Por que terei filho em escola pública

Hoje ouvi “Maria Maria”, do Milton Nascimento, e lembrei que esta foi uma das músicas mais antigas que aprendi de cor.

Eu tinha 8 ou 9 anos de idade quando a Escola Estadual Barão do Rio Branco, onde eu estudava, resolveu fazer uma festa de despedida para a Maria, a servente (ainda se usa esse termo?) mais antiga do colégio, que estava prestes a se aposentar.

Maria era baixinha, enrugadinha, negra, cabelos brancos — ao menos na minha memória.

O Barão tinha costume de promover festas em datas cívicas, nos aniversários da escola e em comemorações como o Dia das Mães, das professoras etc. Eles postavam todos os alunos em filas, no pátio central, hasteavam a bandeira, cantavam o hino nacional, e tinha sempre a turminha que gostava de apresentar poemas e peças de teatro (como eu).

A aposentadoria da Maria foi um evento à parte. Não era 7 de Setembro, nem 90 anos do Barão: era a aposentadoria da senhorinha da limpeza, que eu, até então, não conhecia.

Mas as professoras do Barão nos fizeram decorar “Maria Maria”, do Milton Nascimento, para cantarmos, em coro, pátio lotado de crianças, no dia da festa.

(A festa era surpresa!)

E ainda pediram que levássemos produtos de cesta básica e presentes, que eles embrulharam com carinho e arrumaram em várias cestas, para presentear Maria.

Depois que todos cantamos as quatro estrofes, lembro que fui lá na varanda, onde estava Maria, e recitei um poema que fiz para ela (estou triste porque não consigo mais encontrá-lo). Também teve discurso da diretora, de professores e outras apresentações de alunos.

E, no final, com ela já toda emocionada e chorando, aplaudimos de pé Maria.

Lembrei disso tudo hoje, enquanto ouvia a música.

E fiquei feliz por ter estudado no Barão.

Há quem diga que o ensino público do Brasil é um lixo. Pode ser. Tive muitas greves e entrei no ensino médio sem saber nem o básico de geometria, por exemplo. Mas a melhor professora de português que tive na vida foi do Barão (a Beth Gressi, por três anos seguidos). E foi lá que aprendi a fazer poesia, a escrever peça de teatro, a organizar as coisas, com os poucos recursos disponíveis. E convivia com gente de todas as camadas sociais, cores, idades, condições de vida. Não era uma redoma de vidro, uma bolha, como alguns colégios que existem por aí.

E via todos os alunos e professores e demais funcionários da escola aplaudindo, de pé, reunidos no pátio, após o hino nacional e um coro de vozes do Milton, a servente Maria.

Por isso, não importa o que digam. Se um dia eu tiver filhos, vou colocá-los em escola pública. Porque o que eu aprendi no Barão é muito mais importante que matemática e português. Aprendi a aplaudir Maria 🙂

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24 comentários sobre “Por que terei filho em escola pública

  1. E certamente há contemporâneos seus que odiavam o Barão e até talvez sua professora. Eu nunca estudei em escola pública, e meu filho não estuda. Mas tive dois professores de Português fantásticos e alguns outros de outras matérias que também se destacam em minha memória. Tenho uma dezena de amigos da época de escola, que são amigos até hoje, de nos vermos com a frequência que um dia a dia atarefado e com filhos (na maioria dos casos) permite. Seu(ua) filho(a) pode dar o azar de não ter a mesma experiência boa que você teve, assim como meu filho pode, se um dia eu puder pagar a cara mensalidade da mesma escola onde estudei, não ter a mesma sorte que eu tive. Até porque as chances diminuem, já que eu tive a mesma sorte do meu pai, exatamente na mesma escola. Sim, ele tem vários amigos até hoje que estudaram com ele há cerca de cinquenta anos. Inclusive o tio da minha mulher. Em suma, o mais importante não é a escola em si. São as pessoas, os corpos docente e discente (esta última palavra aprendi quando um professor de Matemática na sexta série, outro excelente professor, ditou um comunicado aos pais por causa de alguma coisa que ocorreria na escola em poucos dias).

