A falta que o Rolls Royce faz a Temer

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Michel Temer, além de tudo, é ignorante. Não o fosse, não teria dispensado o Rolls Royce e a faixa presidencial nas comemorações dos 194 anos da Independência do Brasil, como não o fizeram, em anos anteriores, Dilma Rousseff, Lula e todos os que os precederam desde Getúlio Vargas, que comprou dos ingleses esse símbolo rodante do poder.

O primeiro golpista presidente desde a morte de Getúlio, general Castelo Branco, não tinha, ao contrário de Temer, receio de desfilar em carro aberto no 7 de Setembro. Destaco esse trecho da reportagem do “Jornal do Brasil” publicada em 9/9/1964:

“Viajando num Rolls Royce, preto, o Presidente Castelo Branco – vestindo um terno escuro, de colete – chegou às 9h05m ao palanque oficial armado no Panteão de Caxias, diante do Palácio da Guerra. Em sua companhia estavam o Chefe da Casa Militar, General Ernesto Geisel (no banco da frente), e o Ministro da Guerra, General Costa e Silva (atrás).

O presidente foi recebido pelo Comandante do I Exército, General Otacílio Terra Urarai, e logo subiu ao palanque, onde já se encontravam o vice-presidente José Maria Alkmim, os ministro da Marinha e Aeronáutica, o governador Carlos Lacerda, e a comissão de oficiais incumbida pelo Ministro da Guerra de saudá-lo”.

Militares gostam de desfile. Militares no poder, mais ainda. Esse aí foi realizado no Rio de Janeiro. Brasília já havia sido inaugurada por Juscelino Kubitschek, mas o Rio continuava, para todos os efeitos, o centro do poder no país. O ministro da Guerra, que viria a ser presidente nomeado por seus pares (e não por senadores, coitados) estimou em mais de 150 mil as pessoas assistindo ao desfile no Rio, na Avenida Presidente Vargas, além de 35 mil homens do Exército, Marinha e Aeronáutica, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros da Guanabara.

A imprensa, está claro, não contestou a estimativa de Costa e Silva. E, se houve vaias, não noticiou. Ninguém, obviamente, estava disposto a contestar a declaração do ministro da Guerra de que as Forças Armadas estavam “indissoluvelmente unidas pelo espírito da Revolução e preocupadas somente com o bem-estar do País”.

Afinal, tinham-se passado apenas 160 dias do golpe militar e era possível sentir que o país caminhava “indissoluvelmente” para uma cruel ditadura, apoiada pelos barões da imprensa.

Temer, como Castelo Branco, goza ainda desse apoio da imprensa. Até quando, porém? Barões, como se sabe, amam a tradição. E não costumam dispensar, ao contrário de Temer, os símbolos do poder. Rolls Royce, por exemplo.

Sobre esse Rolls Royce desprezado pelo nosso rico neopresidente (e não pela pobre Dilma), leia mais AQUI.

Abaixo, mais fotos do desfile de 7 de Setembro com a presença de Temer:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Leia também:

faceblogttblogPague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Anúncios

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s