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Caraíva (BA) com criança: dicas de transporte, hospedagem e restaurantes

Panorâmica mostrando o encontro do rio Caraíva com o mar. Foto: CMC

Como adiantei no post de ontem, depois que passamos pouco mais de quatro dias em Arraial D’Ajuda (BA), nos dirigimos a um paraíso mais inabitado da Bahia, a duas horas de viagem de lá: Caraíva.

No post de hoje, trago algumas impressões dos três dias e meio em que estivemos lá.

TRANSPORTE

Para chegar a Caraíva, se você não tem um carro próprio ou alugado, há duas opções: ir de ônibus ou de van. O ônibus, se não me engano, custa R$ 20 por pessoa, leva cerca de 3 horas de viagem e não tem ar condicionado, então você come bastante poeira da estrada, que é quase toda de terra. Eu peguei a van na entrada de Arraial, na balsa (tivemos que ir de táxi até lá, por causa das malas: R$ 30 desde a pousada). Pagamos R$ 25 por pessoa (criança não paga, a menos que você queira garantir que ela tenha o assento dela, mesmo que a van lote; do contrário, ela vai no seu colo). A van tinha ar condicionado e levou cerca de duas horas para fazer o trajeto de 54 km pela estrada de Trancoso.

O ponto final da van e do ônibus é o rio Caraíva e lá você tem que pagar R$ 5 para fazer a travessia em um barco. Uma vez na vila de Caraíva, você só tem duas opções de transporte: a pé ou com charrete, que tivemos que pegar na chegada e na saída, por causa das malas (acho que custava R$ 30 até a pousada). O chão de Caraíva é todo de areia fofa, então nem bicicleta funciona por lá. Prepare-se para um bom exercício.

Na volta para seu destino (no nosso caso era Arraial – Porto Seguro – Belo Horizonte), vale chegar um pouco antes do horário do ônibus, para tentar garantir um assento na van. Eu achei muito cansativo ter que fazer o trajeto de duas horas de van + a travessia com a balsa + táxi até o aeroporto de Porto Seguro + avião até BH + carro de Confins até a minha casa em um só dia, o último da viagem. Se um dia voltarmos para lá, vou preferir voltar de Caraíva um ou dois dias mais cedo, para economizar pelo menos o trajeto da estrada de terra e ficar um pouco mais descansada.

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HOSPEDAGEM

Ficamos na pousada Lumar, que, além de ter bom custo-benefício, tem duas grande vantagens: a localização, bem perto tanto do mar quanto do rio, e a simpatia do casal de donos, Max e Marina. Nós realmente nos sentimos em casa! Os quartos eram confortáveis, todos com uma varandinha com rede na porta. Há uma ducha boa para limpar os pés na volta da praia. E o café da manhã, servido na nossa mesa, estava muito gostoso. CLIQUE AQUI para ler minha avaliação na íntegra.

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CLIQUE AQUI para ver outras opções de hospedagem em Caraíva.

A PRAIA

Caraíva é MUITO lindo. Paradisíaca mesmo. É uma praia de rio e de mar, e a barra, onde os dois se encontram, é de uma beleza de encher os olhos – e as lentes das câmeras. O mar é mais agitado, com muitas ondas, limpo, nem sempre quente. O rio também é muito limpo, calmo, mas com corrente mais forte em alguns momentos, delicioso de nadar. Para criança, é uma maravilha! Meu filho realmente se divertiu brincando na areia às margens do rio e nadando lá dentro, tendo a tranquilidade de ir sozinho para encher o baldinho de água.

Uma das coisas que ele mais curtiu foi o mangue, que a gente vê no caminho à beira do rio, em direção ao mar. Ele ficou ENCANTADO com os siris e caranguejos brotando do nada, andando de lado, se escondendo rapidamente nos buracos. Foi uma das coisas sobre o que ele mais tagarelou a respeito, inclusive na volta para casa.

