Melhores livros de 2013

Continuando uma tradição deste blog, segue uma lista dos 8 livros mais divertidos deste ano:

contos-de-amor-de-loucura-e-de-morte-horacio-quiroga_MLB-F-200347850_3114 Contos de amor, de loucura e de morte, de Horácio Quiroga, 208 págs. 15 contos sensacionais, cheios de suspense, tensão e com personagens inusitados, que marcam a gente para sempre. Leia mais sobre ele AQUI.

200x200_852092803XA Vida como ela é…, de Nelson Rodrigues, 533 págs. Cem contos, com mil diálogos, começo-meio-e-fim encaixadinhos, quase comportando uma vida inteira, além de personagens muito complexos, que geralmente passam por situações de casamento, traição e muita amargura (embora não sem boa dose de humor). Gírias, expressões e estereótipos que, embora sejam do Rio dos anos 1950, ainda são atuais (infelizmente) até hoje. Mais sobre ele AQUI.

mortesubitaMorte Súbita, de J.K. Rowling, 501 págs. Foi o primeiro romance adulto da autora que ficou famosa pela criação da saga de Harry Potter. Conta a história de um político do povoado de Pagford que morre, e o que se desencadeia a partir dessa morte, com o relato de vários dramas humanos que se entrelaçam. É um retrato bastante trágico da vida em uma cidade pequena, muito seco, com poucos respiros de humor, mas muito bem escrito. Pode ser comprado a partir de R$ 23.

O generalíssimo e outros incidentes, de Joel Silveira, 236 págs. Livro que relata reportagens feitas por Silveira, além de contos que ele escreveu. É muito raro e, ao que parece, parou de ser publicado desde a edição de 1987. Hoje só é encontrado em sebos, reais ou virtuais, como ESTE.

gabo

Eu não vim fazer um discurso, de Gabriel García Márquez, 127 págs. São 21 discursos que o prêmio Nobel fez, que tratam das agruras da América Latina, do ofício apaixonante de jornalista, da literatura e de figuras públicas, mais ou menos conhecidas. Mais sobre ele AQUI, AQUI e AQUI.

maomisteriosa

A Mão Misteriosa, de Agatha Christie, 223 págs. Fazia tempo que eu não lia um livro da Dama do Crime, que sempre adorei. Já devo ter lido mais de 30 e, nos últimos tempos, eu estava sacando muito facilmente o estilo dela e identificando de cara o assassino. Não foi o que aconteceu neste livro, muito divertido, sobre como cartas anônimas provocaram um rebuliço em uma cidadezinha inglesa. Pode ser achado por a partir de R$ 11,60.

leminskiToda Poesia, de Paulo Leminski, 421 págs. Estou devendo um post mais completo sobre essa obra maravilhosa, que só ameacei fazer AQUI. Leminski tem um domínio da língua portuguesa que é de tirar o fôlego, e possibilita que ele brinque com as palavras, os sentidos e os significados de uma maneira surpreendente. Outra coisa maravilhosa é como sobra humor nos versos, mesmo que às vezes eles tenham um quê de depressivo ou um cinismo em relação à vida e ao amor, por exemplo. Cada poeminha faz um movimento de chave girando e, no final, chego a ouvir o estalo que dá no meu cérebro, de encaixe perfeito. Coisa de gênio, que senti poucas vezes na vida. A vontade é sair sublinhando os melhores versos, ou marcando as melhores páginas, mas aí o livro ficaria todo manchado de caneta marca-texto. Para ler e reler a vida toda. Pode ser achado por a partir de R$ 25,90.

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O Cisne de Prata, de John Banville, 319 págs. O autor escreve de um jeito tão detalhista, e tão bom em figuras de linguagem e comparações inusitadas, que nos transporta para a cena como se estivéssemos vendo um filme. Os personagens são muito bem construídos e a trama, com mil vai-e-vens, fora da ordem cronológica, constrói um suspense muito bom, com mistérios que só vão ser revelados, literalmente, nas últimas três páginas. Mas o mais legal é que não é o assassinato (ou acidente? ou suicídio?) que é o mistério principal da trama. O que mais nos prende é querer saber quem são, afinal, aqueles personagens. Quem é o homem da cabeleira prateada, o indiano de pele escura e a menina Deirdre (ou Laura Swan)? Pode ser achado por a partir de R$ 22,79.

Leia também:

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Como funciona minha desmemória (para os cientistas e quem possa se interessar)

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Ontem comentei aqui sobre minha desmemória. Já falei disso em alguns posts, a pinceladas, mas nunca me aprofundei. Acho que porque eu mesma não entendo muito bem como minha memória funciona, só sei que ela é bem atípica. Para algumas coisas, como números e endereços, ela chega a ser espantosamente boa. Mas para outras, mais importantes, como rostos, nomes e acontecimentos, ela é terrível.

