O melhor texto que você vai ler sobre o programa Mais Médicos

Logo que o programa Mais Médicos foi anunciado, em julho de 2013 (na esteira dos protestos que varreram o Brasil), promovi um verdadeiro debate aqui no blog, com vários posts de gente mais entendida de saúde pública do que eu. O melhor e mais aprofundado texto que chegou foi escrito pelo médico Giovano de Castro Iannotti. Ele é doutor em medicina pela Universidade de Córdoba, professor de medicina na mesma universidade e já atuou com gestão pública de saúde em todas as esferas de governo.

Neste momento em que uma fala desastrosa de Jair Bolsonaro coloca a perder um programa que trouxe 10 mil médicos de um país que é referência em atendimento de saúde, deixando 24 milhões de brasileiros na mão, vale a pena reler o texto de Giovano e entender por que o Mais Médicos era tão importante para o Brasil:

CLIQUE AQUI e boa leitura!

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

1 comentário

  1. Para otimistas natos, um alento essa reportagem de Ricardo Kotscho na Folha de S. Paulo de hoje:
    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/medico-negro-ignora-ate-conselhos-da-mae-e-vira-raridade-na-periferia-de-sp.shtml?loggedpaywall
    Primeiros parágrafos, para quem não tiver acesso ao link acima:

    SÃO PAULO
    Diálogo à porta do consultório do médico de família Roberto Jaguaribe Trindade, na UBS (Unidade Básica de Saúde) de Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade de São Paulo.

    – Você é o médico?

    – Sim, sou eu o médico. Pode entrar.

    – Não vou entrar. Eu não quero ser atendida por um preto.

    Dr. Roberto chamou o próximo paciente e continuou seu trabalho normalmente, como se nada tivesse acontecido.

    Ali ele atende a 36 pacientes por dia. Nunca, antes, alguém havia se recusado a ser atendido pelo médico negro, ainda uma raridade na sua profissão. A paciente andou apressada pelo corredor e desapareceu rapidamente da UBS, onde nunca mais foi vista. Roberto nem guardou o nome dela.

    O crime de racismo foi praticado em 2014, mas ficou tão gravado na memória dele, como se tivesse acontecido ontem.

    Desde o início da sua carreira, este paulistano de 39 anos, solteiro, formado médico em Cuba, com especialização em pediatria, já está acostumado a ser confundido pelos pacientes com enfermeiros e funcionários do posto de saúde.

    Ele até entende a confusão, porque médicos negros ainda não são comuns e causam estranheza aos cidadãos brancos de um país onde o racismo sobrevive, 130 anos após a promulgação da Lei Áurea.

    Sobre o Dia da Consciência Negra, a ser celebrado nesta terça-feira (20), diz o médico: “Defender nossa identidade é questão de sobrevivência e deve ser praticado diariamente, já que nossa sociedade discrimina e adoece quem é negro”.

    A melhor forma de Roberto batalhar em defesa da causa dos negros é a sua própria história de vida e o seu trabalho, que podem servir de exemplo e estímulo a outros jovens como ele, que sonham em ser médicos, mesmo sendo de famílias pobres. (….)

    ….
    Acho que Kotscho se deixou contaminar pelo otimismo. O post dele de hoje no Balaio do Kotscho, um dos blogs mais lidos aqui (https://www.balaiodokotscho.com.br/ ) ele procura dar um banho de ânimo nos leitores.

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