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‘História de um casamento’: o amor pela lente do divórcio

Vale a pena assistir na Netflix: HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (Marriage Story)
Nota 8

O filme começa com Charlie (Adam Driver) falando o que mais ama em Nicole (Scalertt Johansson) e ela descrevendo o que mais ama em Charlie. Comecei a assistir (às cegas, como é do meu costume) e, tendo em vista o título do filme, achei imediatamente que se tratasse de um desses água-com-açúcar, românticos até não poder mais.

Aí veio a porrada.

Trata-se de uma história de um divórcio, e não da história de um casamento. Acho até interessante a escolha do nome pelo diretor e roteirista Noah Baumbach (do também ótimo “Os Meyerowitz”). É como se ele presumisse que o divórcio é parte de todo casamento. “Se você ainda não chegou lá, espere e verá”.

Por outro lado, embora o filme tenha várias DRs e cenas tristes que envolvem um processo de separação, é possível dizer que é uma história de amor pela lente do divórcio. Porque, sim, é óbvio que Charlie e Nicole ainda nutrem grande carinho um pelo outro. É como se Noah estivesse nos dando outro lembrete: “Você aí, que está querendo se divorciar, lembre-se que vocês têm uma história juntos e não precisam virar inimigos só porque vão se separar”.

Como tenho a natureza de torcer para que todos os relacionamentos deem certo, passei o filme inteiro na expectativa de que Nicole e Charlie pudessem se entender de novo. Ainda mais porque são pais do adorável Henry (Azhy Robertson), de 8 anos. Claro que não vou contar a vocês se isso acontece ou não no fim do filme, mas o que posso dizer é que a caminhada até o fim tem uma lógica muito clara. É como se o filme fosse uma peça de teatro em três atos: um começo de muito amor, um miolo de tempestade turbulenta e um fim que é quase um porto seguro onde o navio ancorou.

Além desse casal e de seu filhinho, o filme tem muito poucos personagens, com destaque para os advogados contratados por Nicole e Charlie para o processo de divórcio. Laura Dern, que interpreta Nora, a advogada de Nicole, está especialmente brilhante. Não foi à toa que só ela levou o Globo de Ouro (melhor atriz coadjuvante), embora o filme tenha sido indicado em seis categorias nesta premiação. Imagino que ela também entre nas indicações do Oscar, assim como os demais atores e o roteiro (saberemos disso amanhã).

Adam Driver
Scarlett Johansson

Mas Scarlett e Adam é que seguram as pontas. Presentes em praticamente 100% das cenas do filme, eles percorrem diálogos longuíssimos com uma naturalidade impressionante. Aquelas discussões em que a pessoa depois se arrepende do que gritou para a outra. Aqueles choros que aparecem quando a gente não queria. Como se fossem qualquer casal que a gente conhece por aí. E impressionam ainda mais nas cenas em que estão calados, com a câmera colada em seus rostos, e a expressão da vez – tristeza, raiva, surpresa, vergonha, cansaço – absolutamente convincente. Choramos com eles. Sofremos por eles. Torcemos por eles: não necessariamente para que voltem a ser um casal, mas para que pelo menos passem logo por este processo tão difícil e retomem a normalidade de suas vidas.

Talvez toda essa naturalidade tenha sido construída não só porque os atores sejam feras, mas porque todos já tinham passado por divórcios em suas vidas e inclusive ajudaram o roteirista Noah a construir os personagens. Scarlett, por exemplo, estava no meio de seu segundo divórcio quando foi convidada para o papel. E Noah se baseou em sua própria experiência de divórcio com a atriz Jennifer Jason Leigh para construir o roteiro.

Ou seja, é um filme inspirado nas vidas reais de seus criadores, que são vidas como muitas que conhecemos por aí. Noah costuma dizer que sempre vê a vida como matéria-prima para os filmes. Daí porque os personagens e diálogos são tão convincentes, quase como se tivéssemos ouvido na discussão do vizinho ao lado.

É só mais uma história de casamento. Que deu errado – ou não.

Como diz o famoso soneto de Vinícius de Moraes: “Que seja infinito enquanto dure”.

Assista ao trailer oficial do filme:

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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