Texto escrito por José de Souza Castro:
Janio de Freitas é um dos jornalistas mais importantes do Brasil e seu artigo no Poder 360 na última sexta-feira confirma que ele, aos 92 anos, continua o que sempre foi, ao analisar a tentativa de golpe de Bolsonaro. Não custa repetir:
“A linha mestra da vida política faz circunvolução em torno de Lula há 35 anos. Direta ou indiretamente os fatos mais determinantes na orientação do regime correlacionam-se a Lula, em suas aspirações políticas, e ao direitismo, em sua recusa a permiti-lo. Como, neste momento, a opinião pesquisada considera que Lula e seu governo vão mal, deduz-se que a classe dominante está feliz”, conclui Janio de Freitas.
Como na denúncia feita pelo procurador-geral da República, que descreve uma espécie de linha do tempo dos preparativos para as manifestações de 8 de janeiro na Praça dos Três Poderes, o velho jornalista expõe episódios dos últimos 35 anos no Brasil.
Começaram em 1989, quando Lula trocou a atividade sindical pela política, criou o PT e candidatou-se à Presidência da República, tudo aceito pela elite “por força do clima de democratização”.
O difícil foi aceitar que Lula e Collor passassem para o 2º turno nas primeiras eleições pós-ditadura, derrotando Franco Montoro, Ulysses e Maluf. Para esvaziar Lula, a elite usou a Globo e deu a vitória a Collor, que teve um governo catastrófico até cair pelo impeachment.
“Apesar disso, as classes alta e média não se arrependeram: bloquear as possibilidades de Lula era o mais importante, não o país”, afirma Janio.

Mudanças introduzidas por Fernando Henrique Cardoso, apoiado no Plano Real, acabaram por favorecer Lula. Os eleitores, reconhecendo as possibilidades de mais mudança, elegeram e reelegeram Lula.
As pesquisas, ao contrário das atuais que reanimaram os apoiadores do golpe, mostravam que Lula tinha mais de 85% de aprovação, com algum reconhecimento no poder econômico, “não com aceitação”.
Tanto que tudo foi feito, em seguida, em favor da eleição de Aécio Neves e, não tendo êxito, do impeachment de Dilma Rousseff.
“A crise política entregou o país à nulidade de Temer” e criou-se um quadro ainda mais favorável a Lula na eleição de 2018. Veio então a Lava Jato com Sergio Moro. “O golpe judicial custou ao Brasil os 4 anos de retrocesso com o governo Bolsonaro“.
Coisas que nossos leitores conhecem, mas que Janio resumiu com maestria, para que não sejam esquecidas. Pois novos golpes são esperados. Até mesmo quando Lula morrer.
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