
Texto escrito por José de Souza Castro:
Advogados, cuidado. Não chamem a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, de presidenta. Eu, que não sou advogado, acho que vou chamá-la de presidenta, por coerência: como sempre chamei Dilma Rousseff de presidente, sabendo que ela preferia presidenta, não é justo que, agora, acate a preferência dessa mineira de Montes Claros que disse, ao ser confirmada no cargo, o seguinte: “Eu fui estudante e sou amante da língua portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, não?”.
Para quem não gosta de acessar links, abaixo, o que se lê no link indicado:
“A ministra Cármen Lúcia vai presidir o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça. Ela assume em setembro, para um mandato de dois anos. O vice-presidente vai ser o ministro Dias Toffoli. Ao passar a palavra à ministra Cármen Lúcia, o atual presidente, Ricardo Lewandowski, quis saber como ela prefere ser tratada.
“Então, eu concedo a palavra à eminente ministra Cármen Lúcia, nossa presidenta eleita. Ou presidente?”, pergunta Lewandowski.
“Eu fui estudante e sou amante da língua portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, não?”, brinca Cármen Lúcia.
“É bom esclarecer desde logo, não é?”, diz rindo Lewandowski.”
Longe de mim achar que Cármen Lúcia não foi boa estudante. Ela tem currículo brilhante, com mestrado pela UFMG e doutorado pela USP, sendo professora da PUC Minas; foi nomeada procuradora-geral do Estado pelo governador Itamar Franco e, em 2006, indicada ministra do Supremo pelo presidente Lula.
A ministra deve conhecer bem sua língua nativa. Mas escorregou, ao achar que presidenta é uma agressão à língua portuguesa. Tanto não é que a palavra está registrada no site da Academia Brasileira de Letras, como se pode verificar AQUI ao ser fazer uma busca.
Talvez a segunda mulher a ocupar um cargo de ministra do Supremo saiba disso, e apenas quis dar uma ferroada na primeira mulher eleita presidenta do Brasil, por duas vezes. Se é isso, Cármen Lúcia deve saber como se defender dessa crítica ácida que se lê AQUI:

“O que levou a ministra Cármen Lúcia a ser tão deselegante, tão impiedosa e tão maldosa exatamente no dia em que foi eleita para suceder Lewandowski no comando do STF?
A única resposta que me ocorre é uma combinação letal de ódio no coração com ignorância presunçosa.
Dizer que quer ser tratada como “presidente”, tudo bem. Mas afirmar que quer isso por ser “amante da língua portuguesa” é ao mesmo tempo uma crueldade com Dilma e um disparate linguístico.”
Modestamente, já tive ocasião de tratar no blog dessa questão de presidente versus presidenta. E informar, com base num artigo de Sandra Starling, o seguinte:

“No dia 2 de abril de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek sancionou projeto de lei de autoria do senador Mozart Lago, do Rio de Janeiro, transformando-o na lei federal nº 2.749. Esta lei determina que devem ser chamadas de presidentas todas as funcionárias públicas que ocupem a presidência em órgãos ou empresas da administração direta ou indireta.”
Pois é: eu não cumpri a lei de JK, até agora. Passarei a cumprir, quando me referir à presidenta Cármen Lúcia. E continuarei chamando Dilma de presidente – ou, quem sabe, ex-presidente. Espero, assim, ficar bem com todos os leitores.
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