Tem um detalhe importante: não há barracas no estilo tradicional na praia. No final do rio, quase chegando ao encontro com o mar, há uma barraca em forma de barco, com uma ducha e algumas poucas cadeiras, que vende água de coco, cerveja e alguma coisa mais. O dono é bastante simpático, mas estava com dificuldade para instalar máquina para passar cartão por lá. Já na barra, há umas cadeiras debaixo de sombras improvisadas: se quiser se sentar em alguma delas, você terá de pagar pelo menos R$ 50 de consumação, com bem poucas opções. Praticamente tudo, só em dinheiro. Já no lado do mar, tem algumas poucas pousadas que atendem como barracas. Vi duas, se não me engano, mas não chegamos a ficar nelas, então não sei dizer como era o esquema por lá.

Em Caraíva, preferimos levar uma sacola térmica com água, umas duas latinhas de cerveja e um chips. Água de coco a gente comprava naquela barraca em forma de barco. Ficamos nas sombras naturais, e não pagando R$ 50 por uma sombra. Nos assentamos na areia mesmo, sobre nossas cangas. Depois de muito curtir o rio ou o mar, íamos em direção a algum restaurante gostoso, para um almoço bem farto (ver no próximo tópico). Enfim, não sei se é a melhor maneira de curtir Caraíva, mas, para a gente, foi a melhor possível.

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BARES E RESTAURANTES

Os que mais gostei:

Cantinho Mineiro – Fizemos dois almoços lá, ambos de prato executivo. Foram bem servidos e a comida estava muito gostosa. Também experimentamos os pastéis, deliciosos e muito recheados. Atendimento cordial e vista linda para o Rio Caraíva. $$$

Beira Rio – Almoçamos um dia lá e pedimos um prato executivo. O tempero estava delicioso, o atendimento foi muito eficiente e a vista para o rio é linda. Sugerimos que venha sempre salada + fritas, em vez de uma coisa ou outra. No mais, recomendo! $$$

Não recomendo:

Casinha Gourmet – Almoçamos lá um dia e nossa experiência foi tão ruim que não quisemos voltar mais. A comida, única self service de Caraíva, era boa, mas cara. O pior foi o atendimento. Não sei se a atendente era a dona do lugar ou uma funcionária dela, o fato é que ela foi extremamente sem educação conosco. Parecia que não queria que a gente estivesse ali. Como eu acho que a cordialidade do atendimento é tão importante quanto o sabor da comida, não recomendo este lugar a ninguém.

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COMENTÁRIOS EXTRAS

  • Não vimos nem sinal de óleo no mar de Caraíva, felizmente. Vimos alguns caras da Marinha, que disseram que, àquela altura, estavam tirando 200 GRAMAS por dia, e num local mais afastado. Os moradores falaram que ele chegou lá por volta de 1 de novembro, mas todos se mobilizaram para limpar e, quando chegamos, no dia 10, já não tinha mais nada (ao menos que eu tenha visto).
  • Há uns 15 anos, quando meu marido frequentou Caraíva, não havia nem energia elétrica nesta que é tida como a vila mais antiga do Brasil. Hoje tem: os fios são subterrâneos para não afetar a paisagem. A maioria dos restaurantes aceita cartões. Mas meu celular (Tim) não pegava em nenhum lugar fora da pousada. Aliás, nada melhor que passar um tempo sem sinal!
  • O chinelo de dedo é seu melhor amigo em Caraíva. Como a vila tem ruas com areia fofa, alguns sapatos devem ser impraticáveis. E, apesar de ter muita sombra de castanheira e cajueiro para proteger os pés, em alguns momentos é preciso estar com o chinelo, ou você vai voltar para casa com bolhas de queimadura! Proteja os pezinhos dos seus filhos também.
  • A vila tem uma ótima estrutura de restaurantes (importante: nas segundas OU terças OU quartas, muitos deles fecham para descanso. Há um rodízio, então, quando um está fechado, há outros abertos pra compensar), mas não tem muitas opções de mercados e nem bancos. Portanto, ao contrário de Arraial, é importante que você chegue até lá mais abastecido. Outra coisa: como o acesso é mais difícil, as coisas por lá são bem mais caras que em Arraial. Optamos por comprar vinhos, cervejas, sucos, chips, biscoitos, iogurtes e outras coisas do gênero em Arraial e levar para Caraíva, deixando no frigobar da pousada. Isso nos quebrou um grande galho por lá.
  • Não achei muitas coisas locais para levar de lembrancinha. Uma que eu achei encantadora foi a arte da Sophie Alves. O ateliê dela fica bem na rua em frente ao rio, pertinho de onde entramos em Caraíva de barquinho. Cheguei lá dentro e fiquei impressionada com o talento da moça. Minha vontade era levar um quadro bem grandão, mas ele custava uns R$ 500 (merecidamente, mas eu não tinha tanto dinheiro assim). Comprei um ímã de geladeira, por R$ 15, só para guardar de lembrança mesmo. Acabamos conhecendo a Sophie, que estava com os filhos, e foi extremamente simpática. Contou que é francesa, falou um pouco da técnica que usa etc. Neste site, descobri que ela mora em Caraíva desde 2012.
Um quadro de Sophie Alves (Divulgação)
  • Outro artista que chamou a atenção por ali foi o Gabriel Güyrá, que fez mosaicos para várias pousadas e restaurantes locais. E inclusive para a igrejinha. Mas, assuntando com os moradores, descobrimos que ele é de São Paulo, tinha um ateliê ao lado da igreja, mas há alguns meses voltou para a terra natal. Deixou uma marca que pode ser vista em vários canto de Caraíva.

