Um dia que não pode ser esquecido: 10 de fevereiro

Imagem tirada do site www.aviacaocomercial.net

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Texto escrito por José de Souza Castro:

No dia 10 de fevereiro de 1965, o golpe militar, em conluio com o Judiciário, perpetrou a maior violência contra um grupo de empresas e de empresários brasileiros. Nesse dia, enterrou-se a maior companhia aérea – a Panair – que o Brasil já teve em todos os tempos, lembra em artigo o advogado Aroldo Camillo Joaquim Filho.

O texto pode ser lido AQUI. Resumo:

“Uma atitude de perseguição política com a colaboração do Judiciário que afetou literalmente da noite para o dia a vida das 5.000 famílias de seus funcionários além de gerar uma indignação pública. Um roubo realizado com a ajuda reconhecida em mea culpa pelo próprio Judiciário. Roubou-se a companhia, seus proprietários, funcionários, o Brasil por assim dizer, mas não o nome – PANAIR – e nem o dito ‘Padrão Panair’ que afirmam por aí nunca mais ter sido atingido por companhia alguma ao redor do planeta. Aliás, até hoje seus funcionários se reúnem regularmente e, solidários, acompanharam e combateram mesmo a arbitrariedade praticada. Lhes roubaram o sonho.”

A Panair “detinha as linhas de comunicação aeronáutica de toda a América do Sul, além de redes telegráficas e, ainda, a CELMA, empresa que fabricava peças e fazia manutenção nos equipamentos da Panair e das empresas congêneres, para não dizer das concorrentes. A CELMA foi cercada e literalmente tomada pelos militares no mesmo dia”.

O ministro da Aeronáutica era o brigadeiro Eduardo Gomes que cassou todas as concessões de rotas à Panair e visitou o Juiz da causa – cujo nome não foi revelado pelo autor, que fique esquecido. Poucos dias depois dessa visita, “a Justiça decretou a falência da companhia, que não tinha um único título protestado ou cobrança judicial. A justificativa – a FUTURA insolvência por falta de rotas…”

Prossegue o autor: “No vai e vem judicial todos os ativos da Panair foram leiloados liquidando-se a companhia, numa velocidade processual histórica, nunca antes vista e que jamais o será. O ridículo é que o síndico encarregado de vender os ativos e pagar o passivo apresentou um saldo a época de 500 libras. Isso, considerando que a companhia, após dois anos da decretação de sua falência, pagou com recursos próprios a demissão de todos os seus funcionários – e em dobro! Além disso seu débito com a União foi quitado com a “desapropriação” de seus aviões, posteriormente vendidos a preço de banana para a Varig.”

A Varig, empresa do Rio Grande do Sul cujo fundador era admirador de Hitler, tinha na época dessa “doação” pelo regime militar tamanho cinco vezes menor que a Panair. Sobre isso, um bom resumo aqui, onde se esclarece melhor quem foi o fundador da Panair – Mário Wallace Simonsen – e porque ele foi perseguido pelo regime militar. Escreve Paulo Henrique Amorim no “Conversa Afiada”:

“Era o maior comerciante de café do mundo e, em cima do café, construiu um império que ia de supermercados à TV Excelsior, do embrião da Embratel ao maior centro de mecânica de aviões das Américas, em Petrópolis, no Rio, que, já, já, o gatinho angorá venderá à American Airlines a preço da banana, com correção cambial. Mario Wallace cometeu um pecado mortal. Apoiou Jango. A TV Excelsior segurou Jango no poder quando Jango não estava mais em Brasília! E com o mestre Janio de Freitas, Wallace começou – no inicio de 1964 – a montar um jornal nacional, impresso, para enfrentar o PiG. O Golpe militar precisava destruí-lo. E abriu duas frentes. Uma CPI do Café, na Câmara, sob a liderança de Herbert Levy, um dos santarrões da UDN de São Paulo, mancomunado com o Estadão e o cerco implacável à Panair – com a ajuda do Judiciário.”

Há algumas diferenças entre o golpe militar de 1964 e o que levou a turma de Michel Temer ao poder, recentemente. E também entre a atuação do juiz Sérgio Moro – que vem destruindo algumas das maiores empresas brasileiras – e o juiz que decretou a falência da Panair, mas não vou me alongar aqui sobre isso.

No fundo, é um problema da democracia brasileira, extremamente discriminatória contra os mais pobres, Como se lê aqui, em reportagem da “Folha de S.Paulo”. O texto revela que “nas eleições de 2016, as mulheres negras que tentaram conquistar uma vaga na política municipal tiveram que trabalhar com uma quantidade menor de dinheiro em comparação a seus adversários”. E acrescenta:

“Segundo levantamento feito pela Folha com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ao se levar em conta todo tipo de receita —incluindo pessoas físicas, repasses do partido e outros—, elas tiveram que trabalhar com uma média de R$ 1,9 mil. considerando apenas as contribuições recebidas de pessoas físicas, o valor foi de R$ 905. Homens brancos estavam no outro extremo. Tiveram, em média, R$ 9,4 mil para investir em suas campanhas, montante quase cinco vezes maior do que o recebido pelas mulheres negras. Em doações vindas de pessoas físicas, foram R$ 3,8 mil, mais de quatro vezes maior na comparação.”

Conclusão: “Das 12,6 mil mulheres negras que tentaram a eleição como prefeitas ou vereadoras, 358 (3%) foram eleitas. Enquanto entre os 166,3 mil homens brancos, 34,6 mil (21%) se elegeram. As informações do resultado da eleição não estavam disponíveis para cerca de 20 mil candidatos. Eles não foram considerados nessa conta.”

O dia 10 de fevereiro foi uma data marcante também em outra grande democracia nestes tempos de Trump. O Senado dos Estados Unidos confirmou Tom Price como secretário de Saúde do governo de Donald Trump, com a missão de desmontar o Obamacare, criado por Obama para dar assistência à saúde à população mais pobre e cujo fim pode afetar 20 milhões nos Estados Unidos. Tom Price é médico e congressista republicano pela Geórgia. “Durante o processo de confirmação, Price foi acusado de utilizar informação privilegiada porque supostamente comprou no ano passado ações de uma empresa médica que depois se beneficiou de uma lei que ele apresentou na Câmara de Representantes”, escreveu a Folha.

No mesmo dia, o jornal paulista – que está devendo a publicação do artigo do advogado Aroldo Camillo – revelou mais uma do ministro da Saúde escolhido por Michel Temer: “O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), e uma empresa imobiliária fecharam um acordo particular e sigiloso para a compra de um terreno de R$ 56 milhões em Marialva (PR) em dezembro de 2013. Com o acordo, Barros se tornou dono de 50% do imóvel, embora na época detivesse um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de R$ 1,8 milhão. No período da compra, Barros era candidato a deputado federal pelo PP e ocupava o cargo de Secretário de Indústria e Comércio do Governo do Estado do Paraná.”

A saúde não vai bem, nos Estados Unidos e no Brasil.

E o dia 10 de fevereiro? Ele não pode ser esquecido por causa da Varig e da lição que seu case representa para a história. Quanto a todos os outros nomes citados aqui – você decide!

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