Jornalista Boris Casoy relembra início da carreira em entrevista para o livro ‘A Vaga É Sua’

Boris Casoy em seus primeiros anos como jornalista. Foto: arquivo pessoal
Boris Casoy em seus primeiros anos como jornalista. Foto: arquivo pessoal

Continuando com o resgate que me propus a fazer neste mês dos jornalistas, hoje trago a entrevista que eu e a Ana Estela de Sousa Pinto fizemos com o jornalista Boris Casoy para nosso livro A Vaga é Sua, publicado em 2010 pela Publifolha.

Entrevista com Boris Casoy para o livro A Vaga É Sua (2010)

Antes de trabalhar com jornalismo, você chegou a trabalhar por bastante tempo em assessorias de imprensa, certo? Como essa experiência te ajudou no trabalho posterior, na Redação?

Comecei minha vida profissional no rádio, cobrindo esportes. Jornalismo é jornalismo em qualquer veículo. Além da experiência de relatar e comentar os fatos ao microfone, o jornalismo radiofônico ensinou-me a concisão e o texto elaborado com períodos curtos. A assessoria de imprensa serviu como aprendizado pelo convívio com jornalistas mais experientes.

Quais as principais dificuldades nessa migração do trabalho de assessor para o de jornalista? Quais as principais diferenças e como se adaptou a elas?

Há uma enorme diversidade de tipos de assessoria de imprensa. A última que exerci foi a da secretário de Imprensa do prefeito de São Paulo José Carlos de Figueiredo Ferraz. Procurei desenvolver um trabalho em que a assessoria não foi um mero instrumento de propaganda, mas, sim, uma espécie de elo entre a Imprensa e a Prefeitura.

Formalmente, as redações das assessorias de imprensa são parecidas com a dos jornais etc. Mas carecem, evidentemente, de espírito crítico, indispensáveis para o exercício pleno do jornalismo.

Claro que a migração não foi tranquila. No entanto, eu já dispunha dos conhecimentos suficientes para trabalhar na redação de um jornal.

Acha que havia preconceito na redação, pelo fato de você vir de assessoria?

Provavelmente, havia, mas não senti. Acho que fui bem recebido.

Por que decidiu trabalhar como jornalista? Foi difícil encontrar emprego? Como foi o processo de seleção, naquela época? 

O jornalismo nos anos 1950 era muito diferente do de hoje. Eu pretendia trabalhar em rádio, na área de Esportes.

Uma emissora – hoje extinta – a Rádio Piratininga, anunciou um concurso para a escolha de um “plantão esportivo”. Lá fui eu. Com 16 anos, venci o concurso.

Por que você acha que foi contratado, por causa de quais qualidades, de qual diferencial?

Tinha ainda uma voz muito juvenil, porém falava bem, conhecia inglês e meus conhecimentos de português eram superiores aos dos meus concorrentes… Estamos falando de outros tempos… de um profissionalismo capenga… no rádio, na TV e nos jornais.

Depois você fez outro tipo de migração, mudando do impresso para a TV. Quais as principais diferenças entre uma plataforma e outra? Como fez para se adaptar às diferenças? Sentiu dificuldades em algum momento?

Jornalismo é jornalismo em qualquer veículo. Os princípios básicos são os mesmos… É óbvio que há peculiaridades às quais tive de me adaptar.

O conhecimento técnico adquiri rapidamente. Treinei durante praticamente dois meses a apresentação no vídeo. Eu redigia um telejornal fictício e gravávamos duas vezes por dia.

Na verdade, o aprendizado acabou se dando através da prática. Estou aprendendo até hoje.

Se fosse contratar alguém bem inexperiente hoje para trabalhar do seu lado, que qualidade essa pessoa deveria ter, fundamentalmente, em sua opinião?

Ser vocacionado, texto fluente, cultura geral, acompanhar o noticiário, conhecimento de inglês e algum conhecimento de economia.

***

Amanhã volto com a entrevista que fizemos com Eliane Brum 🙂

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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