
“Não existe racismo no Brasil”, disse o nosso vice-presidente da República um dia depois que um cidadão negro foi espancado por seguranças de um supermercado, o Carrefour, até não resistir e morrer.
Não existe? Mas então por que os negros crescem ouvindo frases que os diminui, que pretende torná-los inferiores, desde crianças?
“No Brasil não existe racismo”, disse Mourão, no dia 20 de Novembro, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra em todo o país.
Não existe? Mas então por que os negros recebem salário 20% menor que o dos brancos que exercem a mesma função que eles? E por que pretos e pardos ocupam menos de um terço das vagas de chefia no Brasil? Por que 73% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por brancos? Por que a maioria dos subempregos ou empregos informais são exercidos por pretos e pardos?
“Aqui no Brasil não existe isso de racismo”, disse o presidente da República, este tal de Bolsonaro, em 2018.
Não existe? Então por que é tão comum a gente ouvir histórias como a de Pretinha, que trabalhava pesado numa casa de família branca, e ainda sofria bullying, que nunca pôde frequentar uma escola e só aprendeu a ler e escrever depois dos 50? E por que essas histórias, quase sempre, acontecem com crianças negras?
“Sou daltônico: todos têm a mesma cor”, disse o mesmo Bolsonaro após protestos contra o racismo no Brasil – e pouco antes de chocar o mundo com outro discurso absurdo.

Sério mesmo? Então por que será que as clínicas de fertilização brasileiras procuram nos Estados Unidos doadores de esperma que sejam brancos e de olhos azuis? Por que uma advogada em pleno exercício da profissão – e negra – foi algemada em plena audiência? Por que uma recepcionista foi demitida ao se recusar a usar um penteado sem as tranças que destacavam seu cabelo crespo? Por que todos os dias noticiamos pessoas sendo xingadas de “macaco” e afins, a troco de nada? Por que eu só vejo policiais parando homens negros para fazer revista nas ruas? Por que meu amigo Vinicius Luiz, sempre que vai a um restaurante, é “confundido” com um garçom? Por que minha amiga Grazi Martins foi perseguida na loja de departamentos pela vendedora que achava que ela não ia comprar nada ali? Por que não existem bonecas negras nas vitrines de quase nenhuma loja?
Por que os negros morrem muito mais que os brancos, vítimas de assassinatos violentos? Por que uma morte como a de João Beto acontece? Aconteceria assim se ele fosse loiro e engravatado? E por que ela é tão parecida com a que ocorreu com George Floyd, meses antes, e em outro país? Por que a única coisa que Beto e Floyd têm em comum é a cor da pele?
Por que, enfim, um sujeito que dá declarações racistas desde antes de ser eleito (desde muuuuuito antes, aliás) acaba indo parar na Presidência da República? Sim, porque os brasileiros são racistas – ou, pelo menos, boa parte deles. E isso é uma história que está longe de ser mudada ainda.
E, enquanto houver seres humanos morrendo só por terem mais melanina na pele, eu vou me indignar. E você? De que lado está?
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Bastante importante o seu texto, Kika,
Concordo com o que você diz. São lamentáveis essas tentativas de escamoteamento da realidade, que só servem para perpetuar a situação.
Abs,
Douglas
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É isso aí… Até quando “não existirá” racismo no Brasil? Mais 500 anos de crimes jogados pra debaixo do tapete?
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