Depoimentos emocionantes sobre o alcoolismo

Imagem: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Imagem: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Há pouco mais de três anos, postei aqui no blog um texto que Ruy Castro escreveu sobre como se livrou (ou vem se livrando) do alcoolismo. Ao reproduzir o emocionante relato do escritor carioca, jamais imaginei que o post atrairia depoimentos ainda mais emocionantes de leitores — eles próprios vítimas do álcool, seja como dependentes ou como familiares de alcoólatras.

Hoje eu estava relendo alguns desses comentários e senti que deveria criar um post só para eles, para que pudessem alcançar outras pessoas que passam por situação parecida ou que estejam abertas à reflexão sobre um assunto tão triste e difícil.

Selecionei seis deles, que compartilho abaixo (CLIQUE AQUI para ler todos os comentários):

Enviado pelo leitor Mauro:

“Tenho 23 anos e estou lutando hoje contra a dependência de álcool e outras substâncias. Comecei a beber com 15 aos e de lá até hoje só destruí a minha vida, perdi namorada, faculdade, amigos e familiares já não me aceitam! Alguns meses atrás pedi ajuda e agora estou em processo de recuperação. Aos mais jovens só posso dizer que ouçam seus pais e vocês não precisam alterar a consciência de vocês para se divertir. Quando o tratamento acabar volto pra contar e futuramente ajudar quem precisa de ajuda. Tudo tem solução, se você chegou ao fundo do poço, anime-se: o único caminho é pra cima.


Enviado pelo leitor Eduardo:

“Não sou dos que contam o tempo sem cachaça porque não tenho paciência pra isso, acho chato: posso dizer que é tempo suficiente para haver recuperado o fio da meada, depois de quase morrer bem mais de uma vez – algumas overdoses alcoólicas, a conhecida história com a proximidade do suicídio, má ou nenhuma alimentação, etc, etc.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Passei num fogo só durante vinte e poucos anos, tenho 35. E o incrível, extraordinário, é que não sou o mesmo sujeito em mais de um aspecto. Não sinto nenhuma vontade de beber, e é como se nunca tivesse bebido, para dizer a verdade. Faço um tratamento farmacológico muito bem sucedido, e o grande barato para mim é hoje a sobriedade, sou muito mais interessante para mim mesmo assim do modo como estou, desde quando passei a me lembrar todas as manhãs de como fui me deitar na noite anterior.

O grande prejuízo que tive foi em relação à vida profissional, mas é coisa que se recupera. Quanto à vida familiar, sou um homem de sorte: mulher e filhos extraordinários, capazes de compreender até mesmo uma bebedeira de vinte e poucos anos, desde que eu leve a sério a minha abstinência perpétua.

Deixar de beber é um empreendimento interessantíssimo. Você vai recair aqui e ali, vai sofrer o cão e não apenas no começo, essas coisas. Mas vai se sentir como um neném a certa altura, e tudo vale a pena a partir daí!

O Mauro tem toda a razão. Se você bater no fundo do poço, o único caminho é pra cima.”


Enviado pelo leitor Rui:

“Tenho 40 anos e já por diversas vezes que eu consigo parar de consumir álcool, mas depois, passado um mês ou dois, lá caio em desgraça e o que era para ser apenas um copo ou dois passa a ser uma garrafa ou duas ou até três. Tenho uma família que me adora e eu a eles mas neste momento eu vou ter que arranjar forças para recomeçar a minha luta contra o vício. Não está a ser nada fácil esta luta interior. Peço todos os dias a Deus que me ajude a conseguir vencer este vício, e eu sei que um dia irei conseguir a vitória. Os meus filhos precisam de mim e eu não os posso abandonar agora, e se eu já consegui outras vezes vou voltar a conseguir, só tenho que ter coragem para não voltar a cair em tentação.”