Já cheguei a deletar pessoas inteiras da minha vida — com direito a tudo o que vivemos juntos –, a ponto de ver várias fotos ao lado daquela pessoa e não saber ao certo qual era o seu nome. Por outro lado, lembro de uma vez que minha avó me pediu para guardar um telefone, que ela ligaria para a pessoa dois minutos depois. No dia seguinte, recém-acordada, ouvi do quarto minha avó falando em outro cômodo que não tinha anotado o telefone que tinha pedido pra eu guardar na véspera e precisava dele. E eu gritei todos os números, um atrás do outro, certinhos, guardados até 24 horas depois…

Se fosse pra fazer um desenho da minha memória, faria em forma de várias gavetas simetricamente organizadas, mas com sistema de autolimpeza, tipo descarga ou liquidificador. Elas até guardam bem e de forma metódica, mas de repente se esvaziam sem deixar vestígios, caso meu cérebro decida que eu preciso guardar coisas mais preciosas no lugar.

Enfim, minha desmemória seletiva não chega a ser um problema para o cumprimento das minhas obrigações diárias, porque criei meu próprio método de anotar tudo e guardar as coisas sempre nos mesmos lugares. Cheguei a uma situação que me proporciona, hoje, lembrar até mais do que a média das pessoas. Quando ainda atuava como repórter, anotava até os detalhes de cenário das apurações, gravava tudo e, não raro, também fotografava algumas coisas, para poder usá-las depois no texto final. A gente vai aprendendo a contornar nossos problemas…

(Mas, se eu fosse bem rica, ia pagar pra algum cientista fodão estudar o funcionamento da minha memória. Esse assunto, junto com os sonhos/pesadelos e o tempo, é um dos que mais me interessam no universo. Aliás, me ofereço de cobaia caso algum pesquisador já esteja trabalhando com desmemoriados ou pessoas com descarga na memória ;))

Dito tudo isso, ontem à noite eu estava lendo aquele livro do Paulo Leminski, que tenho lido aos pouquinhos, junto de outros, e encontrei mais um poema que achei a minha cara. Compartilho abaixo:

saudosa amnésia

Memória é coisa recente.

Até ontem, quem lembrava?

A coisa veio antes,

ou, antes, foi a palavra?

Ao perder a lembrança,

grande coisa não se perde.

Nuvens, são sempre brancas.

O mar? Continua verde.”

É isso aí. As coisas e pessoas realmente importantes — como as nuvens e o mar, minha família e meu amor, e alguns amigos e lugares muito seletivos –, estas, eu nunca esqueci 🙂

Leia também:

A idade de ser nós mesmos

Tirados do blog da Alice: http://aliceecila.tumblr.com/post/48296123133

Tirados do blog da Alice: http://aliceecila.tumblr.com

Tenho lido a obra completa de Paulo Leminski, tardiamente. Faço isso lentamente, às vezes voltando aos poemas anteriores, para relê-los com cuidado, sorvê-los com calma. Às vezes tenho postado um ou outro desses poeminhas no meu Facebook, como que a gritá-los aos quatro ventos, assinando embaixo. Afinal, fazia já um tempo que eu não lia um livro inteiro de poesia. Faz um tempo até que não produzo nenhum poema, talvez por eles saírem melhor de dentro de mim quando estou triste — e eu ando tão alegre e feliz! 😀 Quando eu terminar de ler este livro (pela primeira vez), vou fazer um daqueles posts com direito a serviço no pé, daqueles que entram na pastinha “Livros“.

Enquanto isso, divido hoje aqui no blog um dos poeminhas-sem-nome do livro, que já li há alguns dias e ainda me marca especialmente pela primeira estrofe:

“mesmo

na idade

de virar

eu mesmo

.

ainda

confundo

felicidade

com este

nervosismo”

***

Achei genial este “na idade de virar eu mesmo”. Ninguém sabe muito bem que idade é esta. Há aqueles que nascem com personalidade tão formada, que já se encontram moldados desde crianças. Há os que levam a vida inteira para descobrirem quem são e como são e do que gostam e seguirem com suas convicções minimamente coerentes. Eu mesma ainda não tenho certeza de quem sou ao certo, mas meu processo de autoconstrução já está quase todo completo há pelo menos uns sete anos. Terei orgulho de poder dizer a meus filhos e netos: “Sempre lutei pra ser eu mesma, integralmente, nas partes boas e ruins.” Quem gostar do quebra-cabeças formado, mesmo que borrado e mal-acabado, que siga ao meu lado nesta aventura chamada Vida.

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