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O papa é pop (e que bom que é assim)

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Há tempos não frequento a igreja e tenho vivido uma vida agnóstica com alguma tranquilidade, praticamente desde meus 15 anos (há quase metade da minha vida, portanto). Mas é claro que não sou doida de ignorar a importância que tem, para o mundo, quem é o chefe da Igreja Católica, a religião ainda mais dominante no Brasil e em vários outros países do Ocidente.

Se eu não gostava do papa anterior (como se lê AQUI e AQUI), posso dizer que este atual, o argentino Francisco, me causou enorme simpatia.

Afora a suspeita de que ele tenha ajudado a delatar duas pessoas, depois torturadas, à cruel ditadura da Argentina – o que ele e vários outros, inclusive um Nobel da Paz negam –, as outras informações que me chegaram sobre ele, até agora, são muito positivas. Defende a tolerância zero aos pedófilos, uma igreja voltada para os pobres (e estamos falando da riquíssima Igreja Católica, que sempre, com raras correntes como exceção, defendeu os mais ricos), tem a humildade de pedir que seus seguidores rezem por ele, antes mesmo de oferecer a primeira benção a eles. Claro que não defende o casamento gay e outras questões do gênero, porque isso seria rasgar 2.000 anos de doutrina daquela igreja – atitude que não espero de nenhum papa pelos próximos 2.000 anos.

Mas, vejam bem, até nas questões do matrimônio e do sexo ele me parece progressista. Vejam o que disse Elio Gaspari em sua coluna da “Folha” de hoje, após ler um livro escrito pelo próprio Bergoglio:

“Pode ser conservador um cardeal que quer abrir os arquivos do Vaticano para que se estude o Holocausto? (…) Em diversas ocasiões critica a conduta da igreja, seu regalismo e a promiscuidade com afortunados que fingem fazer caridade. Propõe tolerância zero para os pedófilos e chama o velho truque de transferi-los para outras paróquias de “estupidez”.

Diz que senhoras emperiquitadas, “vestidas, ou desvestidas”, em casamentos não vão às igrejas para um ato religioso, mas para exibirem-se. Tabela de preços para cerimônias? “Isso é fazer comércio com o culto.” Ao mesmo tempo, reconhece que casais morando juntos antes do matrimônio são um “fato antropológico”. (…)

Não pode ser conservador (seja lá o que isso significa) uma pessoa que diz o seguinte:

“O religioso às vezes chama atenção sobre certos pontos da vida privada ou pública porque é o condutor da paróquia. Ele não tem direito de se meter na vida privada dos outros. Se Deus, na criação, correu o risco de nos tornar livres, quem sou eu para me meter?””

Ontem, ao justificar por que escolheu o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, ele disse querer uma igreja “pobre e para os pobres”. Recusou a limusine oficial (diz-se que ele é adepto do busão) e mostrou respeito aos que possuem outra religião ou são agnósticos e ateus:

“Como muitos de vocês não pertencem à Igreja Católica, e outros não têm fé, dou de coração uma bênção, em silêncio, a todos. Respeitando a consciência de cada um, mas sabendo que todos são filhos de Deus.” (Leia toda a fala dele AQUI).

O papa Francisco, em resumo, é um sujeito que vê a Igreja — e defende isso com unhas e dentes — como um espaço espiritual, despojado, voltado para o combate à pobreza e à desigualdade, que não tem nada o que se meter com questões “antropológicas” da vida privada de seus seguidores, já que há coisas muito mais importantes com que se preocupar.

Esperemos que esta filosofia influencie positivamente o mundo em que vivemos.

***

Quem quiser ler o livro do papa Francisco (até a escolha do nome é bacana e ousada, por instaurar uma nova “linhagem” papal), pode procurá-lo na Amazon, com o nome de “Sobre el Cielo y la Tierra”. O resumo feito por Gaspari pode ser lido AQUI.

 

Mundo Monstro
Tirinha do Adão na “Folha” de 18.3.2013.

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

6 comentários em “O papa é pop (e que bom que é assim) Deixe um comentário

  1. A impressão que o Papa Francisco tem passado ( ao menos para mim) é que ele tem o perfil mais “pastoral”, ou seja, um religioso mais próximo do povo, da simplicidade. Neste aspecto lembra o Papa João XXIII, responsável pelo II Concílio do Vaticano e que tentou promover mudanças na Igreja Católica. ( ao menos na liturgia e em algumas doutrinas)

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  2. Não conhecia o trabalho do Bispo Bergoglio, mas fiquei muito bem impressionado com sua atuação junto a Diocese de Buenos Aires, fazendo com que os religiosos saissem mais às ruas, ouvissem o povo; anda de bus, sempre. Também seus primeiros atos no Vaticano são de impressionar, pois os gestos de simplicidade têm ferrenha oposição do colégio de cardeais. Acho que o Catolicismo dará um importante passo, ao encontro do que foram os primeiros cristãos. Torço por ele e pelos católicos. Ah sim, acertei, com uma semana de antecedência o nome que o novo papa adotaria (estava, e ainda estou lendo o livro “Francisco de Assis”, do espírito Miramez, psicografado por João Nunes Maia). Queira Deus que a Igreja Católica torne a trilhar os caminhos de Jesus.
    Abraços, Cristina.

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