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Mais uma vez, as barragens. Em Congonhas e Belo Horizonte

Texto escrito por José de Souza Castro:

Santuário de Congonhas, com os 12 profetas de Aleijadinho. Foto: CMC

O “The Wall Street Journal” da última quarta-feira, 29 de janeiro, publica reportagem de mais de 1.600 palavras e nove fotos falando sobre o medo dos moradores de Congonhas de que seja repetida ali a tragédia de Brumadinho. De uma janela, Marta Maia, de 60 anos, pode ver a vasta barragem de resíduos de minério de ferro construída numa montanha situada a apenas 800 metros de sua casa. Ela não dorme direito desde o rompimento da barragem de Brumadinho, há um ano, que matou 270 pessoas.

“Olho para a barragem e penso no que aconteceria se ela desabasse. Nós nem teríamos tempo de pensar – a lama já teria nos enterrado, assim como meus filhos, meus netos, meus vizinhos”, disse a moradora às repórteres do WSJ.

A CSN, dona da barragem, informou que ela foi certificada como segura pelos inspetores externos contratados pela Companhia Siderúrgica Nacional. A Agência do governo responsável pelas barragens lavou as mãos: não tem funcionários suficientes para inspecionar centenas de barragens e cabe às próprias empresas atestar sua segurança.

Nada diferente do que se viu há um ano em Brumadinho. Mas Congonhas, além de sua importância histórica e artística, é muito maior. De qualquer forma, um diretor da agência disse que a barragem de Congonhas não está entre as quatro mais ameaçadas e que não há planos para evacuar a população.

Uma história que se repete, tanto quanto o problema das inundações e destruições vistas em Belo Horizonte na noite de terça-feira provocadas pelo temporal que castigou a bacia do Córrego do Leitão, numa zona nobre da capital mineira.

Lembrando um pouco da história:

Barragem Santa Lúcia, em foto Isabel Baldoni / PBH

Em 1954, ocorreu uma série de inundações que atingiram os bairros de Lourdes, Santo Antônio e Cidade Jardim. Para controlar as inundações, o Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), órgão federal atualmente extinto, em convênio com a Prefeitura de Belo Horizonte, construiu a Barragem de Santa Lúcia, para represar a água da chuva, controlar a vazão do Córrego do Leitão e evitar inundações.

Funcionou bem durante algum tempo, mas, na década de 1980, a área de retenção de água a montante da barragem estava completamente assoreada pela terra que descia de escavações e terraplenagens para construção de ruas, nos novos loteamentos dos bairros Santa Lúcia e São Bento e no aglomerado Morro do Papagaio. E as inundações se tornaram frequentes. Em 1978, a Prefeitura elaborou um projeto de controle do assoreamento, mas o problema não foi resolvido, ante a explosiva urbanização da região.

Em 1994, foi apresentada nova solução: a criação do Parque de Santa Lúcia, com áreas de lazer e um lago ao centro. Alguém viu esse lago ser esvaziado no período da seca, para reter a água na época de chuvas e aproveitar para aprofundar seu leito, retirando material de assoreamento?

Não sei quantas vezes se fez isso. Há notícias de que o lago foi esvaziado em 2013 e 2018, para aumentar sua capacidade de retenção de água.

Como se viu agora, não foi suficiente.

O prefeito Kalil, que é engenheiro e construtor, talvez tenha uma boa ideia. Se não tiver, sem problema: ele e vizinhos mais abonados poderão mudar de casa, para um lugar mais seguro, cuidando para que não seja uma dessas “cidades sem nenhuma área verde, córregos concretados, pessoas vivendo como bichos, penduradas em barrancos”.

Pensando bem, a Cristina e o WSJ trataram, no mesmo dia, de um problema muito parecido.

 


Leia também:

  1. Um poema sobre a chuva (e o caos) em Belo Horizonte
  2. Promessas ao vento
  3. Brumadinho: a engenharia de um crime e a história de uma barragem

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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