Por que ainda devemos ser otimistas no ano novo

Bolinha amarela com desenho de rosto sorrindo (smile) parcialmente afundada em uma poça de água ou lama. Remetendo à ideia de otimismo.
Otimismo é querer continuar sorrindo mesmo quando estamos com os pés afundados na lama. Foto: Ahmed Zayan / Unsplash

A extrema-direita segue forte no Brasil (vide as eleições municipais) e no mundo. Trump vence as eleições nos Estados Unidos. E chama Elon Musk para ajudar a governar. Há uma escalada de fake news das mais bizarras (tem gente falando que Lula morreu e colocaram um clone no lugar, gente, #socorro), ampliada pela popularização da inteligência artificial. As pessoas estão se endividando e adoecendo por causa do vício em sites de apostas. As mudanças climáticas parecem irrefreáveis e já estamos vivendo o caos climático na pele, com enchentes, queimadas, furacões e recordes de calor.

Tá difícil ser otimista, gente.

Eu sempre fui meio Pollyanna, brincando do “jogo do contente” a vida toda. Tipo “ah, aconteceu tal desastre, mas pelo menos não foi daquele outro jeito bem pior”. Faço esse exercício mental (e verbal) pra tudo, às vezes até sem perceber. Mas tá cada dia mais difícil.

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Acho que porque sou dessas pessoas que pensam demais: não fico só no básico, tou sempre matutando sobre o impacto disso e daquilo. Por exemplo: acho difícil escolher a escola em que o Luiz vai estudar no sexto ano, porque penso que, até lá, o bolsonarismo pode voltar ao poder e, desta vez, conseguir terminar o golpe militar que não conseguiu concluir em 2022… Daí fico pensando: pra que olhar escola, se talvez vou ter que mudar de país?

Pra piorar, não uso quase nenhuma das ferramentas de sobrevivência que os outros humanos adultos adotam ou praticam: religião, misticismo, horóscopo, drogas, fanatismo etc. Tomo uma cerveja de vez em quando, e é só.

Como manter o otimismo e a sanidade ao mesmo tempo, pensando tanto assim, e sem nenhuma válvula de escape? 😛

Vocês queriam uma mensagem de esperança para o novo ano que começa, e chegam aqui com estes primeiros parágrafos dando socos à direita e à esquerda, chutes e apunhaladas para todo lado, né? Peço desculpas por isso.

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Vou recomeçar. Vou aproveitar o post otimista que meu pai escreveu aqui, no último domingo, e trazer algumas coisas boas, para equilibrar o astral deste texto. O próprio Lula entrou na trend “como eu posso ser pessimista em 2024 se…” e compartilhou uma porção de notícias boas sobre o Brasil, olha só:

  1. O PIB do Brasil cresceu tanto quanto o da China no terceiro trimestre
  2. O desemprego atingiu 6,2% em outubro, a menor taxa da história
  3. E também alcançamos 103,6 milhões de pessoas ocupadas, mais um recorde
  4. Miséria e pobreza atingem o menor nível da história
  5. Nosso país tornou-se o centro do mundo, com a presidência do G20
  6. O Brasil é o segundo maior destino de investimento estrangeiro, segundo a OCDE

Pus os links para reportagens a respeito de cada um desses itens, pra não ficar só na boca do presidente (e pra quem quiser se aprofundar… será que alguém ainda lê alguma coisa maior que um título? Ó eu sendo pessimista com minha profissão…).

Mas o fato é que aconteceu muita coisa boa pra um período tão curto de governo, depois de um período tão longo de pesadelo político com o combo terrível Bolsonaro + Pandemia, né? Acho que Lula só não conseguiu ainda o milagre de reunir o Brasil, como escrevi na carta a ele, logo depois da reeleição. Mas milagre é coisa de santo, não de político…

Acho que é isso, gente: precisamos focar nas coisas boas, nas pequenas conquistas, ou a gente pira. Inclusive olhar um pouco mais para o individual, sim, para o que nós conseguimos fazer com as nossas vidas, ou com as vidas de outras pessoas, mas sempre dentro do que estava ao nosso alcance.

Neste ano eu consegui fazer algumas boas coisas na minha vida, ainda que com alguns sobressaltos também. Por exemplo, enquanto trabalhei no Diário do Comércio, alcancei todas as metas e missões que me foram dadas (pelos outros ou por mim mesma), reestruturei a equipe do digital, melhorei o portal, avancei em fluxos e rotinas que estavam defasados. Pode-se dizer que foi uma experiência profissional bem-sucedida, mas também foi uma experiência pessoal bem ruim para mim, por isso resolvi ir embora ainda em novembro.

Adoeci como nunca neste ano, mas consegui manter os exercícios em dia enquanto estive saudável. Curti meu filhote e minha família, e viajamos para nossos cantinhos queridos de Minas Gerais. Li bastante, vi muitos filmes, e trouxe minhas melhores descobertas aqui para este blog, que é meu espaço de escrita livre, que compartilho orgulhosamente com meu pai.

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Foquemos nas coisas boas da vida, do país e do mundo, porque é só com o olhar cheio de otimismo, com a esperança, com a renovação, com todos esses sentimentos bons que afloram nos recomeços, nas viradas de calendário, é que a gente sobrevive, “apesar de” 😉

Que o 2025 de vocês seja cheio de bons momentos, e que o 2025 do Brasil e do mundo também traga mais notícias boas que as tragédias e desastres que “dão mais cliques”.

Feliz ano novo! ❤

 


Os posts abaixo têm a ver com o carrossel de retrospectiva de 2024 que fiz acima:

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

2 comments

  1. É isso, Cris. Sem otimismo é difícil sobreviver. Além de tudo que você escreveu, sugiro aos leitores procurar o que escreveu o ministro Fernando Haddad na Folha de S. Paulo de hoje, um alento notável ao otimismo.

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