A força de Jack

Não deixe de assistir: O QUARTO DE JACK (Room)
Nota 9

jack

O filme não é baseado em fatos reais, mas poderia ser. É sobre as centenas de crianças e adolescentes que são sequestradas para virarem escravas sexuais, presas em porões sujos, onde são abusadas por anos a fio. Muito raramente, essas meninas são descobertas, ou conseguem escapar, tornando-se assunto para o noticiário mundial. No caso d'”O Quarto de Jack”, a menina em questão é Joy, ela está presa há sete anos em um barracão trancado e engravidou de seu sequestrador. Jack nasceu e, no momento em que o filme começa, ele está completando 5 anos de idade. Cinco anos trancado em um quarto, que é todo o mundo que ele conhece.

Jack não conhece as árvores. Nem os cachorrinhos. Nem milhares de comidas que outras crianças adoram. Ele não tem espaço para correr, para soltar pipa ou jogar bola. Ele não tem bola. As únicas pessoas que ele conhece — e que pensa serem as únicas reais deste planeta — são sua mãe e o “velho Nick”, apelido para o sequestrador, que aparece quase todas as noites para estuprar Joy, enquanto Jack dorme trancado no armário.

Mas ele não acha que esse mundinho é terrível, porque, afinal, é o único que ele conhece e o único que pensa existir. Não tem com o que comparar, como sua mãe.

Não se preocupem, não estou entregando o filme todo. A história de verdade acontece quando Joy traça um plano de fuga. E Jack, subitamente, descobre que o mundo é muuuuuito maior do que aquele quartinho. Que cabe mar, montanhas, florestas. Ou certamente muitas escadas, objetos e outras tantas pessoas reais.

O filme concorre ao Oscar 2016 em quatro categorias, as mais importantes da premiação: melhor roteiro (de Emma Donoghue), direção (de Lenny Abrahamson), melhor atriz principal (a excepcional Brie Larson, que interpreta Joy) e melhor filme do ano. O pequeno Jack é interpretado pelo ator Jacob Tremblay, que não foi indicado ao Oscar, mas já ganhou nada menos que 12 prêmios por sua atuação.

O grande mérito deste filme comovente, que nos faz chorar do início ao fim, é contar o horror dessa história de sequestro (que bem poderia ser o enredo de um episódio de Law & Order) do ponto de vista do garotinho de 5 anos. A câmera acompanha de perto seu olhar, seus toques, suas primeiras descobertas tardias. A primeira vez que ele pisa num chão frio. A primeira vez que ele come cereais. E assim por diante. Ou seja, o horror é filtrado pela inocência infantil, tornando o filme, que é absurdamente triste, ao mesmo tempo encantador. Me lembrou o ótimo livro “Festa no Covil“, que é narrado por um garotinho de 7 anos, testemunha ocular do mundo cruel do tráfico de drogas. “O Quarto de Jack” nos ensina que as crianças, talvez justamente por serem tão inocentes, são muito mais capazes de superar as grandes tragédias humanas.

São, portanto, muito mais fortes que os adultos, em vários sentidos.

Veja o trailer do filme:

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4 comentários sobre “A força de Jack

  1. O que me deixou de queixo caído nesse filme foi a atuação do garotinho. Como assim uma criança de dez anos atua dessa forma? Ele é quem deveria ter sido indicado ao Oscar.
    Um dos comentários mais frequentes nesse Oscar 2016 é a atuação de Leonardo DiCaprio com mais olhar do que fala. E o olhar do Jacob Tremblay, que também pouco fala e segura a segunda metade do filme? Não sou de chorar em filmes, mas chorei na hora em que apresentam o cachorrinho da família ao Jack.
    Saí do cinema e comecei a ler o livro, estava achando chato (o autor tem quer ser muito habilidoso para eleger uma criança como narradora), pulei algumas páginas, vi que na maior parte do livro os acontecimentos se passam dentro do quarto, e desisti. O diretor do filme felizmente percebeu que o interessante da história é a descoberta do mundo por um garoto que nasceu e cresceu recluso. Resumiu a parte do quarto ao mínimo necessário.

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    • Interessante que normalmente os livros são melhores que os filmes, né? (Até então a única exceção que eu tinha achado a esta regra foi com o filme “Na Natureza Selvagem”, bem melhor que o livro). Realmente, a atuação do garotinho foi incrível. E ele é pequetito, né? Fiquei surpresa quando vi que ele tinha 10 anos na época do filme, fazendo papel de uma criança de 5. A diferença de tamanho é muito grande entre essas idades…

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      • Hum, não sei se concordo com a superioridade dos livros com relação aos filmes, não…
        Você viu Carol? Adorei o filme, saí do cinema e comecei a ler o livro, originalmente publicado como “o preço do sal”, de Patricia Higsmith. No início o livro parecia ser excelente, mas na metade começa a ficar arrastado demais, além de conservador – ainda não terminei, mas já estou na terça parte final do livro e na minha opinião, até agora, ele não é muito claro se Therese realmente tem sentimentos românticos por Carol. Considerando que o livro é da década de 1950, é compreensível que a autora não tenha querido ousar muito e que o filme tenha ido mais além nessa questão, mas mesmo com essa consideração, o filme ganha do livro. E a Rooney Mara está perfeita. Estou torcendo por ela no Oscar.
        E uma outra super exceção é “A invenção de Hugo Cabret”. O livro é legalzinho e tal, mas não chega aos pés do filme!

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