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    • Bom, nem entrei no mérito dos amigos. Até porque eu fiz muitos amigos no Barão, mas que foram se afastando com o tempo, depois que mudei de escola, no ensino médio. E fiz muitos amigos no Colégio Sato Antônio (escola particular onde estudei no EM) e eles continuam na minha vida até hoje. Mas poderia ter sido o contrário. Amizade depende de outras coisas. Da faculdade, por exemplo, que foi mais recente, ficaram poucos.

      Sobre o corpo docente, há bons e maus professores em todos os tipos de escolas, públicas ou privadas. Também foi o que eu quis dizer ao destacar a professora de português (com o detalhe de que me tornei jornalista) e o mau ensino de matemática (que é o ponto fortíssimo do Santo Antônio, e me tornei razoável em exatas depois).

      O que eu destaquei com esse post, que acho que será sempre verdade, é que nas escolas particulares as crianças estão em redomas e, nas públicas, têm contato com uma diversidade muito mais rica e mais próxima da sociedade em que vão viver depois.

      E é essa experiência que quero para meus filhos, porque acho ela mais importante do que o professor bom ou ruim (que pode ser compensado com os livros em casa e que será encontrado em todo tipo de escola) e do que os amigos (que serão feitos em qualquer lugar, de todo modo). Ou tão importante quanto.

      Não precisa nem estudar em escola pública a vida inteira, como meus irmãos. Já acho válido se estudar até o ensino médio, como eu fiz. Também achei maravilhoso estudar no CSA, que é um colégio muito bacana, de qualidade, sem pessoas frescas, que valoriza muito os professores (ao menos no meu tempo; dizem que mudou muito). Enfim, o legal é aproveitar o melhor de cada um desses universos. Espero que eu possa achar um Barão e um CSA para meu filho, se eu tiver um.

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    • A redoma tem também um lado bom. Por exemplo: se seu filho for visto como “riquinho”. Mesmo que não seja; pelo simples fato de ter uma “condição social” (odeio essa expressão, mas é a melhor que consegui achar para definir o que quero dizer, embora não seja exata) “melhor” que a maioria dos outros. Afinal, na imensa maioria das escolas públicas não é preciso ser nenhum milionário para ter, digamos a maior renda familiar da escola. Isso não é algo a se depor necessariamente contra a escola pública, mas contra a classe média, que fugiu das escolas públicas a partir dos anos 1980 principalmente. Isso significaria o famoso bullying contra o seu filho. Não digo que vá acontecer, mas digo que é uma possibilidade que não é tão pequena.

      E outra coisa sobre a “redoma” é que ela não precisa ser como a gigantesca maioria dos pais de crianças em escolas particulares fazem. Uma coisa é ter a “redoma” na escola; outra é tê-la também em todos os outros aspectos da vida. Eu vivi quase toda minha infância e adolescência em um condomínio fechado, e consegui escapar da “redoma”, porque meus pais (especialmente meu pai) nunca deixou de me levar para passear pela cidade, de Metrô, mesmo (sinto falta de ter andado mais de ônibus quando eu era criança e adolescente; de trens da Fepasa e CBTU, então, nem falo, mas eram particularmente perigosos quando eu era criança e adolescente). Mas nunca me senti numa “redoma” e procuro não deixar meu filho em uma, a não ser aquela própria para a idade dele. Mas só o fato de levá-lo para a escola pela CPTM uma vez por semana já demonstra essa intenção.

      Então, o negócio é avaliar caso a caso. Não escolher uma escola pública só porque ela é pública, mas, sim, pelo que ela pode oferecer. Se uma escola particular oferecer mais em todos os sentidos, não há por que não escolhê-la, mesmo que isso signifique que seu(ua) filho(a) não estudará um únic dia letivo numa escola do governo.

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      • Bom, quando eu tiver um filho, o que ainda deve demorar bastante, vou poder pensar em tudo isso. Até porque ele vai demorar uns 5 ou 6 anos até entrar na escola, né?
        Mas realmente eu não queria uma escola pública qualquer, nem uma particular qualquer. Queria um Barão e um CSA na vida do meu filho 😀 Queria acertar como meus pais acertaram comigo e com meus irmãos 😉
        Isso que vc falou de andar de busão desde criança, conhecer a cidade, conviver com todo tipo de gente, é o mais importante para a educação. Meus pais também fizeram isso com a gente (eu voltava de busão da escola, sozinha, com uns 10 anos. Meu irmão, com 6, já voltava sozinho). Por exemplo, a gente que fazia a faxina de casa, num revezamento de tarefas, todos os dias. E nunca ganhamos mesada, mas era comum a gente ajudar em algum trabalho (por exemplo, eu transcrevia fitas pro meu pai), em troca de um dinheirinho. Acho isso tudo ótimo e eu espero fazer o mesmo.
        Acho uma pena ver criança que só vive da casa pra escola particular pro shopping, sem oportunidade de conhecer o mato, a roça, a praça, o parque, as ruas.

