Como foi a cobertura do julgamento dos Nardoni? Relembre em 10 depoimentos

Como foi a cobertura do julgamento dos Nardoni em 2010? Relembre em 10 depoimentos de jornalistas que trabalhavam na "Folha de S.Paulo", Globo, CBN, SBT e IstoÉ na época.
Como foi a cobertura do julgamento dos Nardoni em 2010? Relembre em 10 depoimentos de jornalistas que trabalhavam na "Folha de S.Paulo", TV Globo, CBN, SBT e "IstoÉ" na época.

No dia 22 de março de 2010 (ou seja, há 16 anos), começava o júri do caso Isabella Nardoni, um dos julgamentos mais noticiados da história aqui no Brasil (outro que foi muito noticiado, o do caso Bruno, começou em novembro de 2012, e ajudei a cobrir como repórter pelo g1).

Na época do júri do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, eu trabalhava na editoria de Treinamento da “Folha de S.Paulo” e produzia dezenas (ou centenas) de posts sobre o fazer jornalístico e a rotina em uma redação, que eram publicados no blog Novo em Folha. Não podia perder a oportunidade de postar também sobre aquele julgamento.

Lembro que naquele dia eu passei duas tardes entrevistando alguns colegas que participavam da cobertura e, depois, virei a madrugada editando os vídeos (na época era um processo bem mais rudimentar e trabalhoso do que hoje, com os CapCut e Canva da vida).

Os bastidores da cobertura do julgamento do casal Nardoni, em março de 2010. Imagem: Reprodução de um post meu no blog Novo em Folha, da Folha de S.Paulo.
Os bastidores da cobertura do julgamento do casal Nardoni, em março de 2010. Imagem: Reprodução de um post meu no blog Novo em Folha.

Hoje resolvi fazer um resgate dessa memória, assim como já fiz vários outros aqui no blog. Graças ao WebArchive, compartilho abaixo, na íntegra, o que escrevi no post, que foi ao ar às 5h23 da madrugada do dia 26/3/2010 (véspera do meu niver de 25 aninhos), e com os 7 vídeos que editei naquele dia:

 


Os bastidores da cobertura do julgamento dos Nardoni

Atendendo ao pedido de alguns leitores, fui para o fórum de Santana, onde os Nardoni estão sendo julgados, para falar com os jornalistas responsáveis pela cobertura.

Estive lá entre 15h e 19h de quarta-feira (24) e falei com jornalistas de todas as plataformas:

  • a repórter da Folha TALITA BEDINELLI
  • o repórter da Folha Online ANDRÉ MONTEIRO
  • o repórter fotográfico do “Agora” RUBENS CAVALLARI
  • o ilustrador da Folha RODRIGO CUNHA
  • o ilustrador do SBT Paulo Stocker
  • o repórter da Globo News Rui Gonçalves
  • o repórter da CBN Paulo Henrique Souza (o áudio dele não ficou bom, não sei por quê)
  • o auxiliar técnico da TV Globo Alexandre Coelho

Mais tarde, com uma câmera de pior qualidade (como vocês verão), falei com a repórter da IstoÉ Rachel Costa.

Também há cenas com a Talita e o André, já na Redação, às 23h30 desta quinta-feira, quando também entrevistei a editora de Cotidiano da Folha Online, LÍVIA MARRA.

Depois de entrevistar essas dez pessoas, acho que deu para retratar bem como está sendo esta semana de uma cobertura gigante, que mobilizou veículos do país inteiro.

Dividi os vídeos em sete partes, por temas:

1) O planejamento da cobertura

2) As equipes

3) A rotina dos jornalistas

4) A busca pelo diferencial

5) As dificuldades

6) A pressão do povo

7) Cenas comuns de se ver ali (extra)

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Naquela mesma semana, a Ana Estela, que era a editora de Treinamento da “Folha” (hoje ela é secretária de Redação), tinha feito um post bem interessante que também vou poder reproduzir aqui graças ao WebArchive. Veja a seguir:

Em casos quentes, jornalista tem que se manter gelado

3 pedras de gelo, uma em cima da outra, em um fundo branco.

9 dicas inspiradas pelo caso Nardoni

Boa hora para dividir com todos os leitores as dicas do nosso professor de direito, GUSTAVO ROMANO (…):

Cuidados a tomar em casos midiáticos

Casos como o da Isabella Nardoni, que movimentam a opinião pública e a mídia, mas nos quais não há provas nem confissão, exigem cuidados por parte dos jornalistas:

1 – Atribuir todas as informações às fontes. Se um dia descobrirem que eles eram inocentes, o que não foi atribuído às fontes pode ser usado contra a Folha e os jornalistas responsáveis.

2 – Outros veículos de mídia não são fontes. O fato de algum outro jornal ter publicado algo como certo não significa que ele é verdadeiro. Cheque com uma fonte ou, no limite, atribua ao veículo concorrente.

3 – Tome cuidado com suas próprias emoções, Estamos todos emocionalmente envolvidos, mas ninguém sabe o que de fato aconteceu (talvez nem os réus). Tenha certeza que você está reportando fatos e não suas emoções.

4 – Cuidado com o que as pessoas envolvidas no processo falam. É natural que Ministério Público e advogados queiram usar a mídia para influenciar a sociedade, jurados etc. TUDO tem de ter outro lado. Ou outroS ladoS.

5 – O fato de eles serem condenados no fim do processo não quer dizer que eles são culpados: ainda caberá recurso. O mesmo se eles forem absolvidos. O processo só termina com o trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso)

6 – Há muito jurista dando entrevista para aparecer. E há muito jurista despreparado por aí. Cuidado para não ser levado por informação errada ou fazer propaganda de advogado.

7 – Não se esqueçam de que todos somos inocentes até que haja prova irrefutável em contrário. Cabe ao Ministério Público provar a culpa, e não à defesa provar a inocência.

8 – Você não gostaria que sua família fosse exposta se você cometesse um crime. O mesmo vale para a família de qualquer acusado. Pondere se há um interesse jornalístico ou se há apenas uma curiosidade mórbida a respeito dos membros da família e amigos.

9 – Não se esqueçam de que, se eles forem inocentes eles terão de reconstruir suas vidas do zero. Cuidado para não criarem uma situação na qual essa reconstrução seja impossível. E mais: se eles forem inocentados, suas vidas ainda estarão em perigo. Basta um louco resolver fazer justiça com as próprias mãos. Cuidado para não jogar gasolina na fogueira.

Vale a pena ler de novo:

Vale a pena ver de novo: neste vídeo, MONICA BERGAMO sugere: “Tem que ser um furacão na hora de apurar e um gelo na hora de escrever”.

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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