‘Governo’ Temer põe fim ao sonho da casa própria

Acho que deveria ter sido manchete de todos os jornais, mas, salvo minha alienação atual, arrisco dizer que esta notícia passou batido em muitos lugares.

Não fosse pela agência de notícias Reuters, era possível que os brasileiros nem tomassem conhecimento de que o sonho da casa própria foi enterrado pela política de saque das contas inativas do FGTS, promovida pelo governo Temer.

Diz a Reuters:

“A Caixa Econômica Federal informou que suspendeu novas contratações de crédito imobiliário com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), a linha Pró-Cotista.

“Os recursos disponíveis da modalidade atualmente são suficientes apenas para atender as propostas de financiamento já recebidas pelo banco”, afirmou o banco em nota.

A Pró-Cotista financia a compra de imóveis de até R$ 950 mil nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e de até R$ 800 mil nos outros Estados. É a linha de empréstimo habitacional mais barata depois do Minha Casa, Minha Vida.”

A notícia prossegue dizendo que a falta de recursos não tem relação com o resgate de contas inativas do FGTS, mas faz a seguinte conta: até julho, R$ 40 bi serão sacados do FGTS, enquanto apenas R$ 3 bi serão recebidos para complementar o fosso.

Enquanto isso, os gerentes da Caixa incentivam os clientes a fazerem empréstimos em outras linhas de crédito — mais caras.

CLIQUE AQUI para ler a notícia completa.

Vamos ver quanto tempo durará esta “suspensão”… E boa sorte ao setor da construção civil!

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Dois dias de paz sonora (e o respeito à Lei do Silêncio)

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Não sei se é coincidência, sorte, ou outra razão meio mística, mas hoje acordei pelo segundo dia seguido sem nenhum barulho de construção enlouquecedor. Não só não acordei às 7h30 xingando a obra ao lado do meu prédio, como dormi até as 10h, em ponto, acordando cheia de vida e bom humor. A rádio estava ligada e eu conseguia, efetivamente, ESCUTAR as músicas que estavam sendo tocadas e cantadas! E os passarinhos! Dava até para conversar sem ter que elevar a voz. E ouvir meus pensamentos, raciocinar! Ufa.

O fato é que, como eu já contei aqui no blog, eu procurei a Prefeitura de Belo Horizonte, pelo telefone 156, para que a Lei do Silêncio fosse cumprida. Desta vez, a administração municipal não decepcionou: dentro do prazo de 10 dias úteis estipulado, o fiscal da prefeitura veio até minha casa, munido de um decibelímetro, e constatou a infração. Fez uma autuação e depois foi até a obra, onde entregou o papel, e fez outras fiscalizações, de toda ordem. Não sei se a construtora terá de pagar multa, não sei se havia outras irregularidades envolvidas, se o alvará estava em dia — nem quero saber. Só sei que, há dois dias, posso dormir bem de novo.

(Claro que, se o problema voltar a acontecer, voltarei a buscar providências contra ele.)

Você também sofre com o barulho de uma obra? Procure saber se ela não está infringindo a Lei do Silêncio e, se estiver, denuncie também! CLIQUE AQUI para se informar melhor. Se tiver achado útil, compartilhe com seus amigos, para que mais pessoas corram atrás de seus direitos! 😉

Atualização em 22/9: A paz durou pouco. Hoje já fui acordada, pontualmente às 8h, com um barulho ainda maior do que o que eu vinha enfrentando até então =/

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A construção civil e a demência coletiva

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App com medidor de decibéis, posicionado na janela de casa, às 8h16 da manhã. Se alguém quiser baixar este app, chama-se Sound Meter e é gratuito.

Leio que, a cada dez decibéis perdidos de audição, os riscos de demência aumentam 27%. E que o excesso de ruído é uma das causas para a surdez — pior ainda por ser uma surdez irreversível, que só piora com o tempo. Ou seja, estamos caminhando para uma sociedade de dementes!

Falo por mim. Acordar todos os dias, às 7h30 em ponto, com o som de uma bate-estaca a 30 metros de distância (ou seria dentro do meu cérebro?), tendo ido dormir tarde da noite por causa do horário que chego do trabalho, não tem feito bem para minha saúde. Pra piorar, fico preocupada com o fator segurança: o prédio todo treme quando essa fundação trabalha ao lado, os vidros das janelas vibram, e a cratera que fizeram é gigantesca. Já acordo com medo de virar personagem de noticiário, aquelas que perderam tudo, ou pior. Fico irritadiça, impaciente e mal-humorada em todo o período em que fico em casa, que deveria ser meu momento de descanso. E sonolenta quando estou no trabalho.

Hoje, passados vários dias de tortura, inclusive em feriados, perdi a paciência. Liguei para a fiscalização da prefeitura. Antes, me certifiquei do que diz a lei do silêncio em Belo Horizonte. É a lei 9.505/2008, assinada pelo então prefeito Fernando Pimentel, e pode ser lida AQUI.

Ela é clara:

Diz, primeiro, que é proibida a emissão de ruídos que ultrapasse os níveis fixados na lei (art. 2). São eles: até 70 decibéis, de 7h às 19h (art 4), e ainda menos de 19h às 7h. Serviços de construção civil podem extrapolar esse limite de 70 decibéis, chegando até a 80 dB, exclusivamente no período de 10h às 17h (art 10). Quem descumprir essa lei está sujeito a multa e até interdição.

Sabem o que é 70 dB? O equivalente a um carro (um!) passando perto. Uma única furadeira já ultrapassa os 100 dB. Imagine uma fundação inteira! (Detalhe: os operários dessa obra, que cheira a totalmente irregular, não usam nenhum equipamento de proteção pessoal. Nem mesmo auricular! Quando os vejo da janela, estão tapando as mãos com os ouvidos, com cara de dor… Liguei para o sindicato Marreta, e me disseram apenas que não podem fazer nada a respeito.) CLIQUE AQUI para ver a tabela de decibéis.

Enfim, ciente do que diz a legislação do meu município, telefonei para o 156 da prefeitura. Digitei 9 e, depois, 3. Registrei um pedido de fiscalização. Reza a lenda que ela vai acontecer em até dez dias úteis e, se eu não estiver demente até lá, prometo retomar o assunto aqui no blog, contando o que foi feito pelos fiscais.

Você também sofre com o desrespeito da construção civil? Em um bairro residencial? Você também sente que está ficando demente, com tanto barulho ao seu redor? Procure saber qual é a legislação do seu município e faça sua parte, registrando a denúncia. Quem sabe assim as construtoras pensem minimamente no dano que estão causando ao redor de uma obra e administrem melhor o período do dia em que ela deve ser executada.

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