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  2. Cris, concordo com tudo que você escreveu e com suas lembranças do Barão do Rio Branco. Mas esta não era uma escola pública qualquer. Para conseguir vaga lá, era preciso passar a noite na fila, como fizemos por duas vezes, pois as inscrições eram feitas por ordem de chegada dos pais e havia muito menos vagas do que candidatos. Belo Horizonte tinha naquele tempo algumas escolas públicas assim, como o Colégio Marconi (onde dois de seus irmãos estudaram) e o Instituto da Educação, em que dois deles também estudaram no primeiro grau ou no segundo. O Santo Antônio era uma das melhores escolas privadas e havia um concurso para entrar lá. Você não era tão despreparada em matemática, pois passou nesse concurso muito disputado. Valeu a pena pagar as mensalidades, pois saindo dali você passou direto no vestibular da UFMG, outra escola pública muito concorrida. Mas teria passado do mesmo jeito, como dois irmãos mais velhos que só estudaram em escolas públicas – como os pais. Ou seja, uma família privilegiada (e com muitas Marias, por gerações seguidas).

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      • Mas acho que escola pública não é mais o que eram. Quando eu era menino, no interior de Minas, ouvia dizer que fulano não precisava trabalhar, porque era marido de professora. E não trabalhava mesmo. Servente de grupo escolar era também um cargo cobiçado. A professora de grupo escolar era nomeada pelo governador. Filhas de chefes políticos do interior que faziam curso de normalista tinham preferência nessas nomeações. Os prédios escolares eram construídos com capricho, como o velho Barão do Rio Branco. Isso não é do meu tempo, mas pobres não costumavam frequentá-los. Nesse aspecto, houve grande avanço, e você o captou bem em seu texto, Cris. Sua escola representava de fato a sociedade brasileira, com alunos vindos tanto da favela do Acaba Mundo como das casas de classe média da Savassi, convivendo sem maiores problemas, embora sem igualdade verdadeira. Por outro lado, o salário dos professores públicos decaiu muito em todo o país, mas sobretudo em Minas. Não faz muito tempo, um levantamento mostrou que os mineiros estavam em 18º lugar no ranking dos salários dos professores das escolas públicas estaduais. Fosse hoje, pensaria duas vezes antes de matricular meus filhos em escolas públicas.

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      • Meu bisavô já apontava muitos dos problemas no livro A Crise Brasileira da Educação, que ele escreveu em 1933. O foco dele eram as escolas rurais, mas ele não parava por ali. Não digo que ele tenha previsto a decadência da escola pública ao longo do último século, mas certamente ele alertou sobre alguns dos aspectos que contribuíram para essa derrocada. Mas, como no Brasil a educação tem prioridade mínima, não é nada surpreendente.

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      • Salário de professor é indecente. Assim como são os investimentos em estrutura dos prédios e classes, dos equipamentos e das merendas. A impressão que dá é que educação está no último lugar da lista de prioridades dos governos.

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  3. Ia falar o que o seu pai falou ali em cima, o Barão é (era?) uma exceção enorme no universo das escolas públicas, meus pais precisaram apresentar o comprovante de residência de uma tia do meu pai que morava ainda mais perto de lá (isso que nós morávamos na paulo simoni aquela época) para que eu e minha irmã pudéssemos fazer matrícula, ou senão corríamos o risco de ir pra que funcionava no predio da fafich (que não era tão boa). A cerimônia da Maria também foi marcante pra mim, assim como tomar dois ônibus pra voltar pra casa com sete anos (com minha irmã de oito), e também vender brigadeiro para juntar dinheiro na quarta-série (isso que comprava todos os ingredientes com o dinheiro que ganhava e fazia eu mesma, sem ajuda da minha mãe – lembro até hoje o baque financeiro que foi quando o leite condensado passou de R$0,99). Ai nostalgia.

