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‘1917’, o filme de guerra do Oscar 2020: Dez justiças e duas grandes injustiças

Vale a pena ver no cinema: 1917
Nota 9

As guerras são péssimas, todos nós sabemos. Centenas de inocentes mortos e os soldados nem sabem bem pelo quê estão lutando. Mas para uma coisa elas servem: para render boas histórias. Que até muitas décadas depois ainda viram livros e filmes bons como este “1917” – o filme de guerra do Oscar deste ano, junto com “Jojo Rabbit”. Como bem sabemos, todos os anos há pelo menos um filme de guerra concorrendo ao Oscar de melhor filme (em 2018 também foram dois: Dunkirk e Darkest Hour). E é incrível pensar que, mesmo a Primeira Guerra Mundial, que aconteceu há mais de um século, ainda continue rendendo boas histórias, enfoques inéditos, personagens heroicos.

No caso deste filme, a história é toda baseada no relato do avô do diretor Sam Mendes, Alfred Mendes, que lutou na 1ª Guerra Mundial. Ele é homenageado nos créditos do fim. Ou seja, trata-se de uma experiência pessoal de uma pessoa especial na vida do diretor – e esta carga afetiva não passa batido no filme. Se esta experiência é fiel à História com H maiúsculo, é o que importa menos.

Trata-se da história de dois jovens cabos que são incumbidos da missão de levar um recado para outro batalhão. Para isso, terão que atravessar terras que ainda não se sabe se estão realmente abandonadas pelos inimigos alemães. Eles têm poucas horas para cumprir esta difícil missão, e, se não conseguirem, centenas de homens podem estar em perigo. Inclusive o irmão de um deles.

A pressão é grande, assim como a tensão que eles sentem. E a gente também, porque é como se estivéssemos lá dentro daquelas trincheiras imundas. O ritmo frenético da história, a forma como a câmera se move como se estivesse tudo sendo filmado sem cortes, a trilha sonora sufocante: tudo isso nos envolve de uma maneira como se fôssemos soldados, junto com aqueles dois garotos imberbes. Sentindo o mesmo medo, os mesmos sustos, a mesma pressão.

A mesma exaustão, fraqueza, fome.

George MacKay em destaque

E aqui eu destaco dez justiças e duas grandes injustiças que aconteceram a “1917”. É muito justo que o filme concorra na categoria mais importante do Oscar, além da categoria de melhor direção, fotografia, edição e mixagem de som, roteiro original. Isso tudo é impecável. Pra não falar no design de produção, na maquiagem, nos efeitos visuais e na trilha sonora (do indicado e nunca premiado Thomas Newman). Mas é injusto que a edição de Lee Smith tenha ficado de fora. Ele já levou um Oscar por “Dunkirk”, que também é um filme de guerra, e aqui brilhou com essa edição que deixa o filme com cara de ininterrupto, o que nos tira o fôlego até o fim. Merecia ao menos uma indicação. O mesmo vale falar sobre o jovem ator George MacKay, que eu acho que só tinha visto antes em “Capitão Fantástico“. Ele segura boa parte do filme nas costas – então como desprezar seu talento num papel tão exigente?

Benedict faz só uma ponta.

Sim, porque quem pensa que vai ver “1917” para ver as atuações brilhantes de figurões como Benedict Cumberbatch e Colin Firth, pode esquecer. Eles mal aparecem, são praticamente figurantes. A estrela é George MacKay, e ele manda bem. Mas não mereceu nem uma indicação. Poderia ter entrado no lugar de Adam Driver, digamos. O rapaz só foi indicado a cinco premiações por seu papel em “1917”, e só levou no festival de Santa Barbara, então é possível que a turma de Hollywood ache que ele ainda tem muito arroz com feijão para comer antes de ser reconhecido por seus talentos. E olha que o garoto de 27 anos já atuou em 40 trabalhos.

Já Sam Mendes deve ter melhor sorte. O diretor que está apenas em seu oitavo longa-metragem já levou os principais prêmios da temporada: Globo de Ouro, Bafta, sindicato dos diretores, e uma penca de outros. E ele já tem um Oscar por “Beleza Americana”, de 1999. Aposto nele com a estatueta dourada em mãos no próximo domingo.

Assista ao trailer do filme:

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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