Os 20 filmes mais importantes do Oscar 2019: resenhas e trailers

Foi dada a largada!

Hoje a Academia divulgou os “nominees” de 2019, finalmente. Confesso que não gostei muito das indicações deste ano que já vi, principalmente pela moral que o filme “Nasce uma Estela”, que achei bem fraco, ganhou, entrando em 9 categorias. E também porque acho que “Tully” merecia aparecer pelo menos no páreo de melhor atriz. Mas ainda tenho muitos filmes para ver e quero encontrar alguns do nível de “Infiltrado na Klan“, “Green Book” e “Bohemian Rhapsody“, todos nota 10, pela frente 😉

Tenho apenas um mês e dois dias até a cerimônia do Oscar, marcada para 24 de fevereiro, para assistir aos principais filmes, listados abaixo. No meu tradicional desafio, selecionei para ver os oito filmes que concorrem à categoria principal, além dos que concorrem a melhor direção, melhores atores e atrizes e melhores roteiros. São, ao todo, 20 filmes, dos quais, até hoje, só assisti a 5.

Faltam, portanto, 15 filmes para eu ver nos meus raros momentos de folga – média de 1 a cada 2 dias. Tentarei ver antes do dia 24/2 pelo menos os 10 principais que faltam, ou 1 a cada 3 dias. Ai, como ADORO esta época do ano…! 😀

Será que vou dar conta neste ano mais uma vez? Espero que sim, porque isso vai fazer aumentarem minhas chances de acertar os sorteados. No ano passado, acertei 15 de 16 categorias, só as principais. Vocês acompanharão tudinho neste post, porque vou acrescentando as resenhas em forma de link na lista abaixo, à medida que for assistindo.

Veja abaixo as resenhas e trailers dos filmes que já vi:

PRINCIPAIS FILMES DO OSCAR 2019:

  1. Roma (10 indicações), nota 9
  2. A Favorita (10 indicações), nota 7
  3. Nasce uma Estrela (9 indicações), nota 6
  4. Vice (8 indicações), nota 6
  5. Pantera Negra (7 indicações)
  6. Infiltrado na Klan (6 indicações), nota 10
  7. Bohemian Rhapsody (5 indicações), nota 10
  8. Green Book – O Guia (5 indicações), nota 10
  9. O Primeiro homem (4 indicações), nota 7
  10. O Retorno de Mary Poppins (4 indicações)
  11. Poderia Me Perdoar? (3 indicações)
  12. Guerra Fria (3 indicações), nota 8
  13. Se a rua Beale falasse (3 indicações)
  14. A balada de Buster Scruggs (3 indicações), nota 8

VEREI TAMBÉM SE SOBRAR TEMPO:

  1. Duas Rainhas (2 indicações, figurino e maquiagem)
  2. No Portal da Eternidade (1 indicação, a melhor ator)
  3. A Esposa (1 indicação, a melhor atriz)
  4. No coração da escuridão (1 indicação, de melhor roteiro)
  5. O Incríveis 2 (1 indicação, melhor animação)
  6. Christopher Robin (1 indicação, efeitos visuais), nota 7

Começa a contagem regressiva! Tic-tac, tic-tac…

Leia também:

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‘Infiltrado na Klan’: uma história que precisa ser contada e recontada

Vale a pena assistir: INFILTRADO NA KLAN (BlacKkKlansman)
Nota 10

No Festival de Cannes, um dos mais importantes do cinema mundial, este filme de Spike Lee recebeu seis minutos ininterruptos de aplausos e venceu o Grande Prêmio do Júri. Não foi à toa e prevejo muitos outros prêmios mais adiante, incluindo o Oscar. “Infiltrado na Klan” já é um clássico. Com ele, Spike Lee, que já tem 82 trabalhos no currículo, atingiu seu ápice.

Estamos falando, primeiro, de uma história sensacional, baseada em fatos reais: um policial negro (e blackpower) que se infiltra (com a ajuda do parceiro, judeu) na Ku Klux Klan, em plenos anos 70. Esse policial é Ron Stallworth, que escreveu um livro de memórias contando a história em 2014. O livro foi parar nas mãos de Spike Lee, que não tinha como perder um plot desses e foi em frente na direção.

Estamos falando, ainda, de uma condução excepcional para o que tinha tudo para ser um tema árduo, pesado, difícil. Afinal, trata-se da Ku Klux Klan, uma organização assumidamente racista e antissemita, que prega a superioridade da raça branca e o extermínio de negros. O filme foi lançado um ano depois do massacre de Charlottesville, que demonstrou a força do KKK ainda hoje nos Estados Unidos (talvez mais forte do que nunca, com Donald Trump no poder). Spike Lee usou cenas de Charlottesville para enriquecer o discurso. Mas, apesar disso tudo, e de todas aquelas frases racistas nojentas que são disparadas a cada dois minutos, que nos deixam enojados do lado de cá, não se trata de um filme para ficar sério, tenso, para chorar. Porque Spike Lee é inteligente e sabe como ninguém usar o humor para falar de assuntos árduos. Sabe que o humor é uma ferramenta que enriquece, e não empobrece, como muitos pensam. O humor do filme é inteligente, refinado, sutil. E o roteiro equilibra o trágico no cômico como poucos filmes sabem fazer.

Um dos grandes responsáveis por esse humor é o ator que interpreta o policial Ron Stallworth. E é um ator novato, mas que teve a melhor escola: John David Washington, filho do grande Denzel Washington – que já tinha trabalhado em quatro filmes de Spike Lee. John está sensacional. Leve, cínico, corajoso e bem-humorado, como o Ron real deve ter sido, pra conseguir esse feito de se infiltrar na KKK sendo negro. E de tapear um político que era o supremo diretor da organização e que até hoje exerce liderança na ultradireita americana: David Duke (interpretado pelo também ótimo Topher Grace). O elenco ainda tem o excelente Adam Driver, o veterano Robert John Burke, o pastelão Paul Walter Hauser e o ótimo ator finlandês Jasper Pääkkönen, um dos responsáveis por fazer nosso sangue subir aos olhos em relação ao racismo explícito da KKK.

OK, já temos aí uma história real sensacional, na qual se baseou o roteiro super bem-elaborado, com personagens interpretados por grandes atores (muito jovens, aliás). Tudo sob a batuta do diretor ousado na medida certa pra falar de uma bandeira que já é “velha” nos Estados Unidos, mas parece nunca ser tão necessária (ou parece nunca ser suficiente). No Brasil também, diga-se de passagem. Pra melhorar, temos uma câmera cheia de cortes modernos, temos uma edição que dá ritmo fabuloso à história, principalmente a partir da segunda metade do filme, temos uma trilha de primeira, cheia de soul. É já um clássico, como eu disse.

Pena não ter sido lançado antes das eleições no Brasil, porque os brasileiros estão precisando de relembrar alguns dos momentos mais cruéis da história da humanidade, a fim de que não se repitam por aqui. Agora já era. Vale lembrar: David Duke, o ex-chefão da KKK, personagem deste filme e deste episódio real dos anos 70, foi um dos que elogiaram, em outubro, Jair Bolsonaro, então candidato à presidência do Brasil. É a história engolindo a história engolindo a história…

Assista ao trailer do filme:

Leia também:

 

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