‘Animais Fantásticos’: eu não teria cérebro para imaginar tanta coisa incrível!

Para ver no cinema: ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
Nota 8

animais

Começo avisando: li todos os livros da saga de “Harry Potter” e adorei cada um deles. Mas não li “Animais Fantásticos e Onde Habitam“. Então, sou a pessoa que assistiu a este filme, baseado na obra de J. K. Rowling, sem ter lido o livro, mas sem ser totalmente alheia ao universo dos bruxos e trouxas criado pela escritora britânica.

Só pra avisar.

Continuando: o filme é muito divertido! Foi gostoso voltar a habitar aquele universo de mágica que conhecemos tão bem em Hogwarts, mas agora com um olhar mais adulto. Os efeitos especiais são ótimos, os animais fantásticos são intrigantes.

Em dado momento, o melhor personagem do filme, “Kowalski” (Dan Fogler), diz, embasbacado pelo cenário de fantasia que estava ao seu redor: Continuar lendo

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Duas personagens e o pioneirismo

Para ver no cinema: A GAROTA DINAMARQUESA (The Danish Girl)
Nota 7

dinamarquesa

Se hoje já deve ser difícil ser transexual — vide a grande quantidade de violência a que os trans são submetidos no dia a dia –, imagine na década de 1920. Estamos falando de quase um século atrás e, pode não parecer, mas o mundo evoluiu um bocado de lá para cá.

É assim que, diagnosticado como esquizofrênico, pervertido, quimicamente desequilibrado, ou, de forma mais que simplista, como homossexual, o pintor dinamarquês Einar Wegener se descobre — bem por acaso, aliás — uma mulher presa no corpo de um homem. E, de forma pioneira, vai aprendendo a lidar com essa nova realidade, à custa de muito sofrimento, autoconhecimento e de coragem para se submeter a um procedimento cirúrgico até então inédito, da mudança do sexo.

O filme dirigido por Tom Hooper (dos premiados “Os Miseráveis” e “O Discurso do Rei”) é sobre essa transformação de Einar em Lili, interpretada magistralmente pelo ator do momento, que levou a estatueta do Oscar no ano passado e concorre mais uma vez neste ano, Eddie Redmayne. Ele encarna com tanta perfeição a personagem que faz com que a gente realmente sinta o transtorno que se passa na alma de Lili e a incapacidade que ela tem, a partir de determinado ponto, de seguir encenando o papel social de Einar. Cada tremida que o ator dá, cada piscada de olhos, cada lágrima contida, tudo é muito calculado.

Mas acho que o maior trunfo do filme foi ter trazido o ponto de vista da também artista dinamarquesa Gerda Wegener, esposa de Einar, que de repente percebe que perdeu o marido — homem, heterossexual, com desejo por ela — para sempre. Se para Einar estamos falando de uma perturbação colossal em sua mente e corpo, com milhões de dificuldades para ser compreendida e aceita, para Gerda também é um desafio muito intenso. A personagem principal do filme não é só Lili, é também Gerda, sem a qual Lili talvez nunca tivesse surgido e muito menos sobrevivido. Quem interpreta esta pintora é a atriz sueca Alicia Vikander, que também concorre ao Oscar — e acho que tem grande chance de ganhar.

Além dessas categorias, “A Garota Dinamarquesa” também está no páreo do Oscar 2016 pelo figurino e design de produção. Nada de roteiro, e acho que faz sentido ter ficado de fora. Achei o longa às vezes longo demais, repetitivo em algumas premissas, como se estivesse insistindo para que o público chorasse. E eu, chorona de cinema que sou, até chorei, mas apenas em uma cena. Me pareceu um bom filme de personagem, mas não tão bom do ponto de vista histórico, nem tão capaz de criar emoção, como outros filmes do gênero.

