O condor passa, e só passa

Não deixe de assistir: LIVRE (Wild)
Nota 7

wild

É impossível não pensar no filme “Na Natureza Selvagem” ao assistirmos a “Livre“. Principalmente para quem adora o filme de Sean Penn, como eu, que já assisti a ele várias vezes.

Os dois têm até nomes parecidos, em inglês: Into the Wild e Wild. Os dois falam de jovens que deixaram suas vidas pra trás para mergulharem num mundo selvagem, com direito a floresta, deserto e neve — paisagens inóspitas e belas que se intercalam na imensidão dos Estados Unidos. Eles até percorrem regiões próximas, no Oeste norte-americano.

Mas aí terminam as coincidências.

Porque, enquanto no primeiro filme vemos um Christopher McCandless (Emile Hirsch) mergulhando profundamente na natureza, interagindo com ela, apanhando dela, vencendo obstáculos, no segundo, isso é o de menos. Cheryl (Reese Witherspoon) tem dificuldade até para equilibrar o mochilão, mas quase não se mostra sua interação com a natureza, ou mesmo sua admiração pela paisagem exterior, por mais deslumbrante que seja. É como se ela nem enxergasse, e dá vontade de sacudi-la e gritar para que ela preste atenção! Em todo o filme, ela está mergulhada dentro de si mesma, um pouco alheia ao resto.  Sua viagem é muito mais interior, para suas lembranças, do que exterior.

Isso, por um lado, me fez sentir um certo buraco no filme. Fiquei com a sensação de que o roteiro e a câmera desperdiçaram a oportunidade de mostrar mais aquela natureza incrível em que a garota estava mergulhando, em vez de focar só o rosto dela. Fiquei, involuntariamente, cobrando de “Wild” que fosse mais “Into the Wild”. Por isso, acabei tirando uns pontinhos do filme.

Mas, ao terminar de assistir a ele, às 2h15 da madrugada de sexta, ainda levei vários minutos para conseguir dormir, pensando nas reflexões de Cheryl, em tudo o que ela passou no passado, que importa mais para ela que aquele presente de caminhadas sem fim, e dormi embalada pela música El Condor Pasa, de Simon & Garfunkel, que percorreu o filme o tempo todo. Dormi com uma sensação boa, que não é todo filme que deixa em mim. Por isso, voltei com outros pontinhos ao filme, deixando esta nota 7 final 😉

“Livre” só concorre ao Oscar em duas categorias: de melhor atriz, para Reese, e melhor atriz coadjuvante, para a ótima Laura Dern, que faz sua mãe. Como já expliquei, não foi à toa que o filme ficou de fora em roteiro, fotografia, direção etc. Mas, focado demais na personagem e em suas lembranças, “Livre” teve o mérito de arrancar duas ótimas atuações. E isso, muitas vezes, basta.

Veja o trailer do filme:

***

Há um mês e três dias, escrevi aqui no blog um autodesafio: teria este período para acabar de assistir aos 17 principais filmes do Oscar (excluindo curtas, documentários e estrangeiros), a tempo da entrega dos prêmios. Acabei reduzindo ( “arredondando”) um pouco o desafio, para 15. E, com “Livre”, concluo minha 15ª resenha, atingindo esta meta, em meio a plantões e ao que deveria ter sido uma folga de Carnaval. CLIQUE AQUI para ler todas as resenhas e fazer seu bolão do Oscar! Amanhã cedo publicarei minhas apostas aqui no blog 😉

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