Cachorro é melhor que gente

O vídeo acima já é um viral, com mais de um milhão de acessos, e só fui assistir hoje.

Mostra a recepção calorosa do boxer Chuck quando vê seu dono, um soldado que estava fora do país por oito meses.

É emocionante!

Me fez lembrar minha cachorrinha, Kika, que estava meio doentinha quando fui morar longe de casa, por cinco meses, aos 14 anos — e piorou no período.

Quando voltei, ela melhorou bastante, mas um mês depois fui à praia, por 15 dias, e ela sentiu novamente o baque de me ver longe. Ou assim imagino, porque quando voltei da praia ela já estava quase morrendo e nada que eu fizesse ajudava a recuperá-la desta vez.

Kika, a cachorrinha mais inteligente do planeta.

A Kika era genial. Bastava pegarmos a coleira ou falarmos a palavra “coleira” ou “passear”, e ela já ficava como louca, latindo e pulando, alegríssima. Como o Chuck do vídeo.

Se nos via mexendo nos baldes, por outro lado, escondia-se sobre a cama de casal dos meus pais, bem no fundo, e cravava as unhas no chão para evitar que a pegássemos para o banho.

Com a palavra “caminha!”, já se encaminhava, sonolenta, para o “quartinho” (a área em frente ao elevador) e já deitava na caixa que era sua cama, onde já havia uma toalha para ajudar a esquentar.

E ela entendia dezenas de outras palavras, mesmo sem nunca ter tido um adestramento formal.

Quando passávamos o dia fora, ela nos recebia aos latidos, alegríssima. Detalhe: percebia que a gente tinha chegado a uma distância de cinco andares! A gente ouvia os latidos da garagem!

Como todos os inteligentes, era um bocado rebelde, e não concordava quando a prendíamos  na área de serviço na hora do almoço, por exemplo. Afinal, era super esganada e adorava devorar todas as sobras de almoço possíveis — especialmente os ossos de frango, que engolia de uma vez só!

Eu poderia escrever um livro inteiro só com as histórias dela, que são muitas e muito emocionantes.

A querida Kikinha viveu 10 anos e era minha melhor amiga. Até hoje, passados mais de dez anos de sua morte, ainda tenho saudades. E era “só” uma cachorrinha… Nunca mais quis me envolver com um cachorro da mesma forma, com medo de repetir o sofrimento da perda.

No dia em que ela morreu, eu estava atrasada para a aula e não dei muita atenção ao fato de ela estar quase rastejando ao sair da caminha. Me arrependo até hoje de não ter matado a aula naquele dia e ficado com ela em suas últimas horas, fazendo o cafuné atrás da orelha de que ela tanto gostava.

Depois que fui para a escola, ela se arrastou até debaixo da minha cama, para onde nunca ia em situações normais. Foi o lugar que escolheu para morrer — e não acho que tenha sido uma escolha aleatória.

Foi a última demonstração de carinho da Kikinha para mim, feita com a inteligência de sempre.

Ao contrário dos seres humanos, que são rancorosos, egoístas, estúpidos e, muitas vezes, cruéis, os cães perdoam todas as nossas falhas e só se preocupam em nos fazer bem. Os gatófilos que me desculpem, mas nada se compara à lealdade e ao amor dos cães. Que saudade!

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12 comentários sobre “Cachorro é melhor que gente

  1. Max. Bom nome para o cachorro. Me lembrou do Mack, o vagabundo filósofo de “A Rua das Ilusões Perdidas”, de John Steinbeck (quem não leu, devia ler), apaixonado por uma cadelinha que ganhou de um fazendeiro que, no começo, só queria lhe dar uns tiros, por furtar rãs em seu açude, mas depois ficou amigo dos vagabundos. Mack seria um amigo que todos gostaríamos de ter – mas esses amigos só costumam existir nas boas ficções. A Kika realmente é inesquecível, Cris. Mas você teve outra cachorra de quem gostava muito, se esqueceu?

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      • Sim, a Yoko vivia na chácara, a 50 km, e íamos lá uns quatro dias por mês, se tanto. E você adotou a Kika quando tinha uns sete anos de idade e ela uns três meses. Uma cachorrinha maltratada. Quando chegou aqui, tinha mais de cem carrapatos no pelo e estava infestada também por pulgas. Menor abandonada, coitada. Graças aos seus cuidados, se tornou aquela bela maltês. Se bem me lembro, essa primeira foto é de quando ela já estava enfraquecida, tristonha, pouco antes de morrer. Bem diferente daquela Kika feliz que conhecíamos…

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      • Pois é, e ela morria de medo de vassoura, lembra? Não podia ver uma. Acho que batiam nela com vassoura antes de ela ir lá pra casa 😦
        Pra tirar o trauma, eu fazia carinho nela com os pelinhos da vassoura, bem devagarinho, até ela se acostumar.
        Pena que custei a ter câmera digital, porque eu queria ter mais fotos da Kikinha… Tenho poucas.
        Vou acrescentar ao post uma coisa importante sobre a esperteza dela!

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  2. Você está em boa companhia, Cris. Veja esta notícia sobre a primeira mulher a comandar o New York Times:

    “Jill Abramson gosta de cães. Desde que assumiu o cargo de editora-executiva do New York Times, em novembro passado, o número de vezes em que cachorros apareceram nas páginas do diário aumentou 45%. A curiosidade foi descoberta por Ron Howell em artigo publicado na Columbia Journalism Review [23/3/12]. O professor de jornalismo do Brooklyn College fez uma pesquisa no banco de dados do jornal e chegou à conclusão que artigos contendo palavras que tenham “dog” como raiz – podia ser “dogs” ou “doggie”, por exemplo – aumentaram de 230 no período de novembro de 2010 ao fim de fevereiro de 2011 para 337 de novembro de 2011 para o fim de fevereiro de 2012 (os quatro primeiros meses de Jill no comando no diário).”

    Íntegra aqui: http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed688_o_aumento_da_cobertura_canina_no_new_york_times

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  3. Cris, você é que nunca foi veterinária para ver o olhar agradecido de um cão por você ter-lhe salvo a vida. Chamamos de cão, e não cachorro, a estes animais de estimação, para não maculá-los, merecedores que são do nosso mais alto respeito. Nos cães, principalmente, aprendi Cirurgia, Anatomia, Farmacologia e a Clínica veterinárias e muita coisa para a vida. São as utilidades ocultas que eles apresentam.

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