Enviado pelo leitor Renato:

“FIQUEI 3 DIAS SEM BEBER, ESSE FOI O MÁXIMO QUE CONSEGUI FICAR DISTANTE DO ÁLCOOL. OBSERVO QUE SOU ESCRAVO DAS MINHAS SENSAÇÕES, SE ESTOU FELIZ BEBO, SE ESTOU TRISTE BEBO, SE DISCUTO COM ALGUÉM BEBO, SE ESTOU SEM FAZER NADA BEBO, SE ESTOU COM MEU FILHO BEBO… A BEBIDA VIROU COMPANHEIRO DE TODAS AS HORAS… JÁ PERDI EMPREGO, MULHER, IMÓVEIS E ETC TUDO POR CULPA DO ÁLCOOL MAS MESMO ASSIM NÃO CONSIGO ME AFASTAR DESSE DANADO…JÁ BUSQUEI JESUS, BUDA, KRISHNA OU QUALQUER FORÇA SUPERIOR MAS ATÉ O MOMENTO NÃO CONSEGUI ESSE GATILHO INICIAL PARA CONSEGUIR ME AFASTAR DA BEBIDA. NÃO ESTOU FELIZ, DEPRESSIVO E AMARGURADO COM AS COISAS DA VIDA. NÃO SEI MAIS O QUE FAZER ESTOU PERDIDO!!!”


Enviado pelo leitor Dilson:

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Eu bebi mais de 30 anos fumei mais de 40 anos. Somente pelas graças de nosso bom DEUS e a programação de 12 passos estou vivo. Todas as dependências químicas são uma doença, não tem cura: existe recuperação a quem desejar. Com carinho, 1º passo, admitimos que éramos impotentes perante o álcool — que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas. Sem este passo é impossível qualquer recuperação, já que o alcoolismo é uma doença, não tem cura. Quem desejar de coração é impossível não conseguir. Alcoolismo é uma doença que com certeza atinge toda família. Só que é uma doença da negação: infelizmente só quando chega ao fundo do poço que vai reconhecer e aceitar. Porque não adianta a MAMÃE OU A ESPOSA querer que pare de beber, precisa ser o dependente querer de todo coração. Agora, o familiar é muito importante, precisa buscar ajuda nos lugares certos… Existe muita ajuda a quem desejar. Eu sou um milagre. Estou conseguindo evitar o 1º gole, evitar o 1º cigarro, faço trabalho voluntário, sou um instrumento de nosso bom DEUS.”


Enviado pela leitora Gabriela:

“Tenho 34 anos e sou filha de um pai que ontem completou 10 anos que perdeu sua luta para o álcool. Foi um pai maravilhoso, profissional exemplar e muito amado pelos irmãos e toda família. Eu e minha família lutamos junto com meu pai durante quase 8 anos e o vimos se degenerar dia após dia por causa da bebida. Minha mãe frequentou muito o AA sozinha pois ele mesmo nunca admitiu que precisava de ajuda. Desenvolveu cirrose hepática e vomitou sangue, ou melhor, o fígado e foi internado duas vezes. Na terceira vez infelizmente não aguentou …as marcas desse período de dor estão e estarão para sempre em meu coração…”


Você também está na luta contra a dependência do álcool ou já passou por isso ou conviveu com alguém que passou? Deixe seu relato aí nos comentários e juntarei ao post! Sua história pode ajudar a inspirar outras pessoas que estejam na mesma situação.

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12 comentários sobre “Depoimentos emocionantes sobre o alcoolismo

  1. Acabei de ler o livro sobre o Garrincha (Ruy Castro). Triste e angustiante ver ele perdendo pro alcoolismo. Hoje meu pai esta se recuperando de um derrame causado pelo excesso de alcool.

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  2. eu me sinto perdido a 14 anos nessa vida infernal do alcol nesses 14 anos so um periodo fiquei 6 meses sem beber fui algumas veses no aa me sinto perdido bebendo toda semana nao sei mais o q faser preciso de ajuda urgente ja pensei em me matar e tudo nao aguento mais.

