Um governo interino que age como se não o fosse

Texto escrito por José de Souza Castro:

A Petrobras acena que até o fim deste ano mais da metade do petróleo extraído no Brasil virá dos campos do pré-sal. Em junho, conforme a empresa informou nesta semana, a produção nessa área chegou a 1,24 milhão de barris de óleo equivalente (petróleo + gás natural), ou seja, 40% do óleo produzido no país. As multinacionais do petróleo cobiçam o pré-sal brasileiro e contam com a boa vontade do governo interino de Michel Temer – que tem agido com a desenvoltura de quem não é simples interino.

Coletiva com a Imprensa da Presidência da CNI, Robson braga de Andrade. Foto Miguel Ângelo

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Foto de Miguel Ângelo

Pior: um governo fraco e, por isso, sujeito às pressões. Quanto mais ricos os grupos de pressão, mais as possibilidades de serem atendidos. Talvez até exagerem nessa percepção, como fez recentemente o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade.

Os mineiros o conhecem bem. Eu mesmo tive a oportunidade de fazer-lhe um perfil com base em informações do ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas, Stefan Salej, no livro “O Enigma Salej”. No mínimo, foi apontado como traidor – o que o aproxima de Michel Temer, com quem se reuniu no dia 8 de julho com mais uma centena de empresários do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

Na saída, Robson defendeu, em entrevista, mudanças duras na Previdência Social e nas leis trabalhistas. “No Brasil”, disse o presidente da CNI, “temos 44 horas de trabalho semanal. As centrais sindicais tentam passar esse número para 40. A França, que tem 36, passou para a possibilidade de até 80 horas de trabalho semanal”. Além do retrocesso das 80 horas semanais, citou números errados para justificar o injustificável.

Há 15 anos, a editora Sextante, do Rio, publicou o livro “A Economia do Ócio”, do filósofo italiano Domenico de Masi. Trecho: Continuar lendo

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