De qualquer forma, é sempre interessante conhecer a história dos pioneiros do mundo. Para algo se transformar, é preciso que haja uma pessoa com coragem suficiente para fazer o que nunca foi feito até então. No caso do filme, que é inspirado em fatos reais, Lili, Gerda e o médico que acabam por encontrar deixam uma marca na história do ativismo transgênero, da psicanálise, da medicina — da sociedade, enfim. É por personagens como estes que, cem anos depois, notamos um mundo mais evoluído, ainda que com muito por evoluir.

Assista ao trailer do filme:

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Não há limites para o esforço humano

Não deixe de assistir: A TEORIA DE TUDO (The Theory Of Everything)
Nota 10

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Seria necessária muita imaginação para um roteirista ou escritor qualquer criar um personagem tão extraordinário como é Stephen Hawking. Felizmente, ele é de carne e osso, o que torna tudo ainda mais fantástico.

A mesma imaginação seria exigida para se construir uma história de amor tão incrível e tocante quanto a vivida por Stephen e Jane. Mas ela existiu — e rendeu três filhos e três netos, além de uma amizade para a vida toda.

Nem os melhores médicos conseguiriam imaginar que o jovem diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica chegaria aos 73 anos. Na época, diziam que ele não viveria mais que dois anos. Mas faltava a eles imaginação tão fértil quanto a fornecida pela vida real.

E quem imaginaria um sujeito de 21 anos disposto a desafiar Albert Einstein e perseguir uma teoria da física que, até então, nunca tinha sido pensada? Que explicaria o surgimento do universo! Ninguém, mas é que não temos a mesma imaginação do gênio em questão.

Stephen, ao contrário de outros gênios (como o Turing, do filme “O Jogo da Imitação“), não tinha qualquer problema para se relacionar socialmente com as pessoas. Pelo contrário: era um fanfarrão. Tomava todas com os amigos, paquerava a menina bonita da festa e acabou se casando com ela. Para tornar tudo ainda mais fora do lugar, ele é um gênio extremamente bem-humorado, desses que fazem piada com tudo (aceitou até fazer uma ponta em “The Big Bang Theory“!), embora também seja capaz de proferir as frases mais profundas sobre nossa existência — inimaginável — no universo.

Tais como esta que entrou para a história:

There should be no boundaries to human endeavor. We are all different. However bad life may seem, there is always something you can do, and succeed at. While there’s life, there is hope.” (Não deve haver limites para o esforço humano. Nós somos todos diferentes. E por pior que a vida possa parecer, sempre há alguma coisa que você pode fazer, e ser bem-sucedido nela. Enquanto houver vida, há esperança.)

Stephen tem uma inteligência tão sem limites que é capaz de superar todas as limitações físicas que se impuseram em sua vida precocemente.

Para fazer este papel dificílimo, extraordinário, carismático e genial, seria preciso haver um ator além da nossa imaginação. E ele existe: Eddie Redmayne se esforçou tanto para cumprir esse papel, de maneira tão obsessiva, que chegou a ficar imóvel e encurvado até nos intervalos entre as cenas. Por fim, segundo os bastidores no site IMDB, um ortopedista disse que a coluna dele ficou torta de vez por causa da atuação! Mas o resultado valeu a pena: depois de assistir ao filme, o Stephen Hawking verdadeiro enviou um email ao diretor James Marsh dizendo que, em alguns momentos, ele achou que estivesse assistindo a si mesmo na tela.

(É como ele diz, não há limites para o esforço humano…)

Eddie concorre, obviamente, na categoria de melhor ator principal (que ele já abocanhou em prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o Bafta, considerado o Oscar britânico). Se eu achava que Benedict Cumberbatch merecia esse prêmio, agora não acho mais. Ele também foi ótimo, mas Eddie não deixou pra ninguém. Foi além da imaginação. Já Felicity Jones cumpre o papel de Jane de forma exemplar, mas não extraordinária. O filme ainda concorre pelo roteiro delicado, sensível e emocionante, que me fez chorar em vários momentos. Pela música, que você pode ouvir AQUI. E na categoria principal, de melhor filme.

Se até Hawking disse que o filme é preciso, só nos resta torcer para que a academia não cometa nenhum erro de cálculo nesta premiação.

Veja o trailer:

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