Quando a técnica suplanta a história

Para ver no cinema: GRAVIDADE (Gravity)

Nota 7

gravidade“Foi complicado gravar no espaço?”, perguntou um jornalista mexicano, durante a coletiva de imprensa sobre o filme “Gravidade”.

Mesmo tendo provocado risos, a pergunta mostra como o filme é perfeito, do ponto de vista de efeitos visuais. Astronautas que viram o filme ficaram encantados com a fidelidade em vários aspectos (embora tenham criticado alguns outros). As imagens do pôr do Sol e da aurora vistos do espaço foram feitas pela NASA de sua estação espacial. E todo o resto foi obtido a partir de muito esforço envolvendo luzes, cabos e coreografia da atriz principal, Sandra Bullock, como é possível ver neste ótimo making of:

O resultado é a impressão de que o filme foi gravado no espaço, de tão realista para nossos olhos leigos. Passar 90 minutos diante dessas imagens é o melhor do filme, na minha opinião. Nos faz perder o ar quando o oxigênio da astronauta está acabando, sentir o calor que ela sente em outra cena, e os trancos que ela sofre quando bate contra os objetos no espaço (ou eles batem nela). É como se estivéssemos, juntos, à deriva no espaço.

Não é à toa, portanto, que o filme concorre ao Oscar de melhores efeitos visuais. E vai ganhar, com certeza. Concorre também em outras categorias essenciais para se obter esse efeito visual desejado: fotografia, edição, design de produção, música, edição e mixagem de som e a direção de Alfonso Cuarón (conhecido por dirigir E sua Mãe também e um dos filmes de Harry Potter). Além disso, Sandra Bullock, que nunca me pareceu boa atriz, foi indicada por uma atuação convincente, trabalhada principalmente em cima de sua respiração — sem a qual o filme teria sido um fiasco, já que ela está sozinha na maior parte do tempo. Foram, principalmente, indicações pelo trabalho técnico feito no filme.

Mas reparem bem: não há qualquer indicação pelo roteiro. A academia deve ter ficado com a mesma impressão que eu: não há história, ou ela é simples demais.

Ok, é uma metáfora, correm pra dizer os fãs do filme. Não se trata apenas da astronauta tentando sobreviver no espaço e chegar sã e salva à Terra. O diretor disse que a temática principal do filme é “a possibilidade de renascer após adversidades”. Sandra Bullock também disse, naquele making of, que a história é sobre “tentar, quando não há nada mais pelo qual se tentar”. Legal, palmas para a poesia, mas ainda assim, senti falta de uma história. Talvez não fosse a principal preocupação de Alfonso Cuarón justamente porque as imagens já nos inundam o suficiente, então o melhor é que o roteiro se mantivesse bastante simples — mas simples demais. As tensões intercaladas pelas quais a personagem passa são típicas dos blockbusters, como se ela fosse a velha Sandra dirigindo um ônibus ao lado de Keanu Reeves. A diferença é que, bem, ela está no espaço sideral. E estamos lá com ela.

De qualquer forma, vale a pena assistir. Está longe de merecer o Oscar de melhor filme — e não acho que vá levar –, mas é um entretenimento de primeira, com imagens fortes, que não conseguimos ver em qualquer lugar. E, se você conseguir levantar boas reflexões a partir do que viu, elucubrando sozinho, o mérito é todo seu, caro espectador.

Leia sobre outros filmes do Oscar 2014:

 

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2 comentários sobre “Quando a técnica suplanta a história

  1. Cris, você foi muito generosa com essa nota 7. Esse filme é chato, chato, chato, chato. Nem as imagens do espaço salvam – sinceramente, não e muito diferente do que já vimos nos livros de ciência e documentários, não é? E o pior é ler as críticas de jornais e revistas que dizem que esse é um dos melhores filmes de todos os tempos, “uma aula sobre fazer cinema”. Não dou nem um ano para Gravidade cair no completo esquecimento e os DVDs e blu-rays irem para as bancas de promoção.

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    • hehehe, é bem possível que vão mesmo parar nas bancas de promoção 😉
      Fiquei em dúvida entre 6 e 7. Mas é que achei a parte de ação blockbuster OK, tipo Velocidade Máxima no espaço hehehe… E os efeitos visuais são demais!
      Daí a falar que é um clássico e que a metáfora é sensacional, acho um exagero mesmo dos críticos.

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