‘Tully’: Um filme curto, de roteiro simples e, ao mesmo tempo, profundo

Vale a pena assistir: TULLY
Nota 8

Numa época em que todos os filmes estão ultrapassando as duas horas de duração – inclusive as animações destinadas ao inquieto público infantil –, é bom demais quando surge um filme como este “Tully“, que, em apenas 1h35min, consegue amarrar um roteiro cheio de drama, suspense, reflexões importantes sobre o universo da maternidade e sobre a vida a dois, e ainda umas poucas pitadas de humor.

Estamos falando de um filme com a seguinte sinopse: uma mãe, completamente exausta após o nascimento da terceira filha, resolve acatar o conselho do irmão rico e contratar uma babá noturna, que tem a missão de facilitar sua vida e propiciar momentos de descanso e de noites bem dormidas. A chegada de Tully causa uma reviravolta da vida desta mãe. Fim.

Seria um filme entediante e talvez interessante só para o público restrito daquelas mães que já passaram pela extenuante tarefa de trocar mil fraldas/amamentar o tempo todo/sentir dores/administrar a casa/etc, que só quem teve um recém-nascido em casa sabe como é, mas “Tully” acerta ao trazer reflexões mais amplas e ainda abrir o leque do gênero drama, com suas pitadas de mistério.

Uma das reflexões que o filme traz é sobre a necessidade de a mulher-mãe se cuidar, e sobre como isso é importante inclusive para que ela tenha condições, físicas e psicológicas, de cuidar também das crianças. Há ainda a abordagem da participação paterna na criação dos filhos, além de outros temas paralelos, como as preocupações extras que um filho com espectro autista traz para a mãe. Mas eu diria que o mote principal do filme é uma palavrinha: EXAUSTÃO.

Em dado momento, a personagem interpretada pela sempre ótima Charlize Theron diz que às vezes a exaustão é tão grande que ela não sente forças nem para trocar de roupa. Abre o guarda-roupa e pensa: “Nossa, não fiz isso ainda?”. A frase é algo nesta linha. Eu me identifiquei demais. Já tive fases da minha vida, inclusive no período logo após o retorno da licença-maternidade, em que eu só conseguia me definir como uma pessoa exausta. Até que um dia dei um tilt no meu emprego e decidi inclusive iniciar a busca por um novo trabalho. Quando não sobram forças nem para pensar, estamos no limite da exaustão. E muitas mães de crianças recém-nascidas passam por isso e certamente vão se identificar com a protagonista e sonhar com uma babá supostamente perfeita, como é a Tully (Mackenzie Davis) para ela.

Mais do que isso, acho melhor eu não contar, para não estragar as surpresas que são reservadas para os espectadores.

Acredito que a lista de indicados ao Oscar, que vai ser divulgada amanhã, deve trazer Charlize Theron no páreo das melhores atrizes, assim como o Globo de Ouro já tinha feito. Ela, que já foi indicada duas vezes antes e levou uma estatueta para casa, engordou 22 kg para o papel, e está muito convincente. Mas torço ainda para que esse roteiro tão singelo, e ao mesmo tempo tão profundo, que consegue se amarrar tão bem em apenas 1h35min, também seja valorizado pela academia. O mérito aqui é da escritora Diablo Cody, que já havia escrito o roteiro do aclamado “Juno”, do mesmo diretor, Jason Reitman (que também dirigiu outros filmaços, como “Amor sem escalas” e “Obrigado por fumar”). Veremos amanhã.

Assista ao trailer do filme:

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Um filme para os fãs, e só para os fãs

Não vale a pena assistir: MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max: Fury Road)
Nota 3

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Suponha que você nunca tenha visto nenhum dos três filmes da franquia “Mad Max” estrelados por Mel Gibson entre 1979 e 1985. E que você nem sequer saiba do que se trata a história. Na verdade, você tem o hábito de ir ao cinema às cegas, sem ver nem o trailer do filme antes, para poder se surpreender mais com as cenas e avaliar melhor a qualidade do roteiro, da contação da história propriamente dita.

Foi o meu caso. Nunca tinha visto nenhum “Mad Max” e fui assistir ao quarto filme da franquia, agora estrelado por Tom Hardy, apenas porque ele foi indicado a espantosas DEZ estatuetas do Oscar.

E o que descobri é que este é um filme tipicamente feito para fãs, especialmente os muito nostálgicos, que depois escrevem em suas críticas que o filme é uma “obra prima” e coisas afins. Se você não é fã, você se estrepa. Em algumas partes do filme, boia mesmo. Isso porque a história é muito mal contada, e você precisa ficar o tempo todo adivinhando quem são aquelas figuras estranhas e por que agem daquela forma bizarra. Que vozes são aquelas? Quem são aquelas pessoas? Muito simplesmente nunca é explicado para nós, os que não somos fãs.

Além disso, me perdoem os fãs, mas o longa é cheio daquelas cenas absurdamente inverossímeis e exageradas, típicas dos filmes de ação da pior qualidade. Tipo o cara que está doentíssimo, quase morrendo, mas que consegue fazer coisas que exigiriam uma força descomunal. Ou a mulher que dirige com uma mão só, ainda consegue segurar, com a outra mão, um homem que tem o dobro do tamanho dela, e fazer mil manobras malucas — tudo ao mesmo tempo. Sabe, se o filme é de super-heróis, a gente até engole esse tipo de coisa. Mas, até onde eu fui informada pelo roteiro de “Mad Max”, eles não eram super-heróis, nem tinham poderes especiais.

Dito tudo isso, fiquei abismada com essa quantidade desproporcional de indicações de “Mad Max” ao Oscar. Melhor edição, mixagem de som, edição de som e efeitos visuais, vá lá. São categorias mais técnicas, e o filme realmente tem grande qualidade em todas elas. Ainda vem melhor figurino, design de produção e maquiagem: OK, especialmente para a última destas. Mas melhor direção? Fotografia? E, principalmente: MELHOR FILME DO ANO?! Nah…

Como eu já adiantei, o filme é estrelado por Tom Hardy, baita ator que concorre ao Oscar por sua participação em “O Regresso”. E também pela ótima Charlize Theron, que raspou os cabelo para fazer a Furiosa. Mas nem consegui apreciar muito bem as atuações dos dois e dos demais, que são escondidos por máscaras horrendas e rostos transfigurados.

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O cenário também é sempre o mesmo: um deserto sem fim, uma estrada de areia. Tudo com aquele tom cansativo de marrom e cinza, num ritmo frenético de fuga e perseguição sem pausa. É uma overdose de poeira, de bizarrices e explosões. Como se eu estivesse vendo não um filme, mas um jogo de videogame misturado a um clipe dos Smashing Pumpkins. Se a música fosse tão boa quanto a do Billy Corgan, talvez valesse a pena assistir — mas, infelizmente, nem isso era o caso. Então restou apelar: game over, pelamordideus!!

Assista ao trailer do filme:

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