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Sem vingança apocalíptica, por favor

Reprodução / Facebook
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Texto escrito por José de Souza Castro:

Um dos artigos mais intrigantes que li nos últimos dias tem como título “A vingança apocalíptica”. Foi escrito pelo físico Rogério Cerqueira Leite, em seu site.

“Hoje estão em consonância no Brasil forças extremas da sociedade, que em tempos mais serenos ficariam em campos opostos. O PSDB abraça os descontentes chantagistas do PMDB, enquanto o vampiresco Eduardo Cunha e sua horda de zumbis dão beijocas no sanguinário deputado Carlos Sampaio”, diz o físico. E após desencadear uma série de questões, vem com a hipótese da renúncia de Dilma Rousseff. Então, a questão maior: o que aconteceria em seguida?

Não haveria mais um inimigo comum – Dilma e PT – a unir a reacionária alta burguesia, a imprensa direitista, a população alienada e a estudantada militante alinhadas para os panelaços. “Vocês já imaginaram a balbúrdia que se instalaria no Brasil? Sem um inimigo comum, um bode expiatório geral? Como iriam comportar-se esses atores tão individualistas, tão egocêntricos da política nacional?”, indaga Cerqueira Leite. E conclui: “Ah, que pena que Dilma não é vingativa. Que pena, mas que sorte!”

Pensando bem, o Brasil tem sorte. Pela própria natureza, o Brasil tem sorte. Tem sorte também porque não é uma ilha isolada do resto do mundo. Mesmo quando tudo parece conspirar para manter o país na ignorância de sua riqueza e de seu potencial humano e econômico, chegam do exterior algumas notícias que não podem continuar sendo ignoradas pela imprensa local.

O caso, por exemplo, das descobertas feitas na Suíça que se tornaram manchete, neste sábado, 10 de outubro, da “Folha de S.Paulo“. Informa o jornal paulista que a Procuradoria-Geral da República recebeu dossiê enviado pelo Ministério Público da Suíça. Ele revela que dinheiro de propina recebida pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB, para viabilizar um negócio da Petrobras na África – a compra de um campo de exploração de petróleo em Benin por US$ 34,5 milhões – foi depositado em contas secretas atribuídas a Cunha e sua mulher, a jornalista Cláudia Cunha.

Dessas contas teriam saído, ao longo de sete anos, recursos para pagamento de despesas pessoais de Cunha e sua mulher no valor total de US$ 1,09 milhão (cerca de R$ 4,1 milhões), incluindo faturas de dois cartões de crédito e de uma famosa academia de tênis na Flórida.

Outra notícia a mostrar que, apesar da roubalheira de alguns políticos, o Brasil tem jeito, foi divulgada pela BBC Brasil: “O número de pessoas vivendo em situação de pobreza extrema no Brasil caiu 64% entre 2001 e 2013, passando de 13,6% para 4,9% da população, segundo dados divulgados nesta semana pelo Banco Mundial.”

Minha tendência é continuar acreditando no futuro do Brasil, apesar dos pesares. Não tenho o conhecimento nem a clareza de um Celso Antônio Bandeira de Mello, professor de direito da PUC-SP e tido como o maior especialista em Direito Administrativo brasileiro, mas concordo com ele em muitos pontos de uma entrevista recente que pode ser lida aqui. Segundo ele, o país não está tão mal hoje quanto no tempo do governo Fernando Henrique Cardoso, em que o Brasil quebrou duas vezes – ou seja, por duas vezes precisou recorrer ao FMI.

Na opinião do jurista, a maior diferença entre os governos tucanos e petistas se relaciona com o comportamento da imprensa, que antes minimizava as dificuldades e hoje as reforça. Nas palavras dele: “Então não estou tão impressionado assim com a situação econômica. É que houve notoriamente uma crise internacional muito grande. A Dilma pegou essa crise. Eu não vou dizer que a administração dela é isso e aquilo, porque não sou político, não estou por dentro, mas, seguramente, não é calamitosa como a de Fernando Henrique. Logo, o que há de diferente? Há que a imprensa resolveu derrubar a Dilma.”

E, se a imprensa for bem-sucedida — ou Dilma resolver se vingar, como imaginou o físico que abre este post — o que aconteceria em seguida? Deixo para a imaginação de cada um.

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

Um comentário em “Sem vingança apocalíptica, por favor Deixe um comentário

  1. Folha de S. Paulo declara guerra a Eduardo Cunha, em editorial, nesta terça-feira: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/10/1693218-sem-condicoes.shtml
    Parágrafos finais:
    “Apegado ao poder como poucos, Eduardo Cunha já afirmou que não vai renunciar à presidência da Câmara. Seus pares, todavia, não podem se acomodar com isso.

    Acuado por gravíssimas suspeitas, Cunha perdeu as condições de zelar pelo prestígio e pelo decoro da Câmara, não tem credibilidade para decidir sobre o impeachment de quem quer que seja e, principalmente, carece de legitimidade para ocupar um cargo que o deixa em segundo lugar na linha de sucessão da Presidência da República.”

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