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  • Uma coisa que logo vai te chamar a atenção na vila de Caraíva é a pintura da Duca. Ela está, literalmente, em TODO LUGAR! Em vários muros, em paredes de pousadas, no quadro dentro do nosso quarto, no orelhão da esquina, nos lustres, enfim, em todo canto. Até enjoa. Trata-se de uma paisagem que sintetiza muito o que é Caraíva: casinhas diante do rio, a lua no céu estrelado, refletida nas águas. Tudo muito colorido e poético, embora rudimentar.
  • O ateliê da Duca ficava a poucos passos da pousada Lumar, onde nos hospedamos. Todos os dias eu passava diante dele e namorava as coisinhas dela pela janela: canecos, uma geladeira, ímãs, todo tipo de coisas, sempre com a mesmíssima paisagem obstinada. Eu pensava: no meu último dia de Caraíva, vou passar aqui e levar algo de lembrança, porque trata-se de uma pintura que realmente faz lembrar Caraíva. Inclusive, vim a descobrir depois que a Duca mora lá há várias décadas e ajudou a cuidar da vila como poucos, tornando-se uma importante personagem local. Seu ateliê fica junto do seu restaurante, que é vegetariano. Qual não foi minha decepção ao passar por lá no meu último dia, faltando uma horinha para ir embora, e ser recebida por uma Duca extremamente mal-educada, rude mesmo, que me mandou olhar o ateliê se eu quisesse, porque “estava muito ocupada”! Obviamente fui embora (até porque não tinha ninguém para me dizer quanto custavam as coisas que eu queria levar de lembrança), bastante decepcionada.

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  • Aliás, tirando os donos da pousada e umas poucas pessoas que nos atenderam com muita gentileza, eu me senti muito pouco acolhida em Caraíva, e esta foi uma das coisas que pesaram negativamente na viagem, para mim. A cidade parece ter muita gente de fora – inclusive um número espantoso de belo-horizontinos –, que tira alguns meses para morar ali, encantada, até enjoar da paradeza e voltar para o “mundo real”. E muita gente me pareceu de saco cheio de receber turistas, era como se nós não fôssemos bem-vindos. Talvez por isso, achei o clima de “paz e amor” meio artificial e forçado, em alguns momentos.

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  • Uma turma que não deve gostar nem um pouco da “invasão” é a tribo de Pataxós que mora dentro de Caraíva. São cerca de 1.500 indígenas, segundo me contou uma delas. Encontramos vários vendendo seu artesanato na praia, depois de caminhar cerca de 6 km desde a aldeia, debaixo de sol bravo.
  • Um programa que vale a pena, se você for na época certa, é ver a lua cheia nascendo no mar. Emocionante, e incapturável: esqueça as câmeras, sente-se na areia e aproveite este momento mágico. Meu filho amou, conta para todo mundo a experiência!
  • Outra coisa que dá para fazer todos os dias é ver o sol de pondo no rio. Muito lindo!

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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