As negras de tabuleiro do período colonial e os camelôs expulsos do centro de BH

PM usou bombas de efeito moral para dispersar camelôs manifestantes. Foto: Reprodução / Globo

Você tem acompanhado a determinação do prefeito Alexandre Kalil de retirar os camelôs do centro de Beagá (que levou a vários protestos e prisões)? O texto de hoje é sobre isso, mas traz um enfoque completamente novo, para enriquecer nossas reflexões. Foi enviado pelo leitor Régis Quintão, mestre em História pela UFMG:

“As negras de tabuleiro e os mascates volantes eram figuras conhecidas e perseguidas durante o período colonial, sobretudo na Capitania de Minas Gerais no século XVIII. As autoridades justificavam o inconveniente da presença dessas pessoas nos arraiais e vilas mineiros: perturbadores da ordem que facilitam e participam do tráfico de ouro e diamantes. Além disso, faziam com que muitos escravos gastassem com cachaça e quitutes os jornais devidos aos seus senhores. Assim, o pequeno comércio era visto com desconfiança. Em quase todas as áreas de mineração, os gêneros autorizados podiam ser vendidos com licença expedida pelos órgãos administrativos.

No entanto, na Demarcação Diamantina, as negras de tabuleiro estavam proibidas de entrar. No famoso Regimento consta: “fiquem proibidos em todos os arraiais diamantinos as negras de tabuleiro, como no Tijuco, as vendas por casas das negras e dos negros dentro das vendas e lojas ou a comprar e vender.” Em outro parágrafo: “Todos os que se acharem vendendo contra esta proibição, serão presos, remetidos para fora da comarca [do Serro do Frio]; e as mercadorias confiscadas para a Minha Real Fazenda, dando-se aos denunciantes a terça parte do seu justo valor.” Elas, entretanto, nunca deixaram de circular nestes locais. Era assim que muitas delas acumulavam seu pecúlio e compravam a própria liberdade.

Belo Horizonte, século XXI, e a política com relação ao pequeno comércio pouco avançou. A repressão ainda é usada para expulsar os indesejados vendedores de rua, mas, assim como as negras de tabuleiro, eles vão resistir: “Não monto banca, mas continuo trabalhando. Vou vender na mão, vou continuar trabalhando. Porque eu não vou ver meu filho passar fome. Vou fazer o quê? Vou voltar pra casa sem nenhum centavo, com a geladeira vazia e o armário vazio? Não. Isso aí não vai acontecer, não”, disse a ambulante Cheila, que tem dois filhos e paga aluguel.


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