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  3. Tenho 42 anos, à 7 conheci minha atual companheira, me achava um xara normal sem vícios, bebia nos finais de semana, 1 garrafa de cerveja ou 1 cx .
    Pensava que tinha controle,;até me vê fazendo merda, tendo prejuízos, ;oerdendo carteira, chave do carro, telefone, eu não percebia, tomava a primeira garrafa,;a segunda, da terceira para frente era a bebida que me levava,;um dia u bebado dirijindo em uma rodovia, com minha mulher gravida de 7 meses e minha filha na época com 6 anos, saltei um quebra molas, ela desesperada mandou eu parar o carro, parei elas desceram já era quase 18:00 hrs, larguei elas lá, e fui embora para o primeiro bar que ebcontrei.
    Iz tanta raiva ela na gravidez que perdeu nossa filha com 8 meses e 2 semanas.
    Depois disso ainda bebi, perdi empregos bons, envolvi com mulheres, , passado algum tempo, cai na real, me arrependo amargamente, me sinto um lixo, carrego a culpa fa morte da nossa criança, cada dia sem bebida é uma Vitória, ;quando passo ba porta dos bares que gostava de frequentar, sinto vontade de entrar e beber, mas lembro de uma passagem das sagradas escrituras que diz: O vinho escarnece. Não sente na mesa dos escarnecedores.

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  4. Ola sou a paula tenho 31 anos bebo desde os 13 alcoólatra que chegou ao fundo do poço essa semana depois de perde meu casamento , meus amigos já perdi minha dignidade o respeito das pessoas e está muito difícil aceitar que meu casamento acabou por minha causa pelo álcool quando eu bebo eu me transformo fico agressiva e vulgar quebro tudo , humilho as pessoas . E no outro dia nao me lembro de nada . E issso pq so bebo cerveja e umas 6 por dia todos os dias .Parece não ser eu pq eu sã sou muito diferente sou humilde calma . Estou aguardando pra ir pra clínica essa semana . Peço ajuda de deus pra me ajudar não quero ser assim . Estou sofrendo muito com tudo isso. Quero me interna logo estou cause surtando em casa .tenho medo de desistir . Preciso muito de ajuda . Não quero desistir . Pq se eu desistir vou perde minha família. Não quero . Juro que não quero .

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      • “Olá para todos, meu apelido é MAGRÃO sou alcoolico e admito que sou fraco perante o alcool,
        Minha historia de alcoolismo re-começou depois de 17 anos de abstinência por um descuido.
        Fui a um cardiologista como fazia todos os anos, exames periodicos e o mesmo depois de ver meus exames sugeriu que tomasse uma taça de vinho antes do almoço/jantar. Como fazia algum tempo que não bebia, achei que não iria me fazer mal. Puro engano.
        Durante um mês segui à risca o que o médico orientou, depois foi uma garrafa almoço/jantar.
        Como essa doença é progressiva que afeta corpo, mente e espiritualmente, voltei a beber com um louco.
        Prá variar, perdi dignidade, familia, casa, filhos e netos, além de um interdito onde eu não posso chegar à 500 metros da minha familia. Fui internado 2 vezes em clinicas, tive 2 convulções, fiquei 7 dias internado na UTI, tudo por causa do alcool.
        Tenho 53 anos e graças ao poder superior que na minha consepção é DEUS e graças ao tratamento feito pelo A.A hoje estou muito bem, não bebo nem sinto vontade de beber”.

        “Evite o 1º gole ele é o gatilho que dispara o tiro da arma e uma vez solta à bala não volta”.