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  4. Oi, Cris.

    Bom, eu já estive nos dois lados tanto na condição de aluno e professor: estudei em colégio particular e público e já lecionei em colégio particular e público.

    Existe uma ideia radical e um tanto generalizada de que o ensino da rede pública é péssimo e o da rede particular é ótimo, o que não é verdade, afinal há “escolas e escolas”. E mestres e mestres – nunca me esquecerei de alguns dos meus professores tanto da escola particular quanto da escola pública! Na rede pública os professores têm maior autonomia para trabalhar não apenas conteúdos específicos de suas disciplinas, mas também colocar em prática a tão decantada interdisciplinaridade – se colocam em prática ou não é outra história, não vou alongar o assunto neste momento; já na rede particular o conteúdo é mais “fechado”, há programas e prazos mais rígidos por conta, também, do vestibular. Não que na rede particular não exista esse trabalho interdisciplinar, mas falta justamente uma abertura maior – e por conta disso, talvez, a dificuldade em manifestações mais espontâneas como uma homenagem a uma merendeira, uma servente, um porteiro. Ou mesmo a um professor que depois de anos naquela escola finalmente conseguiu a aposentadoria. ( eu digo “finalmente conseguiu” porque vejo exemplos aqui pelos lados da BA em que a secretaria de Educação trata com tanto descaso o profissional do magistério que até perde os processos no meio de tanta burocracia e ineficiência)

    E até pelo fato da escola pública trabalhar com parcerias da comunidade envolvendo projetos culturais temos desta forma uma escola mais “aberta” a diversidade. Nas melhores escolas públicas, aliás, é esta parceria que auxilia bastante na qualidade de ensino, no combate à evasão escolar e questões ligadas às drogas, violência, bullying, etc. E se repararmos bem, algumas ideias inovadoras passam primeiro pela escola pública – o uso de tecnologias da informação e comunicação na educação, por exemplo: fiz parte de um projeto de informática e inclusão digital nas escolas que foi objeto de pesquisa e elogios de algumas universidades como a UFRJ. Pena que por questões políticas-partidárias ( troca de secretários, prefeitos, etc) o projeto mudou sua metodologia e objetivo e aí “caiu no lugar comum”.

    E é uma pena também que a Educação em nosso país não seja prioridade e nossos governantes sempre apareçam com a velha desculpa de “restrições orçamentárias” quando se fala em investimentos no setor. Aqui na Bahia os professores da rede estadual estão em greve há 20 dias reclamando apenas que o governador cumpra a Lei do Piso Nacional do Magistério que prevê o pagamento da “fortuna” de R$ 1.451,00 – e o governador, um ex-sindicalista, imediatamente coloca a categoria na Justiça ( a greve foi considerada ilegal) e corta o ponto dos grevistas.

    É assim que professor é tratado. É assim que a Educação pública é tratada. Estamos desperdiçando excelentes oportunidades todos os dias. É lamentável! 😦

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    • É isso aí, Groo. Concordo com tudo o que disse.
      E se os professores tivessem mais estímulos, talvez a escola pública de hoje fosse muito melhor do que já era a boa escola pública do tempo dos meus pais.
      Vc tocou em outro ponto importante: o quanto as escolas privadas tendem a se focar 99% nos vestibulares, mais do que em outras necessidades de ensino, aprendizagem e educação. Por uma razão simples: querem se destacar nos rankings de aprovação e angariar mais alunos, aumentar as mensalidades e mater o negócio.
      Boa lembrança.

