Surpresa!

A mulher estava no ponto de ônibus.

Distraída, contava os táxis que passavam pela rua, pensando em como seria bom ter um dinheirinho extra na carteira para agilizar a volta pra casa.

Eis que alguém chega por trás e, tampando os olhos da moça com as duas mãos, pergunta, como nos tempos de escola:

— Adivinha quem é?

Ela gosta da brincadeira, faz lembrar a infância. Com aquela voz meio rouca, masculina… seria o Pedrão?

— Não, não, passou longe!

Hummm… Humberto?

— Nope.

— Quem será, quem será… Me dá uma dica!

— Vai tentando!

Será que é algum pretendente, alguém que só conheço de vista e que me olha faz tempo, tentando me conquistar? Aiai, eu sempre lerda pra perceber esses sinais — pensa a moça, esperançosa. Chuta um nome do cursinho.

— Não, moça, mais uma chance!

Já com o coração na mão por não ter conseguido identificar alguém tão simpático, e prevendo a vergonha de descobrir o erro, ela fez um último chute, coração acelerado: Juquinha?

O homem, então, retira as mãos e, todo alegre e pimpão, salta na frente da mulher, gritando:

— Não! É o mendigo! 😀

 

 

ser+mendigo+é+ser+feliz
(História fictícia, baseada em fatos reais. Foto apenas ilustrativa. O morador de rua que abordou a moça merece um prêmio, sou fã dele. Se alguém souber quem é, por favor, me apresente a ele 🙂 )

 


Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Avatar de Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

4 comments

  1. Uma menina da minha pós me contou esse caso no ano passado, como sendo de uma amiga dela, acontecido aqui em BH. Outro da esse mesmo caso saiu como uma notinha em uma coluna no Rio, com caracterização em ruas cariocas. Tô desconfianda que isso tá virando já uma lenda urbana.

    Curtir

  2. Eu ouvi esta história aqui em São Paulo também. E depois vi uma garotinha de uns 5 anos contando como piada no Programa do Raul Gil… Acho que é piada mesmo!

    Curtir

Deixar mensagem para Sandrinha Cancelar resposta

Descubra mais sobre blog da kikacastro

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo