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‘O Escândalo’: um filme com duas mensagens poderosíssimas em tempos de enfrentamento do machismo

Vale a pena ver no cinema: O ESCÂNDALO (Bombshell)
Nota 9

Estas três mulheres que aparecem na foto acima, baitas atrizes, são as principais responsáveis por “O Escândalo” ser tão bom quanto é, com a nota 9 que atribuí ao filme. O quarto responsável é o roteirista Charles Randolph, que usa seu mesmo tom didático e ágil, já adotado em “A Grande Aposta“, outro filmão nota 9, que lhe rendeu um Oscar há quatro anos.

Mas voltemos às mulheres – porque o filme é sobre elas (nós), afinal.

Nicole e Margot no início do filme

A atuação de Nicole Kidman está muito correta, como sempre, e a de Charlize Theron está impecável – e ela acabou indicada ao Oscar de atriz principal. Mas, para mim, é Margot Robbie, que já havia me surpreendido imensamente em “Eu, Tonya” (outro nota 9), que brilha neste filme. Não é à toa que ela ganhou suas segunda indicação ao Oscar com este papel. E a câmera do diretor Jay Roach sabe captar muito bem a sutileza da atuação desta jovem. O olho se enchendo de lágrimas contidas, o conflito interno de alguém que sempre sonhou em trabalhar na Fox, o constrangimento absoluto na única cena em que vemos ela ser assediada bem na nossa cara.

Estamos falando de um tema, de um universo, que é particularmente constrangedor. O assédio sexual, ainda mais grave quando praticado por um chefe em ambiente de trabalho. O famoso “teste do sofá”, numa empresa onde se cultiva a atmosfera de competição e vaidade. Numa das maiores empresas do ramo no planeta, diga-se: a Fox News.

Charlize está impecável. John Lithgow também está ótimo, mas são as mulheres que se destacam mesmo neste filme.

Para tratar desse tema, os produtores acertaram, ao meu ver, ao não escancararem cenas de sexo que nos fariam vomitar. As investidas mais sutis – e, nem por isso, menos graves – já são suficientemente nauseantes. E as atrizes já demonstram o que suas personagens sofreram de pior mesmo que não tenhamos visto as cenas mais físicas do abuso sexual.

Estas três personagens, interpretadas por três atrizes do mais alto nível, são tão fortes que seguram a história toda, sem que tenhamos que conhecer muito mais gente do elenco (e olha que o elenco conta com gente do nível de Allison Janney). Vale dizer que as duas interpretadas por Charlize e Nicole são reais, mas a de Margot é fictícia. Uma grande sacada do filme foi ter nos apresentado com calma o perfil de cada uma delas, ter construído mesmo as personagens, com suas personalidades tão diferentes, antes de, só mais tarde, começar a abordar o tema central do assédio. Quando o escândalo aparece, já estamos familiarizadas com elas. Há um contexto, e esse contexto é essencial para gerar nossa empatia e nosso entendimento dos conflitos internos de cada uma.

A transformação que fazem no rosto de John Lithgow é impressionante.

De novo, nesse caso, o mérito é do roteirista. Curiosamente, ele ficou fora das indicações do Oscar. Além das duas atrizes, o indicado foi Kazu Hiro e sua equipe, pela maquiagem que faz uma verdadeira transformação no ator John Lithgow, que interpreta Roger Aildes, o chefão da Fox News que assediou todo mundo. Charlize Theron também ficou muito diferente neste filme. Kazu já levou um Oscar por transformar Gary Oldman em Winston Churchill no filme nota 7 “O Destino de uma Nação“. E ele é favorito a levar o Oscar por este filme também – possivelmente a única estatueta que “O Escândalo” vai levar.

Mesmo que não leve mais, trata-se de um filmaço, e com uma mensagem poderosíssima. Aliás, duas mensagens. Uma positiva: denunciem, meninas. Até aquelas mulheres conseguiram, e olha que o alvo era um tubarão, influentíssimo no Partido Republicano e em vários outros campos da vida política norte-americana. E uma mensagem negativa, que deixo para vocês descobrirem quando virem duas cifras que aparecem logo antes de o filme terminar. Compare as duas e pense, como eu: ainda há muito o que fazer para mudarmos este mundo.

Assista ao trailer do filme:

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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