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  5. Oi, Cris. Também estudei em escola pública até a quarta série. No Instituto de Educação. Tenho boas lembranças de alguns bons professores, das leituras semanais na biblioteca, da banda de música. Mas, sinceramente, não sei se a escola pública ainda é assim, como na época em que estudamos. Acho que algumas sim, outras não. E também não faço ideia se meu filho vai estudar em escola pública ou privada. Ainda não pensei nisso. Queria ter toda essa convicção que você tem. Mas queria dizer também que nem toda escola privada é uma redoma de vidro, uma bolha. Como você vem do mesmo colégio que eu, pode confirmar ou refutar. Aprendi muitas coisas no Santo Antônio. Não só matemática e geografia e todas as outras matérias mais, nas quais eles são (ou eram, não sei se continuam) fortíssimos. Aprendi muitos valores franciscanos também. Para começar, em quase todos os anos, da quinta ao terceiro ano, tinha bolsa para estudar lá. Ou seja, tinha também gente de classes sociais variadas. É claro que não classe D e E, mas média baixa tinha. Fui do grêmio, do jornal,. Fui cobrir o Fórum Social Mundial para o jornal do colégio. Fui a uma tribo indígena do norte de Minas onde as pessoas andavam 6km para beber um copo de água e eu nem sabia que lá tinha índio. Fizemos festivais de tortas para construir cisternas. Fiz os meus melhores amigos. Aprendi a ser mais crítica com as aulas da Nina. Enfim, se tem uma coisa da qual me orgulho na minha vida é de sempre ter aproveitado muito todos os círculos nos quais me inseri, principalmente o colégio e a faculdade. E como quero que os meus filhos estudem também em faculdade pública, não apenas por causa da gratuidade, mas por causa da formação diferenciada, provavelmente, eles terão que estudar em escola privada. Principalmente porque nosso sistema de entrada na faculdade é muito disciplinarista e competitivo e a lógica é inversa: escola pública – universidade privada; escola privada – universidade pública. Já não tenho tanta confiança na escola pública como quando eu estudei. Claro, não estou falando de Coltec, Cefet, ensinos técnicos federais. Estou falando de educação básica municipal e estadual. Não sei em São Paulo, que deve ser um pouquinho melhor, que nem Brasília é um pouco melhor. Por outro lado, participei do programa Jovens Senadores, com os ganhadores do concurso de redação do Senado e me surpreendi com os meninos. Enfim, é o que eu disse no início, acho que tem escolas públicas boas e ruins, mas isso, infelizmente ainda fica muito a cargo do diretor, dos professores, sem um controle de qualidade padrão. Por isso, acho difícil que eu deixe meus filhos a vida inteira na escola pública. A propósito, por que você saiu no ensino médio?

    Desculpe a confusão de ideias. Foi uma catarse de alguém que nunca parou para pensar sobre isso. Mas acho que dá para contribuir um pouquinho com a discussão.

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    • É, o CSA era um colégio privado diferente. Concordo com tudo isso que vc disse sobre ele.
      Eu saí no ensino médio porque o Barão ia só até a 8ª série, daí eu teria que sair de qualquer jeito de lá. Meus irmãos estudaram no ensino médio no colégio Marconi, que tb é público. Mas minha mãe tinha um sonho de ter algum filho no CSA (especificamente lá) e, na minha época, ela já tinha como pagar a mensalidade para mim, então acabei sendo a privilegiada da família (não que tenha feito diferença porque, como disse meu pai, meus irmão também estudaram na UFMG, mesmo passando a vida inteira em escolas públicas).
      Na verdade, o que eu queria com esse post é mostrar para as pessoas que existem ótimos colégios públicos, como o Barão, e que é possível aprender milhões de coisas lá, que vão muito além do currículo do MEC.
      Eu queria ter o privilégio de encontrar Barões e CSAs para meus filhos estudarem, como eu.
      bjos (P.S. Volte sempre para comentar! :D)

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  6. Lindo texto, Cris. Fez-me relembrar vários momentos que passei em meus oito anos na Escola Estadual Luiz de Mello Vianna Sobrinho, em Conselheiro Lafaiete, minha cidade natal. Alguns instantes que passei lá vão me acompanhar para sempre. Posso estar sendo saudosista, mas acho que havia mais união, mais envolvimento. E a questão dos “poucos recursos disponíveis” era um combustível para a criatividade e a superação. Bons tempos!

