Uma viagem para dentro de nós mesmos

Para alugar: À BEIRA DO CAMINHO

Nota 8
beiracaminho

Já recebi um bocado de respostas do Censo do Blog (ainda não respondeu? Clique AQUI 😉 ), e fiquei surpresa com o tanto de pessoas que gosta de ler resenhas de filmes aqui no blog. Então aí vai mais uma 😀

À Beira do Caminho é o nome do filme. Se não me engano, li sobre ele antes da estreia, vi seu trailer, e fiquei com vontade de assistir desde então, no já distante 2012. Finalmente matei a vontade nesta semana. E não me arrependi da longa espera.

Trata-se de um road movie, com todas as características boas de road movies (como, por exemplo, no filme Nebraska): um filme sobre descobertas no percurso de um longo caminho, de um trajeto de um ponto ao outro, por meio de estradas. Descobertas de paisagem, de pessoas, mas, principalmente, uma viagem para dentro de nós mesmos, perdidos em pensamentos enquanto dirigimos.

E o filme se volta diretamente para os dois protagonistas: o João, interpretado pelo excelente João Miguel (na minha opinião, o melhor ator brasileiro da atualidade), e o pequeno Duda, interpretado por Vinícius Nascimento, que tinha 10 anos quando o filme foi rodado e, apesar de ser sua estreia, mostrou que tem futuro nesse negócio de atuar.

Duda entra no caminhão de João com o intuito de pegar uma carona, até o mais longe possível (de preferência, até São Paulo, desde Pernambuco), para tentar encontrar seu pai, que nunca conheceu, agora que sua mãe morreu. (Curiosidade: Vinícius Nascimento também nunca conheceu seu pai.) A única informação que Duda tem sobre o pai é um retrato 3 x 4 antigo e um endereço escrito atrás. Será que vai dar certo?

Por sua vez, João é um homem atormentado, sério, traumatizado, fechado em seus pensamentos, dores e culpas. E prefiro não dizer nem um pouquinho mais sobre isso, porque acho que uma das graças do filme é essa construção do personagem, bem devagarinho, mostrando por que, afinal, ele está daquele jeito. (Dito isso, NÃO assistam ao trailer, porque estraga um pouco do suspense do roteiro).

E assim passamos 1h40 naquela cabine de caminhão, naquelas estradas, descobrindo um pouco mais sobre esses dois personagens bem interpretados. E aí surge um defeito no filme: os diálogos não são muito bons. Acho que o roteiro de Patrícia Andrade (que fez “2 Filhos de Francisco“, “Salve Geral” e “Gonzaga“) perdeu uma boa oportunidade de incluir mais humor e mais falas interessantes nesse entrosamento entre dois personagens tão profundos. E insistiu demais nessa ideia de cruzar as cenas do filme com canções de Roberto Carlos, que formam toda a trilha sonora.

Mas, fora isso, temos boa direção de Breno Silveira (que já se consagrou com “Gonzaga” e “2 Filhos de Francisco“) e um road movie sóbrio, sem muito melodrama, com bons atores e belas paisagens.

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8 comentários sobre “Uma viagem para dentro de nós mesmos

  1. Dona Kika, com todo o respeito que tenho por si e pelo seu blog, e pela tese que tenho pela privacidade de cada um de nós, ao ler a primeira linha não consegui passar daí, pelo simples fato de que a Kika está a insistir num preenchimento de um formulário que, no meu humilde intendimento, transcende a privacidade de muitos de nós, a não ser que deseje ter somente como seus leitores os seus amigos e conhecidos mais chegados ou outras pessoas interesseiras.
    Embora não a conheça pessoalmente, tenho um enorme respeito e carinho pela qualidade da sua escrita, ao saber transmitir realidades e não ficções, algo que já começa a fazer falta em muitos blogs do nosso país.

    Um abração do seu amigo virtual,
    Joma bastos

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    • Olá, Joma! Eu não insisti, apenas comentei que foi por meio dos formulários que consegui descobrir que muitas pessoas gostam das resenhas de filmes (que era algo de que eu nem suspeitava!). Mas o preenchimento do formulário é livre para quem quiser fazê-lo. De qualquer forma, ele não interfere na privacidade dos leitores, uma vez que a identificação, com nome e outros dados pessoais, é opcional. Na verdade, em 70% dos formulários preenchidos, não faço ideia de quem os preencheu 😉 Abraços

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      • O Formulário seria livre se não existissem asteriscos que assinalassem a obrigação ao seu preenchimento, e essa foi a principal razão do meu descontentamento ,mas a minha rude opinião é uma gotícula em um universo cada vez mais grandioso. Portanto, peço desculpa pela minha rude intervenção.
        Continuação de um ótimo trabalho.

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      • Mas, uma vez que a pessoa não se identifica, como vou saber que você tem entre X e Y anos e tem a escolaridade Z? De qualquer forma, todas as respostas são amplas, sem identificação nem mesmo da cidade, justamente para preservar mesmo aqueles que quiserem se identificar pelo nome. O mais importante é que não há asterisco no campo “nome/email”, que é o que fez com que TODOS que não preencheram este campo permanecessem anônimos para mim.

        O objetivo do formulário é conhecer melhor a OPINIÃO dos leitores sobre o blog, pra tentar melhorar meu trabalho, e não conhecer intimidades dos leitores.

        abraços

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  2. Já utilizei a palavra “rude” por duas vezes… pois é,… mas por ser uma pessoa rude, discordo da obrigação para se seja obrigatório preencher determinados parâmetros de um inquérito muito aparentado com aqueles que em tempos idos eram efetuados, quando necessitávamos de um elemento novo para complementar uma equipe de trabalho.
    Mas como a democracia está a finar-se neste país, e a violência está assumindo taxas extremamente elevadas, qualquer dia mudo-me temporariamente para a Costa Rica.

    Saúde da boa!

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  3. Não concordo com o modo como o inquérito foi elaborado(ponto final). Acontece que eu não pertenço àqueles que não respondem ou não se querem fazem ouvir. Qualquer um poderia responder a esse inquérito, com verdades ou mentiras, mas a Kika está sabendo de mim o suficiente para aquilatar o tipo ou gênero de leitor que sou.
    É só dar uma olhada na quantidade e qualidade de pessoas que aderem às manifestações sociais, para chegarmos à conclusão que o povo na generalidade está “preenchendo os inquéritos” que lhes metem nas mãos no momento das eleições. E estas não vão ser diferentes.

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    • Tudo bem, Joma, você não concorda, já entendi. Como eu disse, é livre para simplesmente ignorar o formulário e não respondê-lo jamais. Mas eu o considero útil e vou mantê-lo por alguns dias, para quem quiser responder (e várias dezenas já quiseram). Abraços

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