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  5. O primeiro sentimento de qualquer alcoólatra após a bebedeira é com certeza a vergonha do ato da bebedeira. Aquele eterno ponto de interrogação sobre: o que eu fiz ontem? Como eu vim parar aqui (?) Eu acordava todos os dias durante os meus últimos anos me fazendo essa exata pergunta. As vezes acordava no quarto da minha mãe e soubera que ela e minha irmã haviam me arrastado do chão do banheiro até a cama. Elas choravam e pediam para eu “moderar” e que eu podia sim beber, mas moderadamente! Então, no outro dia, após a ressaca … outra bebedeira. Se existe milagre esse eu conheci inúmeras vezes, e de perto. Ao misturar remédios para dormir e antidepressivo com garrafas de vodka, cachaça, cerveja. Ao acordar debruçado no carro querendo saber por onde passei, o que fiz e (se) tinha passado por cima de alguém. Mas eu não era alcoólatra porque eu conseguia ficar alguns dias sem beber e, não passava mal ao ponto de ter abstinência como essas que a gente vê em filmes. Eu era um cara legal, divertido e bêbado. Eu era legal, divertido e meus pais emprestavam a casa para a festa durante a semana nas terças, quintas e domingos, onde a maioria quer descansar porque trabalha. Entre nós era a disputa de quem faltava mais ao emprego ou na universidade. “Era engraçado”. Popular, 20 anos, bonito e bêbado, mas nunca alcoólatra. Eu andava caindo dentro de festas. Batia nas pessoas, urinava no meio da festa, e nossa … Que vida louca, que vida “comercial”. Era só mais uma loucura engraçada para se contar entre o grupinho legal. Os anos foram se passando e eu fui bebendo cada vez mais, cada vez mais ao ponto de me isolar. Fiquei sozinho! Até tinha alguns amigos, mas eu descobri que beber sozinho era melhor. Pois eu não passava vergonha, então eu vivia bêbado em casa porque eu já não tinha vida social. Fedia a vodka, sempre. Quando estava feliz bebia, quando estava triste, bebia também. Tudo era motivo! Minha mãe nunca desistiu de mim, e eu nunca vou me esquecer disso. Ela foi e é meu anjo da guarda. Por várias vezes brigamos, e mesmo sem me olhar na cara e dizer: tu é alcoólatra, vindo da parte dela … Eu sabia que isso causava nela uma preocupação muito grande. Tenho pra mim que ela pensa que foi um período de depressão profunda e que eu me entreguei a bebida. Afinal de contas eu não tenho uma história de 30 a 40 anos de bebida. Eu tenho uma história recente, de alguns anos atrás. Talvez 5 ou mais, mas “pouco tempo”. Como se houvesse tempo para se tornar alcoólatra. Acontece! Seja por pré disposição genética, que seja. Hoje eu sei que tenho uma doença física e mental. Que eu sou alcoólatra e que devo resistir ao primeiro gole. Eu olho para trás e não me identifico como aquele que acordava deitado no chão das ruas, sujo, fedendo e porque eu escolhi. A bebida foi uma saída fácil que eu encontrei de ser alguém que talvez eu pensasse que não era: bonito, inteligente, engraçado, divertido. Eu não sentia nada, eu precisava beber pra não sentir nada. Raiva do emprego que eu não gostava, o fato de não ser atraente como eu gostaria, por problemas na minha família. Tudo era motivo. Eu escolhi e a bebida me escolheu. E depois de tudo isso, toda essa derrota, achar que já era o fundo do poço e ter escolhido ficar por lá … Eu inventei usar cocaína. Meu Deus! Ali eu conheci o meu pior. Mas não fiquei muito tempo pra saber, foi o meu encontro com o meu pior é o meu grito de liberdade. Foi ao usar cocaína, logo eu que sempre fui contra, aí sim … Foi ali que eu vi que a bebida poderia me abrir portas à diversos fundos de poços e foi ali que eu morri e nasci de novo. Agora meus amigos, eu começo a caminhar novamente. Me sinto uma criança que tem inúmeras possibilidades e sou feliz. Eu não vou dizer pra vocês que não sinto vontade de beber porque eu sinto TODOS OS DIAS! Mas eu sou mais feliz sem ela. É como aquele regime que você tem que enfrentar todos os dias. Mas que acostuma (?) Hoje ir dormir sem ter bebido o primeiro copo é tão gratificante pra mim (…) Esses são os meus primeiros 15 dias em anos sem saber o que era ficar sem beber por dois ou 3 dias. E não era por vontade própria, ética e moralmente, era por beber demais ao ponto de ter ressaca de 2 ou 3 dias e depois, beber novamente. Eu sei que vai ser difícil no começo e eu vou ter que me reencontrar novamente. Vou ter que fazer amigos, família e que talvez o vinho ou cerveja dos primeiros encontros com alguém que eu vá sair para encontros não vão mais existir (coragem líquida), que talvez eu me sinta inseguro por achar que aquela pessoa não vá me achar tão interessante ou louco/extrovertido quanto quem eu já fui, mas pelo menos eu sei que vai ter vida, alma e autenticidade ali, não máscaras.

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  6. Eu bebia de vez enquando mais não conseguia sair sem beber parece que não havia graca eu comecei bebê com frequência com 19 ano parei de beber com 22 no começo foi estranho mais depois acostuma e a sensação sóbrio é maravilhoso hoje voltei a beber de novo mas agora eu quero parar definitivo eu acho que foi meus 3 anos sem bebida foi os melhores dias sem contar que sobra muita dinheiro e tempo para fazer outras coisas

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