciplinados, querendo fazer algo de útil da vida, corrigir os descaminhos e começar de novo. Vão para o Sine à cata de um bom emprego. À medida que a semana passa, e a sonhada vaga não aparece, os ânimos vão arrefecendo, o espírito vai murchando, até que, na sexta-feira, é melhor ficar em casa dormindo até mais tarde e tomar uma cerveja depois do almoço.

E atire a primeira pedra quem funcionar diferente. Segunda (ou desde domingo à noite) a gente diz que vai começar aquele regime especial, que vai nadar todas as manhãs, que vai correr todos os dias, terminar aquele frila, acordar mais cedo pra aproveitar o dia. Segunda de manhã ainda conseguimos pôr o despertador antes da hora, fazer a feira da semana (é um dos dias mais cheios dos supermercados também), lavar o carro, cozinhar um feijão novinho e cumprir as tarefas com mais afinco. Aí vão passando os dias e logo vamos saindo da linha de novo, até o esbaldamento do churrasco do sabadão.

Fico imaginando como seriam nossos dias sem essas sagradas divisões do calendário, que nos incutem esperança e força-de-vontade para tentar uma renovação na rotina. Quem inventou o calendário moderno, com direito a promessas esperançosas no Réveillon e em todas as segundas-feiras, deveria ter um espaço diário nas orações dos religiosos. Nosso cérebro daria tilt sem esses ciclos de arejamento. Se já dá calafrios imaginar uma vida eterna após esta terrena, imagina como seria se esta também não fosse agraciada com a lógica finita e cíclica do tempo.

Aqui começamos mais uma semana, com mais esta maravilhosa segunda-feira, e lá vou eu comer minha saladinha e correr, pra aguentar o corpo pra sexta (passando por quarta!)! Bom início de semana a todos e que os desempregados consigam a vaga dos sonhos (desta vez vai, boto fé!).