A Revolução da Rapadura

Foto: Moacir Ximenes / Wikimedia

Texto escrito por Beto Trajano:

A rapadura é um doce simples, produzida em alguns pontos do interior de Minas, que remete a tradições de séculos atrás, da época da colonização do país. É feita da cana, matéria-prima da tradicional cachaça mineira. Às vezes passa despercebida em lojas, mercados, bares e restaurantes.

Porém, é muito apreciada até hoje, a ponto de ter provocado uma verdadeira revolução. Sim, é isso mesmo o que está acontecendo no mais frequentado self-service na região onde moro: a Revolução da Rapadura.

Até pouco tempo, o restaurante oferecia de cortesia, após o almoço, chá, café e uma deliciosa rapadura. Ficava perto do caixa, bem abaixo de um quadro de sugestões. Todos os clientes, de forma quase que espontânea, antes ou depois de pagar a conta, aproveitavam a iguaria. E o café com rapadura virou tradição, sem que os donos percebessem.

Mas, com o tempo, não só os humanos, mas também outros visitantes indesejados descobriram a vasilha de doces: as abelhas. E os insetos frequentadores do ambiente foram aumentando. O tempo passava, e o número de abelhas crescia em volta daquela mesinha.

Foto: Thiago Mlaker / Wikimedia

Um belo dia chegou um enxame — mais de cinquenta insetos invadiram o restaurante. Foi uma confusão danada e, na disputa com os seres humanos, as abelhas enfurecidas atacaram os clientes. Por sorte, ninguém era alérgico e não ocorreram casos de gente hospitalizada.

Os donos do lugar tiveram que tomar uma medida drástica, que provocou a revolução. E, de um dia para o outro, o pote de rapadura sumiu. Junto com ele, as abelhas, mas elas deram lugar a reclamações, que começaram imediatamente. Uma crise foi gerada. Em tempos de reclamações por falta de wi-fi, a causa da vez foi a eliminação da cortesia ancestral.

O quadro de sugestões começou a ser tomado por pedidos pelo retorno da rapadura. Todos os dias ele é apagado e, ao fim do horário de almoço, as reclamações voltam a ocupar todo o espaço. Os donos não sabem o que fazer.

Enquanto isso, a hashtag #voltarapadura  está nos trending topics do restaurante.

Foto: Beto Trajano

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4 comentários sobre “A Revolução da Rapadura

  1. De vez em quando, aos domingos, almoço num restaurante da rua da Bahia, quase esquina da Av. do Contorno, no Santo Antônio. Lá também é oferecida rapadura com café, depois da refeição. Fica no alpendre da casa, bem ao alcance das abelhas. Mas elas não aparecem. Talvez porque a rapadura fique dentro de um pote de vidro bem arrolhado. Os fregueses, em geral velhos (nos domingos) gostam de rapadura e são bem educados: mantêm o vidro fechado. Quem sabe seu restaurante da rapadura não encontre aí uma solução para o problema?

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