Novo livro de Wellingon Barros expõe Brasil com fake news há mais de 100 anos

Capa do 25º livro do escritor mineiro Wellington Abranches de Oliveira Barros.
Capa do 25º livro do escritor mineiro Wellington Abranches de Oliveira Barros.

Há um ano publiquei aqui artigo sobre o vigésimo quarto livro do mineiro Wellington Abranches de Oliveira Barros, de 80 anos de idade, e agora recebo um outro livro dele. É um grande memorialista que não consegue parar de escrever e contar suas histórias. Em nota na página 5, ele explica:

“Minha última publicação seria a do ano passado, ‘Memórias de oitenta outubros’. No entanto, a fim de comemorar o ano de 2025, resolvi editar mais este – ‘Vigésimo Quinto’. Não foquei em nenhum tema especial. Trata-se de uma miscelânea de assuntos, sendo que alguns são temas de livros já publicados (agora resumidos). Algumas crônicas foram publicadas na Revista Avimig (Associação dos Avicultores de Minas Gerais)”.

Apesar disso, para mim, leitor habitual de Wellington – desde que o conheci na Secretaria de Agricultura mineira em 1975, onde ele era Chefe de Gabinete e eu assessor de imprensa –, o novo livro é inédito em muitos pontos.

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Por exemplo, quando ele escreve sobre fake news e revela que as notícias falsas que nos atormentam hoje não são de agora:

“Quando Arthur da Silva Bernardes candidatou-se à Presidência da República nas eleições de 1922, portanto, há 103 anos, foi alvo das chamadas cartas falsas de Bernardes publicadas pelo jornal Correio da Manhã. Aparentemente, conforme artigo da socióloga Mayra Poubel, essas cartas foram, supostamente, escritas por Bernardes ao senador Raul Soares. Essas cartas continham ofensas a Nilo Peçanha, seu concorrente na disputa presidencial, e também um questionamento sobre a integridade moral das forças armadas.

A primeira carta teria sido escrita no dia 3 de junho de 1921, quando o Marechal Hermes da Fonseca foi chamado de ‘sargentão sem compostura’. Também chamava os militares de ‘essa canalha’. A segunda carta foi escrita no dia 6 de junho de 1921. Referia-se a uma prorrogação da convenção, ‘porque ela deveria ter sido realizada antes da chegada de Nilo, pois como V. disse, esse moleque é capaz de tudo. Remova toda dificuldade como bem entender, não olhando despesas.’

Em 24 de março de 1922, Jacinto Guimarães e Oldemar Lacerda confessaram a falsificação das cartas, afirmando que tinham cunho político com a finalidade de eliminar a candidatura de Bernardes, em favor do Marechal Hermes da Fonseca, que acabou não concorrendo. Bernardes foi eleito Presidente da República, derrotando Nilo Peçanha. Assim, a divulgação dessas cartas, naquela época, gerou forte oposição dos militares a Bernardes.”

Acho que as fake news ficaram mais criativas com a Inteligência Artificial e, com a aliança entre o capitão Bolsonaro e alguns chefes das Forças Armadas, continuam muito daninhas. Apesar da oposição dos militares, Arthur Bernardes conseguiu terminar seu mandato. Diz Wellington:

“Minha mãe contava muitos casos sobre Arthur Bernardes, que dirigiu o País em grande parte sob o estado de sítio. Certa época, teve que fugir, ficando cada dia em uma fazenda até ser preso na cidade de Araponga, próximo a Viçosa, MG. Dizia minha mãe que seu tio (meu tio avô) fez companhia a ele enquanto estava foragido. Trata-se de Manoel de Barros, que por sinal, é nome de uma praça no bairro Castelo, em Belo Horizonte”.

Arthur Bernardes, como presidente da República, fundou em sua terra natal a Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde Wellington se formou engenheiro-agrônomo em 1969 e, mais tarde, foi professor.

Temos muito a aprender com esse mestre de tristes e, mais frequentemente, alegres memórias.

Como comprar o livro Sucursal das Incertezas, de José de Souza Castro, do blog da kikacastro.

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Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

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