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  7. Oi Cris,
    Achei seu blog justamente porque digitei no google “criança que sai da escola particular pode escolher em qual publica vai estudar?”. Aí, veio seu link
    Isso porque tenho gêmeas de 9 anos e desde os 4, estudam em escolas privadas. Quando elas nesceram, já comecei a pesquisar escolas nas quais gostaria de matriculá-las.
    Dentro do que eu posso pagar, elas foram para a melhor.
    Hoje, elas estão na 4º serie. São inteligente. Usam o site de lógica “racha cuca” com facilidade, fazem gráficos de pizza e barras como profissionais, mas um dia, resolvi passar contas simples de multiplicação e divisão e aí a surpresa… elas têm dificuldades sérias nestas questões. Tabuada? Eles têm uma ficha de consulta porque, para eles, a criança decora ao consultar muitas vezes. Quase morri qdo soube disso.
    Aí comecei a explorar o conhecimento delas e vi que não conjungam verbo, não sabem as preposições, verbos de ligação e outras coisas simples, que o método tradicional, adotado pelo ensino público, explora e cobra.
    Lembro que para essas coisas tinha sempre uma musiquinha, que lembro até hoje e que na época, era decisivo pra que eu fixasse a informação e me desse bem nas provas. As professoras, faziam nos sentir responsáveis pelo nosso desempenho. Isso ajudava a amadurecer.
    O tal socio-construtivismo, o método associativo e outros métodos adotados pelo ensino privado, está preocupado em formar alunos prontos para fazerem o ensino fundamental, médio e faculdade, dentro da mesma instituição, como é o caso do objetivo, onde minhas flhas estudam. Com certeza, se ficarem lá, passarão em primeiro lugar no vestibular da faculdade do objetivo, mas não se classificarão numa USP, PUC ou Mackenzie da vida. É a regra do negócio.
    Pesquisei demais, conheci diversas escola privadas e seus métodos e decidi deixar o preconceito de lado e resolvi conhecer a publica de hoje e me surpreendi com o que vi. Projetos sociais incríveis, em que o aluno só participa se tiver bom desempenho. Fanfarra e outras atividade que fazem com que o aluno busque destaque para fazer parte. Instalações modernas e bem cuidadas (embora não luxuosas), professores realmente preocupados com o ser humano e não com o lucro que aquele aluno dá.
    É importante frisar que o ensino público não é de graça. Nós pagamos por ele e não pagamos pouco não. Como posso cobrar do governo melhor escola, se meus filhos nem estão lá? Como posso medir se é bom ou ruim, se nunca experimentei? E como o governo vai se tocar que precisa melhorar, se a classe formadora de opinião tá toda em escola privada?
    Decidido! As minhas vão para a pública em 2013 e a grana que vou economizar vou usar para o ingês, aulas particulares, esportes e vou guardar dinheiro para um intercambio ao final do EM. Acho que assim, elas irão realmente evoluir em seus conheciomentos e amadurecer como seres humanos.

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    • Muito legal, Aline!
      Acho que existem prós e contras em cada situação, mas o importante é que você fez seu papel de mãe, pesquisou e concluiu o que é melhor para a formação das suas filhas. Não só a formação para passar no vestibular, que acho que é o foco principal das particulares, mas formação para a vida. Tive essa formação na escola estadual onde estudei e me sinto muito grata por ela. Se você oferecer às suas filhas fácil acesso a livros, formação complementar em inglês e acompanhar o desenvolvimento delas na escolas pública, tenho certeza que serão excelentes alunas, universitárias, profissionais e, sobretudo, pessoas.
      Boa sorte!
      bjos

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      • Essa certeza a gente nunca tem Cris. Digo, a certeza de estar fazendo o melhor. Porém, qdo escolhi para onde elas iriam, achei que estava fazendo o melhor e percebi que não rolou. Resolvi tentar o inverso e se tmb não rolar, vou procurar novas alternativas. Só não vou pecar por omissão.
        Não vou mentir, as vezes me sinto frustrada, porque sei que existem particulares perfeitas, mas estas são muito caras e não posso pagar.
        Neste caso, entre a particular barata, que já constatei não ser a melhor opção e a pública, que sou fruto dela, resolvi experimentar.
        Acredito que crenças, status, não fazem pessoas melhores… atitudes fazem. É isso que espero que minhas filhas aprendam e pratiquem, independente de qualquer outra coisa.

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      • O importante é que não vai pecar por omissão. Errar, todo mundo erra. É imprevisível… Pode ser que elas achem uma excelente escola pública, pode ser que não. Depende até dos professores da vez, dos coleguinhas. Mas partir da premissa de que é pior só por ser pública, nós já discordamos, né. abraços

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