Continuando com o resgate que me propus a fazer neste mês dos jornalistas, hoje trago a entrevista que eu e a Ana Estela de Sousa Pinto fizemos com o jornalista Marcelo Tas para nosso livro “A Vaga é Sua“, publicado em 2010 pela Publifolha.

Entrevista com Marcelo Tas para o livro A Vaga É Sua (2010)

O que você fez para aproveitar a faculdade ao máximo? Acha que seu aprendizado na faculdade foi suficiente para conseguir um trabalho no jornalismo em seguida?

Não creio que o aprendizado na sala de aula seja suficiente. Encontrei muito mais estímulo no contato com os colegas, nos corredores e até no ambiente acadêmico extra currículo oficial da universidade.

O que fez para complementar sua formação? Chegou a fazer estágios ou viagens, por exemplo, que a enriqueceram?

Cursei simultaneamente dois cursos aparentemente incongruentes na USP: Engenharia e Comunicação. Paradoxalmente, foi na Engenharia que descobri meu amor pelo Jornalismo. Virei, no terceiro ano da faculdade, editor de um jornalzinho anarquista da POLI.

Depois, busquei através de uma bolsa norte-americana, a Fulbright Schollarship, completar meus estudos acadêmicos cursando Cinema e Televisão na NYU – New York University.

Lembra de como era seu currículo logo que saiu da faculdade? Do que escreveu nele e como era recebido pelas empresas?

Não cheguei a procurar empresas de uma forma, digamos, tradicional. Comecei a produzir vídeos com uma turma de amigos ainda na faculdade. Fundamos uma produtora, a Olhar Eletrônico, que procurava desenhar uma nova linguagem televisiva no início dos anos 80.

Depois de muita ralação, conseguimos uma chance de mostrar o nosso trabalho numa pequena estação local em São Paulo, a TV Gazeta. Foi assim que os membros iniciaram suas vidas profissionais no Cinema e na TV. Eu, mais que muitos deles, acabei também me interessando por jornalismo, especialmente imprensa escrita e depois rádio.

Como conseguiu o primeiro emprego de jornalista? Como você se saiu durante a seleção? Ou seus primeiros passos foram diretamente na Olhar Eletrônico?

Na TV, meus primeiros passos foram na Olhar Eletrônico. Fazíamos um tipo excêntrico de jornalismo, misturando realidade e ficção. Eu e Fernando Meirelles havíamos inventado um personagem que eu interpretava: o repórter Ernesto Varela.

Em jornalismo mais tradicional, tive minha iniciação com um convite da “Folha de S.Paulo”, para comentar o Horário Eleitoral Gratuito. Revezava diariamente uma coluna crítica com o artista multimídia Tadeu Jungle. Depois, a Folha me convocou para cobrir, como repórter especial, as eleições diretas de 1989.

E quais as dificuldades que encontrou para montar sua própria produtora, junto com outros colegas que também eram inexperientes e estavam começando a vida?

A principal dificuldade é que havia muito poucos canais onde pudéssemos publicar a nossa produção. Foi uma longa travessia pelos poucos festivais de vídeos da época até conseguirmos nossa primeira chance de mostrar o nosso trabalho para o “grande público” na TV Gazeta de São Paulo.

Que características um jornalista que quer montar seu próprio negócio/veículo – ou atuar como frila – deve ter?

Penso que a palavra que resume é ousadia. Diante de tantas novidades, vale mais quem tiver flexibilidade e coragem de se manter sempre em busca de novas possibilidades de se contar uma história. Seja com texto, fotos ou imagens em movimento.

Qual característica procura em um jovem jornalista/estagiário, qual qualidade considera mais importante para um jornalista?

O principal para um jornalista é também o principal para qualquer profissional: a leitura. Somos aquilo que pensamos e escrevemos. A capacidade de ler, interpretar, traduzir e contar uma história é a principal habilidade a ser buscada num jornalista.

***

Amanhã volto com a entrevista que fizemos com Marcio Aith 🙂

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